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2010: fatos do tempo que marcaram o ano

30/12/2010 às 10:33
por Josélia Pegorim

Todo
s os anos no Hemisfério Sul começam e terminam no verão. Mas 2010 teve uma característica climática especial: começou sob a influência do El Niño e está terminando em La Niña. Os dois fenômenos alteram o padrão de temperatura e chuva no Brasil e muitas outras áreas do planeta. O El Niño é caracterizado por um aquecimento anormal das águas a porção centro e leste do Oceano Pacífico, que abrange a costa do Peru. O La Niña é resfriamento das águas na mesma região. Por causa do El Niño, a chuva e o calor do começo de 2010 foram tão excessivos que impressionaram até mesmo meteorologistas muito experientes. Faltou 1 mísero milímetro de chuva para que a cidade São Paulo tivesse o janeiro mais chuvoso desde 1943. Em janeiro de 2010 São Paulo recebeu 480,5 milímetros de chuva. O janeiro mais chuvoso da cidade foi o de 1947, quando choveu 481,4 milímetros. Muito antes do verão de 2010 terminar, algumas hidroelétricas do rio Paraná, na divisa de São Paulo com o Mato Grosso do Sul, tiveram que abrir mais suas comportas, para dar vazão ao excesso de água armazenada. A chuvarada dos primeiros dias de 2010 foi uma das culpadas pela tragédia de São Luís do Paraitinga, em São Paulo, e em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro. O calor do começo deste ano foi excepcional e o destaque vai para cidade do Rio de Janeiro. Os cariocas apelidaram fevereiro de “fervereiro”, de tanto calor que o mês todo. A temperatura na cidade chegou aos 41,8ºC, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia e foi a segunda mais alta de 2010, nas capitais brasileiras. Mas em fevereiro de 2010, o Rio de Janeiro teve 6 dias com temperaturas um pouco acima da marca dos 40ºC. A fornalha de fevereiro sentida em todo o Sul e no Sudeste. Todas as capitais destas Regiões registraram suas maiores temperaturas de 2010 em fevereiro. Pela medição do Instituto Nacional de Meteorologia, o recorde de calor em Porto Alegre foi de 38,5ºC, em Florianópolis de 34,7ºC e em Curitiba de 33,5ºC, todas as em algum dia de fevereiro. Em São Paulo, a maior temperatura de 2010 ocorreu também neste mês e foi de 33,8ºC. Fevereiro também deu o recorde de calor para Belo Horizonte, com 34,3ºC e para Vitória, onde a máxima deste ano foi de 37,3ºC. Fevereiro de 2010 terminou muito mais quente que o normal em todas as capitais do Sul e do Sudeste. No inverno de 2010, a atmosfera no Brasil estava em quase neutralidade, mas indo para o La Nina, que começava a mostrar sua influência trazendo dias mais frios do que a média. As capitais do Sul, do Sudeste, do Centro-Oeste e também Rio Branco, Porto Velho e até Manaus e Palmas registraram suas menores temperaturas mínimas e/ou máximas de 2010 entre junho e agosto. Um dos valores que mais impressionou foi a menor temperatura máxima de Curitiba, 6,8ºC, e de Florianópolis, 10,4ºC, que ocorreram no dia 4 de agosto. Nas capitais, a menor temperatura de 2010 foi a de Porto Alegre, no dia 15 de julho, que teve mínima de 2,4ºC. O inverno de 2010, época de chuva na costa leste do Nordeste, tivemos a tragédia em Alagoas e em áreas de Pernambuco, que ficam debaixo d´água. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, Maceió, a capital de Alagoas, terminou o mês de julho de 2010 com quase 672 milímetros de chuva acumulados. Foi a maior quantidade de chuva em mês registrada este ano nas capitais brasileiras. O fenômeno La Niña foi responsável pelos dias mais frios que o normal durante a primavera, nos Estados do Sul e do Sudeste. Em vários dias, cidades serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e até a fronteira com o Uruguai registram temperaturas abaixo de zero e geadas. É o La Niña que também domina o verão 2010/2011 e um dos seus efeitos já estão sendo observados: a chuva diminuiu no Sul do Brasil e algumas cidades do Rio Grande do Sul estão terminando o ano com racionamento de água. O ano de 2010 leva para o início de 2011 muita chuva para a maioria das áreas do Sudeste e  Centro-Oeste do Brasil e também para a Bahia.