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Adeus big frio, depois de muitos recordes.

25/07/2009 às 20:06
por Josélia Pegorim

Vários recordes de frio foram estabelecidos neste sábado, por conta da big massa polar que ainda influencia o centro-sul do Brasil. Com o ar gelado chegando ao sul da Amazônia, Acre e parte de Rondônia registraram o amanhecer mais frio de 2009. O destaque especial vai para Rio Branco, que registrou mínima de 11,5°C e máxima de apenas 16,3°C.  Portanto, cuidado ao dizer por aí que só dá uma esfriadinha no Norte do Brasil. E Rio Branco já registrou até menos de 10°C.  São Paulo e Florianópolis bateram o recorde de tarde mais fria. Porto Alegre bateu novamente o recorde de menor mínima do ano. A capital gaúcha sai desta super massa polar com o troféu pelos 4 recordes, sucessivos, desde a última quinta-feira. Mas a máxima de 7,6°C em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, foi inédita. O centro da massa polar (a região mais fria) entrou no Rio Grande do Sul  e neste sábado começa seu deslocamento em direção ao Atlântico. Assim, a tendência daqui para frente é de elevação da temperatura. A madrugada deste domingo ainda será muito fria, realmente gelada no Sul, mas a chance de recordes já é bem menor do que hoje.  A partir de segunda-feira, o maior afastamento do centro polar e o aumento da nebulosidade vão permitir uma rápida elevação da temperatura. O ranking do frio nas capitais ficou assim. Com o afastamento do centro polar, a chance de novos recordes fica muito reduzida já neste domingo.  
Capital Menor temperatura mínima(entre parênteses, o recorde anterior) Menor temperatura máxima

(entre parênteses, o recorde anterior)

