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É o tempo que manda no estreito de Drake

04/03/2016 às 15:42
por Josélia Pegorim

Atualizado 04/03/2016 às 21:52

O verão antártico já terminou e é hora de voltar para casa, depois de quatro meses vivendo em meio ao gelo, com muitos dias bonitos, cheios de sol e de céu azul, mas também ventanias e dias nublados.

No começo desta semana, cientistas brasileiros estavam de malas prontas para voltar para casa. Estavam na base brasileira de pesquisas na ilha do Rei George, na península antártica esperando o navio para levá-los para Punta Arenas, cidade chilena na Terra do Fogo, o extremo sul da América do Sul.

No lado da América do Sul, representantes do governo Brasileiro, outros cientistas e jornalistas aguardavam para fazer o caminho contrário: ir para o local da base brasileira de pesquisas na Antártica*, para uma cerimônia de início da construção das novas instalações do Brasil, que foi quase toda destruída por um grande incêndio em 2012.

No dia 2 de março já haviam se passado três dias sem que ninguém conseguisse passar de um lado para outro porque as condições meteorológicas não permitiam.

 

 

Tempo perigoso

Para ir ou voltar da base do Brasil na Antártica é preciso pegar um navio ou um avião e passar por um dos lugares com as piores condições meteorológicas do planeta para a navegação por mar e por ar. É o estreito de Drake, um pedaço de mar açoitado por ventanias praticamente imprevisíveis, por causa da grande quantidade de frentes frias com ciclones extratropicais que passam por lá. A Antártica é a “mãe” das massas de ar polar e das frentes frias que chegam ao Brasil.

 

Março de transição

Caio Ruman, pesquisador das áreas de modelagem atmosférica, pesquisa e desenvolvimento do núcleo da Climatempo, no Parque Tecnológico de São José dos Campos, esteve por três vezes na Antártica para coletar dados para suas pesquisas. Ele conta um pouco da sua experiência de esperar “o tempo deixar” fazer a travessia pelo estreito de Drake. Enquanto 7 frentes frias, em média, chegam ao Brasil em um mês durante o verão, dezenas passam pelo estreito de Drake. Em março, o número de frentes frias começam a aumentar complicando ainda mais a travessia do Drake

 

Confira o relato de Caio Ruman

“Essa situação que eles estão passando é normal, ainda mais em março! Na terceira vez que eu estava por lá, foi em março também. Fiquei 7 dias em Punta Arenas, 3 deles esperando o tempo melhorar e 2 esperando consertar o avião que tinha quebrado. O pessoal que estava esperando para voltar ficou o mesmo período dentro do navio atracado na base chilena, com conforto mínimo.

Em março começa o período de transição para o inverno, e os períodos de tempo firme (ou calmo) ficam mais curtos. Os centros de baixa pressão começam a passar perto da Ilha do Rei George mais frequentemente, fazendo o tempo piorar muito. O espaço de tempo entre eles também é menor, então as janelas de tempo bom diminuem.”

 

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* A base brasileira fica na ilha do Rei George, a maior ilha do arquipélago das ilhas Shetland do Sul. É lá que ficam também as bases de pesquisa do Chile, da Argentina, da Rússia, Uruguai, China, Equador, Coréia do Sul, Peru e Polônia. A região da ilha do Rei George tem temperaturas menos baixas em relação a outros locais da península antártica.

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