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Balões em Boituva (SP): o tempo avisou antes

01/11/2010 às 14:25
por Josélia Pegorim

ong>Balões ao chão em Boituva (SP): imprudência ou fatalidade? O acidente na manhã do sábado passado com balões de ar quente em Boituva, no interior de São Paulo, abriu várias questões que estão sendo discutidas pelo grande público: a previsão meteorológica, as falhas da meteorologia, a segurança do balão, o medo de voar, regras e fiscalização para este tipo de esporte. Tudo que pretende estar suspenso no ar depende de alguma forma das condições meteorológicas. Um urubu usa as correntes de ar quente ascendentes para sustentar seu vôo. Não dá para comparar a instrumentação de um balão de ar quente com a tecnologia e a diversidade de instrumentos auxiliares existentes em um avião à jato. Mas tecnicamente um balão de ar quente é também uma aeronave, a mais simples e antiga delas. Situações adversas do tempo podem derrubar um avião e um simples balão, mas a segurança de um vôo com um balão de ar quente depende tão ou mais do tempo do que um avião. É o vento que leva o balão. Subir mais alto ou descer, depende da quantidade de ar quente que está dentro do grande e colorido nylon, chamado de envelope. Hoje, um piloto pode ter à bordo um GPS e até um minicomputador. A preparação para ser um piloto de balão de ar quente exige conhecimentos de meteorologia. A experiência, ou o número de horas de voo sempre conta a favor no currículo. Mas antes de decolar, ou mesmo dias antes de realizar um vôo programado, o piloto tem vários recursos para avaliar se as condições meteorológicas estarão favoráveis ou não. A decolagem sempre pode ser abortada, na hora, por vários fatores e nem sempre por conta de problemas com a meteorologia. Muitos detalhes precisam ser vistos e revisados para garantir a segurança do piloto e de seus eventuais passageiros. No Brasil, os pilotos comerciais de balão ou de avião ou de qualquer outro tipo de aeronave têm à disposição gratuitamente, via internet, pelo celular, informações de radares meteorológicos da Aeronáutica e de outros institutos de meteorologia. Informações sobre a direção e a velocidade do vento são obtidas rapidamente. As imagens de satélite estão disponíveis a cada 15 minutos e em cores que facilitam a visualização de nuvens que poderiam ameaçar a segurança do vôo. Mesmo que o piloto não saiba interpretar todas estas informações, ele também pode dar um telefonema para os centros meteorológicos da Aeronáutica (CMA) e pedir informações detalhadas das condições do tempo. O CMA do aeroporto internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, funciona 24 horas e tem total capacidade técnica para orientar um piloto.  Mas nada é mais real do que o vento, a nuvem que se tem no local onde será o voo. Na madrugada do sábado, dia 30 de outubro, as imagens de satélite já mostravam um conjunto de nuvens muito pesadas entrando no  sul de São Paulo, um tipo de nebulosidade que causa chuva forte, raios e vento forte. Radares meteorológicos já indicavam chuva próximo a Boituva ao menos duas horas antes da decolagem, por volta das 7 horas da manhã. As condições meteorológicas desfavoráveis ao vôo eram quase transparentes e o acidente poderia ter sido evitado. 30 out 2010 - 4h30 - nuvens carregadas chegando a SP