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Amatrice, uma cidade devastada

25/08/2016 às 12:42
por Redação

Atualizado 25/08/2016 às 12:48

A terra treme em todos os lugares de Amatrice. A fachada do mosteiro permanece de pé. Durante os tremores principais, os andares da velha ruína desabaram como um castelo de cartas. Sete freiras devem estar sob os escombros. Os ajudantes rompem com uma pequena retroescavadeira as paredes e janelas da sala ainda parcialmente intacta para tentar encontrar as mulheres. Os trabalhos ocorrem madrugada adentro, embora seja extremamente difícil e perigoso para os socorristas trabalhar no escuro.

 

Não há postes de luz acesos. Nenhuma das casas de Amatrice tem luz. O fornecimento de energia foi interrompido. Apenas o corpo de bombeiros tem geradores e carros de luz para a iluminação, que são usados nos lugares onde a busca ainda é possível, onde talvez haja sinais de sobreviventes.

 

 

Breve visita de Renzi

No antigo jardim do convento, uma sobrevivente de Amatrice observa o trabalho silencioso das equipes de resgate. Ela reza e, em seguida, leva as mãos à boca. Ela tem esperança, mas também diz: "Por que Deus faz isso­ com a gente?" O padre de Amatrice, que era conhecida por suas belas igrejas, também está atordoado. "Eu não consigo dizer nada." Ele pede só que sua comunidade encontre a força para continuar vivendo, de alguma forma.

 

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, promete ajuda, assistência aos sem-teto e à possível reconstrução. Ele chega de helicóptero e cumprimenta paramédicos e bombeiros com um tapa nos ombros. Ele agradece a eles por seus esforços e promete assistência financeira rápida para as localidades atingidas pelo terremoto. "Toda a Itália deve permanecer unida agora." Depois de alguns minutos, se vai.

 

Na vizinha L'Aquila pessoas estão há anos à espera da prometida ajuda estatal, após o devastador terremoto que a localidade enfrentou. "As pessoas lá ainda vivem em contêineres", diz um fotógrafo italiano que trabalha para revistas australianas. "Até que isso aqui fique de pé novamente, vão se passar anos, ou mesmo décadas."

 

 

Infraestrutura destruída

A estrada de acesso a Amatrice afundou com o terremoto. Em um ponto, o asfalto paira no ar sobre o precipício. Os trabalhadores das equipes de resgate têm que passar em fila indiana pelo lugar. Corajosos operadores de escavadeiras cruzam com seus veículos pesados através da passagem estreita. Ninguém sabe quanto tempo ela ainda suportará. O hospital de Amatrice também fica nessa estrada, e também foi fortemente danificado.

 

A Cruz Vermelha e os funcionários do hospital montaram um hospital de campanha ao ar livre no estacionamento do hospital. De tempos em tempos, as equipes de salvamento trazem um paciente. Mas isso ocorre raramente. Muitas vezes, só mortos ainda são retirados dos escombros. Entre as vítimas estão relativamente muitas crianças, porque passavam férias em Amatrice, considerada um dos mais belos vilarejos da Itália.

 

 

Mortos são ​​envoltos em lençóis de algodão e carregados por bombeiros pelas ruas devastadas. Na frente, um homem corre e pede às pessoas que façam um corredor de emergência. Dezenas de cinegrafistas tentam filmar a cena. Os moradores de Amatrice acompanham esse espetáculo lutando para se conter. Algumas meninas estão sentadas em frente dos escombros de sua casa. Elas parecem olhar no vazio, são cobertas com poeira. Muitas pessoas cavam com as próprias mãos, procurando desaparecidos.

 

A ajuda vai chegando vinda de toda a Itália. As estradas de acesso estão entupidas com caminhões, ambulâncias e veículos da polícia. O tráfego é caótico. Os membros das equipes de resgate também têm que ter onde se acomodar. Eles constroem seus acampamentos para poderem dormir e comer. Também foi construído um acampamento para os sem-teto. No rádio, são feitos apelos para que aqueles que ainda têm um quarto vazio concedam abrigo para uma vítima do terremoto. Nas cidades vizinhas, pessoas doam sangue. Mesmo em Roma, há pontos de recolha para doações de mantimentos.