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Será que finalmente teremos El Niño?

08/03/2015 às 08:45
por Alexandre Nascimento

Desd
e setembro de 2014 temos observado que a anomalia de temperatura da superfície do mar está acima de meio grau positivo na região central do Pacífico Equatorial (região chamada de 3.4). Essa condição indicaria a ocorrência do fenômeno El niño, se as condições atmosféricas também estivessem favoráveis. Isso porque o El Niño é um fenômeno acoplado entre oceano e atmosfera ENOS - El Niño-Oscilação Sul e, por isso, temos que também monitorar as condições atmosféricas na região do Pacífico Equatorial. Basicamente, é considerado que as condições atmosféricas estão favoráveis ao El Niño se há um enfraquecimento dos alísios (vento predominante de leste ao longo do cinturão equatorial) e aumento da chuva no Pacífico Central e Leste. Na realidade, as condições oceânicas favoráveis ao Niño forçam essas condições atmosféricas favoráveis ao mesmo fenômeno, que por sua vez forçam novamente o aquecimento do Pacífico Equatorial (é uma reação em cadeia que se retroalimenta - ou seja, o aquecimento anômalo do oceano estimula o enfraquecimento da circulação dos ventos de leste na região, que favorece com que as águas mais quentes avancem ainda mais sobre o Pacífico Central e Leste, enfraquecendo ainda mais a circulação dos ventos, etc). O IOS (Índice de Oscilação Sul - a diferença entre a pressão atmosférica ao nível do mar de Tahiti e Darwin - figura abaixo) é o indicador dessas condições atmosféricas. Ele ainda está fraco, mas já começa a dar indício que estamos entrando em uma situação atmosférica favorável à formação oficial de El Niño, ou seja, enfraquecimento dos alísios. A chuva no Pacífico Central tem aumentado nas últimas semanas. Daqui para frente, vamos ter de continuar monitorando se a pressão e precipitação em todo o Pacífico equatorial mantêm a coerência com condições de El Niño. Provavelmente, as condições oceânicas vão continuar coerentes com o fenômeno ao longo de 2015, como podemos verificar na figura abaixo que mostra a previsão de diversos centros meteorológicos espalhados pelo mundo. Em amarelo (linha mais grossa) a média dos modelos dinâmicos de previsão. Em outras palavras, podemos finalmente sair da neutralidade ao longo deste ano de 2015 e passar às condições de um El Niño. Estamos em neutralidade desde o final do primeiro trimestre de 2012, quando a La Niña que predominava na época enfraqueceu. Em geral, em anos de El Niño o que temos é chuva demais no Sul, de menos no Nordeste e no leste da Amazônia. No Sudeste e no Centro-Oeste o que nós temos como característica diz respeito apenas às temperaturas, que ficam mais altas do que a normalidade.