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Bloqueio atmosférico será parcialmente rompido

22/04/2010 às 16:11
por Josélia Pegorim

Enqu
anto a população do Sudeste e do Centro-Oeste começa a reclamar do calor e do ar muito seco, o Sul do Brasil enfrenta a chuva forte. As duas situações opostas estão associadas a atuação de um mesmo sistema meteorológico, um grande sistema de alta pressão atmosférica, nos níveis mais elevados da atmosfera. Esta alta pressão é comum sobre o Brasil no decorrer do outono e é responsável pela queda dos índices de umidade do ar que vem ocorrendo no Centro-Oeste e no Sudeste. Desde o início desta semana, o centro desta alta pressão tem estado com 5940 hPa. Este número é muito grande e é uma medida da força da alta pressão. Quando o meteorologistas encontra valores de 5900 hPa nas análises da alta atmosfera, costuma ficar até feliz, porque sabe que a chuva vai diminuir ou mesmo parar.  Os ventos gerados na parte mais externa desta massa de ar seco geram um bloqueio atmosférico, uma forte barreira ao deslocamento das frentes frias, que estão ficando retidas no Sul do Brasil provocando muita chuva.

Muita chuva no Sul do Brasil

Grandes volumes de chuva foram registrados no Sul do Brasil desde a noite de segunda-feira. A chuvarada começou pelo Rio Grande do Sul, mas no feriado de 21 de abril e nesta quinta-feira caiu pesada pelo interior de Santa Catarina e cidades do oeste e sul do Paraná. Em Dionísio Cerqueira, no oeste de Santa Catarina, choveu quase 150 milímetros entre 11 horas do dia 21 de abril e 11 horas do dia 22. Quase metade da chuva caiu no fim da manhã da quinta-feira, 22. Ainda no oeste catarinense, em Novo Horizonte, choveu quase 64 milímetros entre 9 e 11 horas da manhã de quinta-feira, dia 22. O total acumulado entre 11 horas do dia 21 e 11 horas do dia 22 se aproximava de 127 milímetros. Em Irai, no noroeste do Rio Grande do Sul, foram 141 milímetros de chuva, das 9 horas de quarta até 9 horas desta quinta-feira. No sul do Paraná, o SIMEPAR também mediu 140 milímetros de chuva em Pato Branco, da meia-noite até 13h30 de quinta-feira, 22 de abril. Em Palmas choveu 143 milímetros no mesmo período.

Secura no Sudeste e no Centro-Oeste

Do outro lado, a secura. Em Brasília, a umidade relativa do ar baixou para 23% no meio da tarde desta quinta-feira, pelas medições do aeroporto local. Em São José do Rio Preto, a umidade chegou a 27% na terça e na segunda-feira. No Rio de Janeiro, em áreas mais afastadas do mar, o nível de umidade na tarde de quarta-feira baixou para 24%. Todos esses valores estão dentro da faixa do estado de atenção, pelos padrões da Organização Mundial da Saúde. A condição de atenção, por conta do ar muito seco, é definida para valores de umidade relativa entre 21% e 30%. Quando a umidade do ar fica entre 13% e 20%, entra-se na situação de alerta. Para mudar as duas situações é preciso uma grande frente fria. Nesta sexta-feira, o bloqueio causado pela massa de ar seco será parcialmente quebrado. Ainda vai chover até o sábado no Paraná e em Santa Catarina. A chuva diminui no Rio Grande do Sul e esfria bastante. São Paulo e o Mato Grosso do Sul terão um alívio da secura e do calor, por conta da passagem da frente fria. A chuva deve avançar até a cidade do Rio de Janeiro, ao sul de Minas e a zona da mata mineira, mas não se espalha pelas demais áreas do Sudeste. No centro-oeste e sul de Mato Grosso, inclusive em Cuiabá, pode chover um pouco, mas a chuva que ocorrer será rápida até o sábado.