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"Píeres flutuantes", o novo projeto de Christo

20/06/2016 às 15:37
por Redação

Atualizado 20/06/2016 às 15:38

A pequena Sulzano, no norte da Itália, espera receber por volta de 800 mil visitantes entre sábado (18/06) e 3 de julho, graças aos chamados "Píeres flutuantes" ("Floating Piers", em inglês), novo projeto de Christo, estrela da pop art.


Fixados sobre pontões flutuantes, três quilômetros de píeres com 16 metros de largura interligam Sulzano a duas ilhas próximas no Lago de Iseo, Monte Isola e San Paolo. Trata-se de um substituto natural para a balsa que transporta, normalmente, os 2 mil residentes das ilhas até o continente. O prefeito de Sulzano, Fiorella Turla, chama a instalação de "o milagre de Christo".


O artista e a esposa Jeanne-Claude, que morreu em 2009, desenvolveram o conceito dos "Píeres flutuantes" já na década de 1970. Inicialmente, a ideia era que a instalação ficasse no Rio da Prata, na Argentina, e na Baía de Tóquio, no Japão. No entanto, eles nunca obtiveram permissão para realizar seu projeto nesses locais.


Finalmente, o sonho se tornou realidade no Lago de Iseo, localizado entre Milão e Veneza. "É um pouco como andar sobre um colchão d'água", descreveu Wolfgang Volz, fotógrafo exclusivo de Christo e gestor do projeto.

Trabalho intenso

Apesar das difíceis condições meteorológicas, a instalação foi concluída dentro do cronograma. "No mês passado, tivemos três tempestades, mas elas não afetaram a obra", disse Volz.

No total, 220 mil cubos plásticos foram agrupados e cobertos por 75 mil metros quadrados de tecido amarelo dourado. "Esta cor é dália amarelo. Este amarelo profundo não é uma cor só: o tecido muda de coloração pela manhã, parecendo quase vermelho; ao meio-dia, quando o Sol está a pino, ele fica dourado", afirmou Christo à DW.


A empresa alemã Geo – Die Luftwerker, baseada em Lübeck, foi contratada para preparar o tecido: cortá-lo, costurá-lo e instalá-lo sobre os píeres. "No final, tivemos que trabalhar em turnos das 7h às 23h", conta o diretor da companhia, Robert Meyknecht.


Ele também teve de adquirir equipamentos especiais para a obra, como máquinas de costura potentes para o tecido grosso e um projetor a laser para obter os moldes específicos. "Cada parte tinha uma forma diferente", explica o diretor.

O trabalho nos pontões não foi fácil para a equipe de Lübeck. "O movimento criado pelas ondas foi mais forte do que eu esperava", comentou Meyknecht. Ele disse ter ficado particularmente impressionado com altura das ondas durante a tempestade. "Christo estava lá e parecia tão animado quanto um menino", conta.


A realidade é efêmera

Christo ama a natureza. Suas obras de arte ambientais são, da mesma forma que as pessoas que as observam, expostas ao vento, ao sol a à chuva, dando vida aos trabalhos artísticos.

"Isto não é uma imagem, um filme ou televisão, isto é a realidade", disse Christo à DW.

O tecido que ele estende sobre ou em torno de objetos simboliza a natureza temporária da arte efêmera. Nesse contexto, a instalação "Píeres flutuantes", que custou 13 milhões de euros (por volta de 50 milhões de reais), não é exceção, ficando em exibição durante apenas 16 dias.


Liberdade total

Nascido na Bulgária, Christo financia seus trabalhos sem patrocinadores ou subvenções públicas. Em vez disso, ele vende seus esboços e fotos das instalações.


O artista afirma ser cético quanto a todos os tipos de propaganda, seja política, ecológica ou religiosa. "Ninguém pode usar este trabalho para fazer propaganda, porque ele é baseado na liberdade total", diz.

Ele chegou até a admitir que sua obra é completamente inútil. "Ninguém precisa deste projeto. Somente eu, Jeanne-Claude e alguns amigos queríamos tê-lo. Isso é arte pura."

Na verdade, Christo, a esposa e os amigos não foram os únicos a querer o projeto. O prefeito de Sulzano também saúda a atenção internacional que a cidade deve receber nos próximos dias.

Para as centenas de milhares de visitantes aguardados, a liberdade será mais do que um conceito quando andarem sobre a instalação flutuante – assim como para Christo.