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Amplificação de ondas

18/01/2016 às 06:01
por Paulo

Atualizado 18/01/2016 às 22:06

A condição para os próximos dias é de fenômeno conhecido como de amplificação de ondas. A atmosfera, visto em grande escala é um meio que, através do seu deslocamento, leva o calor dos trópicos em direção aos pólos e o frio dos pólos aos trópicos. Este mecanismo é de longe mais eficiente que outras formas de troca de calor (condução e radiação). E devido a rotação do planeta, associa-se um constante fluxo na direção oeste-leste. E esta troca de massas de ar se dá de forma peculiar, configurando como ondas: acumulada a diferença de calor entre trópicos e os pólos, resultante da diferença do aquecimento solar, num dado momento quebra-se em ondas, e é justamente parte destas ondas que correspondem ao ar frio (que é levado dos pólos aos trópicos denominado "cavado") e ao ar quente (que é levado dos trópicos aos pólos, denominada "crista").

 

 

Os meteorologistas analisam vários níveis da atmosfera para tentar identificar estas ondas, mas o nível de 500 hPa (hectopascal), a cerca de 5500m de altitude, é obrigatório. O comprimento de onda é enorme e tem milhares de km. Normalmente estas ondas surgem e deslocam de oeste para leste em latitudes médias, mas às vezes elas não deslocam e ainda por cima intensificam, ganhando amplitude. Significa que está havendo um fluxo estacionário de umidade e calor.

 

Na condição denominada ZCAS, o grande contraste de massas de ar (que corresponde a Alta Subtropical do Atlântico e a do Pacífico) que se sustenta por vários dias, a umidade que vem dos trópicos é canalizado para o Sudeste, formando uma banda de nebulosidade. De nada adianta ter apenas um fluxo de umidade - o avanço de massas de ar uma sobre a outra, ou em altitude, ou ainda pelas condições do vento, provocam desequilíbrio vertical que são as várias formas de instabilidade em que a atmosfera procura liberar a energia em forma de movimento. Na região tropical, a instabilidade é pelo aquecimento; já o que se observa sobre o mar, na extensão final desta zona, a sua estrutura é frontal. Havendo instabilidade, existe o levantamento do ar, esta umidade se condensa e  forma nebulosidade que, devido a persistência, acaba por acumular grande volume de chuva. 

 

Nos próximos dias, haverá uma série de fatores que favorecerão chuva em quantidade excepcional sobre o Alto Paranaíba, oeste e noroeste de MG, oeste da BA, TO e nordeste de GO: persistência deste padrão de cavado-crista, sua amplificação, o resultante fluxo de ar mais frio em níveis médios que causa instabilidade sobre estas áreas, um grande fluxo de umidade sobre a região em baixos níveis e também uma difluência de vento em altos níveis, combinando o efeito da borda do Vórtice Ciclônico de Altos Níveis que ainda continua influenciando o Nordeste. Por outro lado, a porção "crista" da onda também persiste, provocando forte aquecimento no sul do país.