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Chuva no Cantareira? Só em 2017.

16/01/2015 às 22:30
por Josélia Pegorim

O Si
stema Cantareira, maior e principal reservatório para abastecimento de água da Grande São Paulo, estava com apenas 6,1% de armazenamento na manhã de 16 de janeiro de 2015. Este percentual já considera os dois “empréstimos” de água da reserva técnica (o volume morto) acrescentados em maio e em outubro de 2014. Esta reserva nunca havia sido usada antes porque sempre foi de difícil captação e principalmente porque nunca foi preciso. A chuva sempre deu conta de manter a água num nível adequado para abastecer a Grande São Paulo. Na prática, o Cantareira tem gotas de água e parte da população da região metropolitana de São Paulo vive um racionamento desde 2014, embora não oficializado pelo governo paulista.     A maior parte da chuva anual na região geográfica em que está localizado o Sistema Cantareira acontece nos meses de verão, especialmente em dezembro, janeiro e em fevereiro. Se chove menos do que a média nestes meses, a chance de recuperação pluviométrica no restante do ano é baixa, pois entra-se no outono-inverno que são estações naturalmente com pouca ou até nenhuma chuva. Se a chuva do verão falha, é preciso esperar o verão seguinte e torcer para que a chuva volte volumosa, no mínimo dentro da média histórica.     Na escala anual, janeiro é o mês com mais fartura de chuva sobre o Cantareira. A média histórica para janeiro é de aproximadamente 260 mm. Mas nos últimos dois janeiros, choveu muito menos do que o normal. Os últimos verões ficaram devendo muita chuva.     O forte bloqueio atmosférico que reduziu muito a chuva no Brasil no verão de 2013/2014 foi gerado por anomalias de temperatura das águas dos oceanos Pacífico e Atlântico. Mas a falta de chuva nos últimos verões pode ser melhor explicada por um ciclo de anomalia de temperatura mais longo do oceano Pacífico: a ODP – oscilação decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês). A cada 20 ou 30 anos, em média, o oceano Pacífico, a maior massa de água do planeta Terra, sofre variações de temperatura ficando mais quente ou mais frio do que o normal. Estas oscilações de longo período interferem nos ventos, na chuva e na temperatura em muitas regiões do globo.     O meteorologista Alexandre Nascimento explica a relação entre a falta de chuva nos últimos anos na região onde está o Sistema Cantareira e a ODP, e aponta quando teríamos um “bom verão” de chuva, para iniciar um processo de normalização do nível do Sistema Cantareira.       Como o bloqueio da ASAS será enfraquecido? As frentes frias estão mais fracas do que o normal