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Cinzas do vulcão Puyehue ainda estão sobre o Sul do Brasil

10/06/2011 às 16:38
por Josélia Pegorim

O tr
áfego aéreo em parte da América do Sul vem tendo muitos problemas nos últimos dias, por conta do espalhamento de cinzas vulcânicas expelida pelo vulcão Puyehue, que entrou em erupção no sul do Chile no fim de semana passado, 4 e 5 de junho. A pluma de dejetos se espalhou sobre áreas do território da Argentina e do Uruguai, chegando também ao Sul do Brasil. O que comanda o movimento da nuvem de cinzas vulcânicas é a circulação dos ventos nos altos níveis da alta atmosfera, entre 7 e 10 quilômetros de altura. Esta semana, a direção desses ventos sobre o sul da América do Sul estiveram de tal forma que empurraram a nuvem de cinzas em direção a Buenos Aires, ao Uruguai e ao Sul do Brasil. Quando a pluma de cinzas do Puyehue chegou a Buenos Aires ainda estava muito densa e os aeroportos da cidade começaram a registrar precipitação de cinzas vulcânicas na manhã do dia 7 de junho, terça-feira passada. No dia 8, o aeroporto internacional Ezeiza não registrou cinza, mas ontem e hoje, sexta-feira, 10 de junho, a precipitação de cinzas foi persistente. Embora próxima de Buenos Aires, Montevidéu, capital do Uruguai, só começou a registrar as cinzas vulcânicas na manhã de ontem e nesta sexta-feira, a quantidade de cinzas aumentou e ficou depositada sobre a superfície. Em Bagé, cidade gaúcha na fronteira com o Uruguai, houve depósito de cinzas sobre a superfície na tarde de ontem, como foi registrado nas observações diárias do aeroporto local. Mesmo sem o registro de precipitação e depósito no chão, as cinzas vulcânicas se espalharam por outras áreas do Sul do Brasil, mas apenas em níveis médios e altos da atmosfera, atingindo o nível de vôo dos jatos. Isto é ainda um grande problema para aviação e põe em risco a aeronave e seus ocupantes. A nuvem de cinzas vulcânicas é uma nuvem de poeira, que pode ser sugada pela turbina dos jatos e comprometer seriamente seu funcionamento. As turbinas podem até pegar fogo. Essa nuvem de poeira vulcânica também pode se depositar sobre o vidro da cabine de comando, causando grave obstrução da visibilidade. A presença dessa nuvem se cinzas sobre o Sul do Brasil fez com que várias companhias aéreas cancelassem os vôos, causando grandes transtornos para os usuários, além de prejuízos financeiros para os aeroportos e para as próprias companhias aéreas. A seqüência de mapas abaixo mostra a previsão de onde a nuvem de cinzas estará até a noite desta sexta-feira. Este tipo de análise é feita por supercomputadores usando modelos de simulação atmosférica. O primeiro mapa corresponde a situação observada “real” às 5h45 UTC, 2h45, pelo horário de Brasília. O segundo mapa mostra a posição da nuvem em 12 UTC, 9 horas da manhã, hora de Brasília. O terceiro mapa mostra a situação às 18 UTC, 15 horas, indicando que a nuvem de cinzas chega até Curitiba. No último mapa, das 00 UTC de 11 de junho, ou 21 horas desta sexta-feira, 10 de junho, mostra que a nuvem de cinzas deve sofrer um deslocamento, recuando para sul e se afastando de Curitiba, mas ainda influenciando áreas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.