Tendência climática para a primavera/verão

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O texto a seguir foi elaborado pela meteorologista Patrícia Madeira, uma das profissionais da equipe da Climatempo especializada em análises climáticas. Aqui mostramos apenas tendências gerais para cada Região do Brasil e que não devem ser interpretadas como absolutas e definitivas para pequenas áreas de cada Região.

Expectativa do clima na Primavera

Estamos sob o domínio da La Niña, o resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial, que normalmente aumenta a chuva no Nordeste do Brasil, e diminui a umidade no Sul. Mas este ano as coisas podem ser um pouco diferentes.

A Primavera é a estação de transição entre o Inverno, que tem características de tempo frio e seco , e o Verão, que normalmente é quente e úmido no centro-sul do Brasil, ou seja, a Primavera é uma mistura das duas estações. Até dezembro vamos intercalar períodos secos com períodos úmidos. Com relação ao frio, ele vai ficando cada vez mais raro, e não são esperadas mais geadas que possam trazer prejuízos, especialmente para a agricultura. Em outubro e em novembro o calor costuma ser marcante, especialmente nos dias em que a nebulosidade é esparsa. Com a proximidade do verão os dias vão ficando cada vez mais longos, o que proporciona cada vez mais horas de sol (insolação). O verão começa no dia 21 de dezembro, com o dia mais longo e a noite mais curta do ano.

Ao longo da primavera as chuvas deixam de ocorrer exclusivamente com a passagem de frentes frias e a partir de outubro voltam a ocorrer pancadas de chuva que são resultado do tempo abafado. Embora ainda na Primavera, é comum dar-se o nome de “chuva de verão” a estas pancadas. Elas são rápidas, ocorrem sempre à tarde ou à noite, e são bem volumosas. Nas grandes cidades elas causam muitos transtornos, mas são necessárias para a elevação do nível das represas (que caem muito durante a estiagem de Inverno) e para a melhoria da qualidade do ar.

Nas regiões Norte e Nordeste a maior mudança durante a primavera é o aumento da umidade no Acre, em Rondônia, no sul do Amazonas e do Pará, no Tocantins, no oeste da Bahia e no sul do Maranhão e do Piauí. Mas de Sergipe ao Rio Grande do Norte a época é de diminuição dos volumes de chuva. No sertão e no agreste a seca persiste por mais alguns meses.

Este ano, por conta da La Niña, e também das rápidas variações de temperatura do Oceano Atlântico, a expectativa é de muita variabilidade nesta Primavera em todo o Brasil.

Região Sul

Nos Estados do Sul a chuva é irregular neste mês de outubro, com maiores volumes na parte oeste da Região, e pouca chuva na parte leste, onde estão as Capitais. Chove bastante em novembro e em dezembro em todas as áreas, com risco de temporais que vêm acompanhados de granizo e rajadas de vento. De uma forma geral a previsão é de boas condições para a agricultura, mas não tão boas para o mercado de construções e turismo.

Região Sudeste

No Sudeste chove de forma muito irregular durante toda a Primavera. Ao invés da boa chuva que acontece na passagem das frentes frias, que é persistente e umedece o solo, são esperadas várias pancadas isoladas e passageiras, que normalmente são muito volumosas e causam transtornos nas cidades. Em setembro e em outubro chove menos que o normal em toda a Região e o calor volta a marcar presença. Em novembro a chuva volta a ficar regular em São Paulo, mas nos outros Estados do Sudeste o tempo continua mais seco que a média, e também mais quente. Em dezembro quase toda a Região volta a ter pouca chuva e muito calor. Só o Espírito Santo registra mais chuva que o normal.

Região Centro-Oeste

No Centro-Oeste a chegada de uma frente fria no fim de setembro e a formação de áreas de instabilidade provocam um pouco de chuva em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, mas a situação continua crítica em Goiás e no Distrito Federal, com tempo mais seco que o normal. Esta situação não muda muito durante a Primavera. A previsão é de pancadas muito isoladas e passageiras que não conseguem deixar o solo com boa qualidade para o plantio de verão. Em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul a previsão é de chuva perto do normal em quantidade, mas as pancadas são mal distribuídas. Ocorrem vez ou outra, mas são volumosas. A previsão é de muito calor, especialmente nos meses de novembro e dezembro.

Região Nordeste

No Nordeste a previsão é de boa chuva em outubro no litoral da Bahia, em Sergipe, em Alagoas e no norte do Piauí, com volumes acima do normal. Nas outras áreas a La Niña ainda não se manifesta muito e a chuva fica entre normal e abaixo da média. Em novembro chove pouco no leste, no centro-sul e no oeste da Bahia, no sul do Piauí e no sul e no oeste do Maranhão. Mas nas outras áreas a umidade aumenta bastante e a chuva fica acima da média, inclusive em áreas de agreste e sertão. Em dezembro o leste e o norte da Região têm chuva normal, mas em todas as outras áreas a presença de uma grande massa de ar quente e seco dificulta a formação de nuvens de chuva. Os produtores rurais devem ter cuidado no plantio da safra de verão este ano, pois a chuva de novembro pode indicar boa umidade em dezembro, e ela não virá.

Região Norte

No Norte a situação também é de irregularidade, com chuva abaixo da média em outubro no oeste e no sul da Região. Em novembro chove pouco de Rondônia ao sul do Tocantins e na região de Manaus, no Amazonas. Nas outras áreas a chuva ocorre de forma normal nestes dois meses. Mas em dezembro a La Niña mostra uma de suas características na Região, que é diminuir a umidade em todas as áreas. A previsão é de chuva abaixo da média, e calor mais intenso que o normal.


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Esse post foi publicado de quinta-feira, 23 de setembro de 2010 às 12:24, e arquivado em Tempo Severo.
Última modificação: quinta-feira, 30 de junho de 2011 às 16:39

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