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Ciclonão e cicloninho (nem sempre tamanho é documento)

18/07/2009 às 12:24
por Josélia Pegorim

Na animação abaixo é possível ver o movimento de dois ciclones extratropicais. Qualquer ciclone extratropical, como seus parentes mais famosos, os furacões, tufões e ciclones tropicais, são centros de baixa pressão atmosférica perfeitamente organizados. No Hemisfério Sul, os ventos em torno de um centro de baixa pressão giram no sentido horário. No Hemisfério Norte é o contrário. As nuvens geradas pela baixa pressão giram da mesma forma, acompanhando o movimento dos ventos. Um dos ciclones aparece girando entre o Uruguai e o Rio Gramde do Sul. O outro está no Oceano Pacífico, na costa do Chile.   2cicl_17julho2009    Repare na dimensão destes dois sistemas. O ciclone do Uruguai é pequeno, seu centro de pressão mínimo chegou a 1013 hPa na sexta-feira, no Chuí, o ponto mais sul do Brasil, no litoral sul gaúcho.  O aeroporto de Capitan Corbeta, em Maldonado, no litoral uruguaio, registrou pressão mínima de 1014 hPa, na madrugada de sexta-feira, 17 de julho. Mas por conta a formação deste pequeno sistema, Montevideu, a capital do Uruguai, e todo o litoral deste país, ficou desde o começo da madrugada de quinta-feira, 16 de julho, debaixo de chuva, frio em torno de 10°C e vento moderado constante. A maior velocidade chegou perto dos 44 km/h. No processo de formação deste ciclone extratropical, Mostardas, o ponto mais afastado da costa do litoral do Rio Grande do Sul, registrou uma rajada de vento de 87 km/h, na quinta-feira. A imagem abaixo corresponde a situação observada às 5h15 da madrugada de hoje, pelo horário de Brasília.  

2ciclones_18julho2009

O grande ciclone extratropical que está na costa do Chile tem centro de pressão estimado em 996 hPa. Seu giro é perfeito. Sua "cauda de escorpião" está completamente enrolada.  O pequeno ciclone extratropical avança em mar aberto, ao largo do Rio Grande do Sul. Em Mostardas, o vento ganhou força novamente na noite de sexta-feira, 17 de julho. Entre 21 horas de sexta e 9 horas da manhã deste sábado, 18 de julho, a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia registrou sucessivas rajadas sempre superiores a 70 km/h. Na madrugada do sábado, várias rajadas ficaram acima dos 80 km/h e uma delas chegou a 89 km/h, às 4 horas. amspr09  As projeções (previsão!) feitas por computadores neste sábado indicam que na quarta-feira, 22 de julho, o grande sistema de baixa pressão, hoje na costa sul do Chile, estará sobre Buenos Aires e Montevideu, com valor estimado em 996 hPa. Na projeção feita na sexta-feira (17) para o dia 22, o valor chegava a 994 hPa.  A diferença de 2 hPa pouco importa agora. Este enorme centro de baixa pressão terá que transpor a Cordilheira dos Andes. É preciso esperar o tempo passar. O que importa é que os meteorologistas estão de olho nele, há vários dias, e sabem que terão previsões muito difíceis para fazer na semana que vem. Não é nada simples lidar com um "mostrinho"  desses. Eles deformam completamente a circulação dos ventos.  Até a quarta-feira, tem muita hora para passar. Ele pode até enfraquecer e mudar de posição aos passar pelos Andes, mas ainda assim dará muito trabalho. É um legítimo sistema de alto inverno e junto, tem uma forte masssa polar. Tem muito frio, muito vento, neve na Cordilheira e talvez até em áreas da Argentina onde a neve é rara. Frio demais no Sul do Brasil, no Paraguai, na Bolívia, no sul do Peru, onde muitas pessoas já morreram de frio este ano. Uma possível friagem intensa em Rondônia e no Acre.  E no meio disto tudo, o vírus da gripe suína bailando por aí. Neste domingo, o pequeno ciclone extratropical se movimento no mar, afastando-se um pouco mais da costa brasileira. Mesmo assim, ventos moderados a fortes, que podem passar novamente dos 80 km/h ainda serão sentidos em mar aberto, entre Santa Catarina e o sul do Rio Janeiro. Além disso, uma grande massa de ar polar avança sobre o litoral da Argentina e também vai provocar ventos intensos na costa sul-sudeste do Brasil nas próximas 48 horas. compara_furacaocarlosE  para provar que nem sempre tamanho é documento, na terça-feira, 14 de julho, as imagens de satélite do Oceano Pacífico Leste, que banha a costa oeste dos Estados Unidos e do México, mostraram o contraste entre Carlos e Dolores. Ela, enorme, não foi além de uma tempestade tropical. Ele, pequeno, era um furacão, e ficou muito bem no lado esquerdo da fotografia.