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El Niño atrapalha temporada de surfe 2015

27/08/2015 às 15:02
por Redação

Atualizado 18/12/2015 às 16:31

Por Maira Di Giamo

O El Niño está sendo responsável por muitas alterações no clima no país neste ano. O inverno está com temperaturas acima do normal e um forte bloqueio atmosférico que veio impedindo a entrada de frentes frias no Sudeste até meados de agosto. Essas condições, além de incomodar parte da população que esperava pelo frio, também estão atrapalhando o surfe.

Tomás Burguete, do Climasurf conta que só deu para aproveitar as ondas em São Paulo no começo de julho, mas depois as condições ficaram ruins. “Quando começou o mês de julho teve aquele período que as frentes frias estavam subindo com frequência e teve bastante onda. Aí do dia 10 de julho em diante veio aquele sistema de alta pressão na região e ficou aquele período seco. Praticamente nenhuma frente fria subiu. O mar também ficou muito baixo e as ondas pequenas, o que é totalmente atípico do inverno”, afirma Burguete.

As pessoas costumam associar surfe a sol e calor. Mas não é bem assim. Na verdade a melhor época para a prática do esporte no Brasil é o inverno. Há quem ainda prefira o verão, mas no quesito ondas, a estação fria é campeã. Para um surfista experiente o ideal são ondulações a partir de um metro de altura, e a formação delas depende dos swells.

O meteorologista Alexandre Nascimento explica que em anos de El Niño não temos a formação de tantos ciclones extratropicais pelo Sul e Sudeste do Brasil, porque o bloqueio atmosférico fica mais baixo que o normal e impede a entrada de sistemas meteorológicos.

Além disso, para a formação de um ciclone extratropical precisa haver um choque entre uma massa de ar frio e uma massa de ar quente. O problema é que o El Niño enfraquece as massas frias, o que impede o avanço dos ciclones. Assim, sem sistemas avançando pelo Sudeste, e poucos pelo Sul, nada de ondas!

O ano de 2014 também foi ruim para o surfe. Embora o El Niño ainda não fosse oficial, o oceano Pacífico já estava começando a aquecer e, além disso, alterações na temperatura do oceano Atlântico, que ficou mais quente, também influenciaram.

Mas agora, no fim deste inverno, a situação deve melhorar um pouco. Três frentes frias já conseguiram romper o bloqueio atmosférico, o que já é um indício de uma mudança nas condições da atmosfera. Até o final da estação novas frentes frias vão conseguir chegar ao Sudeste e deixar as ondas mais altas. Mas não se anime muito, em anos de El Niño não dá para esperar ondas muito boas.

Outro problema que pode abalar a nação surfista são as ondas no Havaí. Ou melhor, a falta de ondas. O melhor período para a prática do esporte e para as competições na região é entre dezembro e fevereiro, mas o El Niño também pode destruir as esperanças de um inverno perfeito para o surfe por lá. A presença de um sistema de alta pressão no Golfo do Alasca pode afastar as tempestades que geram os ventos para a formação das famosas ondas gigantes do Havaí e atrapalhar os torneios.

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