Chance de novo recorde até segunda-feira
Porto alegre 0,0°C / 25 de julho  (2,7ºC / 24 de julho, 3,9ºC/ 3 de junho) 10,3°C / 24 de julho  (10,9ºC / 23 de julho, 12,1ºC/2 de junho) não terá recordes
Florianópolis 4,8ºC / 3 de junho 14º / 25 de julho  (15º / 24 de julho, 15,4ºC / 27 de junho) não terá recordes
Curitiba -0,7ºC / 4 de junho 10,8ºC / 1 de junho não terá recordes
São Paulo 7,7ºC / 4 de junho 14,5°C /25 de julho (15,5ºC / 2 de junho) não terá recordes
Rio de Janeiro 9,8ºC / 4 de junho 21,2ºC / 20 de julho não terá recordes
Belo Horizonte 11,9ºC / 3 de junho 20,8ºC / 8 de junho não terá recordes
Vitória 14,7ºC / 14 de junho 22,0ºC / 13 de junho não terá recordes
Campo Grande 5,5°C / 25 de julho (5,8ºC / 12 de julho) 7,6ºC / 24 de julho  (16,8ºC / 17 de junho) não terá recordes
Cuiabá 9,8°C / 25 de julho (11,1ºC / 4 de junho) 15,8°C / 25 de julho (20,4ºC / 1 de junho) não terá recordes
Goiânia 9,8ºC / 3 de junho 22,8ºC / 3 de junho não terá recordes
Brasília 9,8ºC / 3 de junho 21,1ºC / 3 de junho não terá recordes
Porto Velho 13,2ºC / 11 de abril 23,4ºC / 3 de maio não terá recordes
Rio Branco 11,5°C / 25 de julho (15,3ºC / de junho) 16,3° / 25 de julho (22,8ºC / de junho) não terá recordes
  Esta fortíssima massa polar que entrou no continente sul americano provocou as mais baixas temperaturas registradas em 2009 no Brasil e também recordes de muitos anos em algumas localidades da Região Sul. As geadas foram severas no Sul, de tão intenso que foi o frio. É muito pouco provável que, até o fim do inverno de 2009, se tenha outra situação de frio tão intenso como o observado nos últimos três dias. Antes da passagem desta massa polar, as menores temperaturas observadas no Brasil foram de 5,4°C negativos em Entre Rios, no nordeste de Santa Catarina, e de 5,3°C negativos em General Carneiro, no sul do Paraná. O que se viu e se mediu de frio na Argentina, no Uruguai, no Chile, no Paraguai e em parte da Bolívia foi surpreendeu também os meteorologistas, mesmo aqueles mais experientes. As nevadas que ocorreram na Argentina entraram para história da Meteorologia da América do Sul, pela intensidade e amplitude dentro  daquele país. Nevou em províncias do extremo norte argentino, lugares muito pouco acostumados com a neve. Até a Grande Buenos Aires, onde é raro nevar e depois da histórica nevada de 2007 (que não ocorria há 89 anos), também registrou sua neve por conta desta super massa polar. Nevou em locais próximos do Paraguai! No Brasil, algumas poucas localidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul registraram o fenômeno, desta vez de forma rápida. Por tudo isto, e mais o trabalhão que deu aos meteorologistas da América do Sul, esta massa polar, sua frente fria, seu enorme ciclone extratropical ficarão guardados na memória. Frio congelante no Sul do Brasil O amanhecer deste sábado, 25 de julho, foi ainda mais congelante no Rio Grande do Sul inteiro, no centro-oeste e o sul de Santa Catarina e no oeste e no sul do Paraná. Novos  recordes de frio foram estabelecidos e com valores abaixo de zero que poucas vezes são observados, mesmo no Sul do Brasil. Confira abaixo alguns valores registrados nos últimos dois dias, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia. Esta fortíssima massa polar que entrou no centro-sul do Brasil provocou as mais baixas temperaturas registradas em 2009 no país e também recordes de muitos anos em algumas localidades da Região Sul. É muito pouco provável que, até o fim do inverno de 2009, se tenha outra situação de frio tão intenso como o observado nos últimos três dias. Antes da passagem desta massa polar, as menores temperaturas observadas no Brasil foram de 5,4°C negativos em Entre Rios, no nordeste de Santa Catarina, e de 5,3°C negativos em General Carneiro, no sul do Paraná. O ranking do frio em algumas localidades do Sul do Brasil
Cidade (Estado) Temperatura mínima
Vacaria (RS) -6,3ºC / 25 de julho
S.Joaquim (SC) -5,5ºC / 24 de julho
Bom Jesus (RS) -5,0ºC / 25 de julho
S. José dos Ausentes (RS) -5,0ºC / 25 de julho
Lages (SC) -4,2ºC / 25 de julho
General Carneiro (PR) -4,1ºC / 25 de julho
Foz do Iguaçu (PR) -4,0ºC / 25 de julho
Caxias do Sul (RS) -4,8ºC / 25 de julho
Lagoa Vermelha (RS) -3,9ºC / 25 de julho
Campos Novos (SC) -3,8ºC / 25 de julho
Caçador (SC) -3,5°C / 25 de julho
Erecehim(RS) -3,4°C / 24 de julho
Uruguaiana (RS) -3,0°C / 25 de julho
Cruz Alta (RS) -3,0°C / 24 e 25 de julho
Uruguaiana (RS) -3,0°C / 25 de julho
Passo Fundo (RS) -2,7°C / 25 de julho
Soledade (RS) -2,7ºC / 25 de julho
Curitibanos (RS) -2,7ºC / 24 de julho
Clevelândia (PR) -2,5ºC / 25 de julho
A meteorologista que escreveu este relato pede que ninguém fique enciumado, caso sua cidade não tenha sido citada nesta onda de frio. Pede também que ninguém brigue porque não participou desta massa polar, porque o frio não chegou até sua cidade. Aqui estão apenas alguns exemplos do que aconteceu no Brasil nestes últimos dias. Não há instrumentos de medição meteorológica em todos os lugares. Não há como saber de cada pedacinho de solo deste país. Vimos  neste evento o poder dos ventos, que podem ser tão fortes na alta atmosfera, que geram os "paredões", os bloqueios atmosféricos  e que, desta vez,  impediu que o frio se alastrasse mais pelo Sudeste e pelo Centro-Oeste do Brasil. Ninguém tem que ficar com ciúme porque não fez frio desta vez. Cada cantinho deste país enorme tem algo especial, tem um fenômeno especial e que outras vezes será destaque. Mas lembre-se: os meteorologistas não conseguem ver tudo e nem os supercomputadores. E mais: estamos lidando com a Atmosfera, esta capa que protege o planeta, que se transforma continuamente e às vezes de forma tão absurda e veloz, que faz qualquer previsor do tempo virar onça raivosa, se irritar porque não conseguiu antever os passos dela. Hoje, com a facilidade de comunicação pela internet, por conta de uma simples câmera de celular, os meteorologistas ficam sabendo de coisas que os aparelhos sofisticados não medem, não fotografam. Você que consulta a Climatempo, que gosta de Meteorologia, participe! Envie seu relato, sua foto do tempo. Temos o espaço reservado para isto na nossa home page e agradecemos por nos contar o que não podemos ver. Para terminar, conheça a "mãe" das massas polares e das frentes frias e dos ciclones extratropicais. Ela, rodeada de seus filhos, ainda é um grande mistério para os meteorologistas e a terra dos pinguins: dona Antártica e seu filharal. F=frente fria; C= ciclone