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Cantareira: efeito enganador da chuva de fevereiro

02/03/2015 às 01:49
por Josélia Pegorim

Depois dos 28,7 mm de chuva que caíram entre os dias 27 e 28 de fevereiro de 2015, o nível de armazenamento do Sistema Cantareira subiu 0,3% e fevereiro terminou com 11,4%. No dia primeiro de fevereiro, o nível do Cantareira estava em 5,0%. Em 28 de fevereiro de 2014, o nível estava em 16,4%, mas a água era do volume normal, útil, e não do volume morto.A chuva frequente durante o mês de fevereiro de 2015 possibilitou uma grande recuperação do Cantareira. Ao longo do mês não houve nenhuma diminuição no nível de armazenamento, apenas estabilidade ou elevação.

 

O gráfico mostra o comportamento da elevação do Cantareira desde o início de 2015. A cor vermelha indica queda, o amarelo, estabilidade e o roxo representa elevação.

 

 

O nível do sistema Alto Tietê ficou estável entre os dias 27 e 28 de fevereiro e o Guarapiranga subiu 0,2%. Entre estes dois dias choveu 2,6 mm sobre o Alto Tietê, mas não houve registro de chuva sobre o Guarapiranga.

 

 

 

 

Acabou a seca?

A chuva foi frequente sobre os mananciais que abastecem a Grande São Paulo ao longo todo o mês de fevereiro de 2015. Choveu forte em vários dias. Pelas medições da Sabesp, o volume de chuva acumulado no fim do mês superou média histórica em quase todos os mananciais. Apenas o Sistema Rio Grande fechou o mês com acumulado de chuva ligeiramente abaixo da média. O Sistema Cantareira chegou ao fim de fevereiro com 322,4 mm de chuva acumulados, o que representa 62% de chuva acima da média histórica, que é de 199,1 mm. Segundo dados da Sabesp, fevereiro de 2015 foi o fevereiro com maior quantidade de chuva sobre o Cantareira desde 1995, quando choveu 388,0mm. Foi o fevereiro mais chuvoso em 20 anos.

 

 

 

Mesmo com a grande recuperação dos mananciais neste mês de fevereiro, a crise hídrica em São Paulo está muito longe de terminar. O nível de armazenamento de 11,4% do Cantareira no fim do mês paga apenas a segunda cota de água (10,7%)  retirada do volume morto das represas. No total, foram "emprestados" 29,2% de água em duas cotas. A dívida da segunda cota é de 18,5% e está começando a ser saldada.

 

Estiagem à vista

Ainda há previsão de chuva para março, mas que não deve ser tão generosa como a de fevereiro. A partir de abril, as condições para chuva vão ser reduzidas naturalmente. O número de dias sem chuva vai aumentar nos meses de outono e inverno, época de estiagem normal. Um dos problemas a partir de agora será o "efeito enganador" da chuva de fevereiro, que pode fazer com que muita gente relaxe na atitude de economizar água. O aumento do consumo acima da média estabelecida para cada contribuinte já reflete num aumento do quanto se paga no fim do mês, mas mesmo assim, a melhora do Cantareira em fevereiro poderá ter um efeito emocional negativo: gasto mais e banco a conta. Será?  A população não pode parar de economizar, não pode relaxar na economia.  O céu vai fechar de vez a torneira brevemente.

 

Previsão para o começo de março

A previsão indica mais chuva nos próximos 15 dias. A primeira sermana de março começa com pouca chuva, mas deve terminar com chuva forte. Todos os mananciais devem continuar tendo pancadas de chuva frequentes. Porém, a tendência é de que a chuva seja menos frequente após o dia 10.

 

 

 

 

 

Chuva de fevereiro deu apenas pequeno alívio na crise energética

 

Já fotografou o tempo hoje?

 

O que significa o Cantareira em 14%, nível desejado pelo governo paulista para afastar um racionamento?