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Alguns dias de sol para Porto Alegre

10/08/2009 às 20:40
por Josélia Pegorim

Depo
is de três de dias chuva constante, nem sempre forte, mas sem parar, a Grande Porto Alegre sofre com alagamentos e transbordamento de rios e os prejuízos decorrentes desta situação. Em três dias a capital gaúcha recebeu uma quantidade de chuva maior do que o volume médio para todo o mês de agosto, que é de 140 milímetros. Em várias outras localidades do norte/nordeste do Rio Grande do Sul, onde estão áreas elevadas de planalto e serra, a quantidade de chuva também superou a média. O 8º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia, de Porto Alegre, divulgou na tarde desta segunda-feira a compilação da quantidade de chuva que foi observada nos últimos três dias no Rio Grande do Sul. Os totais acumulados são apenas do período entre a sexta-feira, 7 agosto, e esta segunda-feira, 10 de agosto, quando a chuva finalmente parou, com o afastamento das áreas de nuvens pesadas. Porto Alegre ainda teve chuva fraca de manhã, mas não persistente. A nebulosidade diminuiu durante a tarde e o entardecer foi com poucas nuvens e a visão aliviadora do sol.  Não deve voltar a chover até a sexta-feira. Até lá, manhãs geladas, nevoeiro, mas depois vem o sol.  Observe o mapa. RS_chuva_7a10ago2009 É impressionante, porque numa grande área do Rio Grande do Sul foram acumulados mais 100 milímetros. Os maiores valores são em Cruz Alta (Planalto), com 180,2 milímetros, em Soledade (Planalto), com 179,2 milímetros e em Porto Alegre, com 168,8 milímetros. Ainda que num período de 4 dias, estes totais seriam suficientes para causar grandes estragos em qualquer lugar. É muita água em pouco tempo. Repare que praticamente não choveu no Paraná. Em Santa Catarina, a chuva volumosa só ocorreu em áreas próximas da divisa com o Rio Grande do Sul. Esta distribuição tão diferente de quantidades de chuva mostra claramente a atuação do bloqueio atmosférico sobre o Sul do Brasil. Enquanto o ar ainda se mantinha relativamente aquecido sobre o Paraná e Santa Catarina, o Rio Grande do Sul era a “frente de batalha” entre este ar quente e o ar gelado que já estava espalhado sobre a Argentina. Uma circulação especial de ventos nos níveis médios e altos da atmosfera (baixa pressão e divergência da direção dos ventos) forçou a formação e a manutenção de nuvens carregadas sobre o Rio Grande do Sul. A instabilidade só diminuiu após o deslocamento do para o mar do centro de baia pressão atmosférica. Sul_7diasA formação da instabilidade entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina teve início na tarde e noite de quinta-feira. A expansão foi rápida e cada vez mais sobre o Rio Grande do Sul. Esta situação de bloqueio apenas enfraqueceu. Depois da chuva, o frio intenso desta terça-feira, geada e neblinas. Mas outra frente fria já está sendo esperada para o fim de semana que vem. Por enquanto, não há expectativa de chuva volumosa como aconteceu nos últimos dias, mas agora o solo, as encostas estão encharcadas e mais chuva só vai aumenta o risco de novos transbordamentos e deslizamentos de terrenos. Para quem não se lembra, o Rio Grande do Sul enfrentou um grave quadro de seca no começo do ano que resultou em racionamento de água em algumas cidades, muitos prejuízos na agricultura e centenas de cidades em situação de emergência, por conta da falta de chuva. Depois veio o frio rigoroso, por semanas, geadas fortes, situações quase inimagináveis para a maioria dos brasileiros. Para os meteorologistas, o que acontece com o tempo no Rio Grande do Sul é uma verdadeira aula prática. É ali que se vê, de verdade, real, o que está nos livros.