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Instabilidade forte no litoral do ES e RJ. Ciclone na costa sul do BR.

07/03/2010 às 22:31
por Josélia Pegorim

Nos
últimos dias alguns meios de comunicação falaram sobre a possível formação de um ciclone na costa do Sudeste e outro no litoral da Região Sul do Brasil. As duas notícias geraram muita preocupação e com razão. A Climatempo alertou em seus destaques sobre a formação do ciclone na costa sul do país, mas a equipe de meteorologistas não achou consistente a formação do ciclone na costa sudeste. O que se tem real neste domingo?  Nada melhor do que as imagens de satélite para mostrar o que realmente o que está acontecendo na costa brasileira. Um ciclone é um sistema de baixa pressão atmosférica onde os ventos fazem um movimento circular. No Hemisfério Sul, este giro ocorre no sentido horário, igual ao dos ponteiros do relógio. Abaixo mostramos apenas uma única imagem de satélite,  onde não é possível ver o giro das nuvens entre Santa Catarina e o sul de São Paulo, que acompanha o movimento dos ventos do ciclone em formação.  Este movimento só pode ser percebido por uma sequência de imagens.  Mas isto poderá ser visto claramente na seção satélite, do site da Climatempo. Ao mesmo tempo, note a grande quantidade de nuvens pesadas que cresce em alto-mar, ao largo da costa Sudeste, em particular entre o Rio de Janeiro  e o Espírito Santo. A cor vermelha indica uma forte atividade convectiva. São nuvens de grande extensão vertical, associadas com chuva forte e eventualmente ventos fortes. A convecção foi estimulada também por condições particulares de ventos nos altos níveis da atmosfera. Estas nuvens devem continuar se formando ao largo do litoral da Região Sudeste, pelo menos por mais dois dias, mas não devem gerar um ciclone. Veja na seção satélite a animação das imagens e note que essa massa de nuvens não se movimenta de forma circular.  Porém, a presença destas nuvens indica uma atmosfera muito instável, favorável a ocorrência de chuva. A proximidade destes sistemas do Rio de Janeiro e do Espírito Santo facilita a ocorrência de pancadas de chuva em parte destes estados, que podem ser fortes. As nuvens do tipo cumulonimbus podem ser formar em várias áreas dos dois Estados e é comum provocarem chuvas volumosas e ventos fortes. Mas isto não quer dizer que um ciclone estará atuando nestes Estados. Já na costa sul do Brasil, as condições atmosféricas em níveis elevados da atmosfera estão favoráveis a formação de um ciclone extratropical. O movimento das nuvens é claro na sequência de imagens de satélite.  As análises dos campos de pressão atmosférica indicam a formação de uma área de baixa pressão "fechada". Isto quer dizer que os ventos fazem o giro completo, em 360°, no sentido horário. A baixa pressão "fechada" ocorre em diversos níveis da atmosfera.  Nas simulações matemáticas obtidas neste domingo, o modelo atmosférico global MRF  indicava um valor mínimo de pressão de até 1006 hPa, até a quinta-feira, entre o litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Este valor de pressão é baixo, mas já foram observados centros de baixa pressão muito mais baixos, muito mais intensos do que este na costa sul e sudeste do Brasil. Tecnicamente, este centro de baixa pressão é fraco. Valores abaixo de 1000Hpa, ou menores, são realmente preocupantes e já foram constatados muitas vezes no litoral da Região Sul e até sobre o Rio Grande do Sul. Veja a animação no link abaixo: http://www.climatempo.com.br/satelite.php A área de baixa pressão atmosférica deve permanecer semiestacionária entre os dois Estados por quase toda a semana, afastando-se mesmo para alto-mar só a partir da sexta-feira. Por isso, até lá, alerta-se para fortes rajadas de vento no litoral da Região Sul do Brasil, estimadas entre 50 e 70 km/h.  Estes ventos poderão acontecer especialmente em alto-mar. O mar tende a ficar agitado, mas como a área de baixa pressão fica perto do continente, não se espera grande elevação das ondas. Para que houvesse um grande aumento da altura das ondas seria preciso um "caminho livre" de ventos constantes do quadrante sul, por alguns dias. É numa situação assim que normalmente ocorre o empilhamento do mar e elevação das ondas.  Mas alerta-se que a navegação poderá ser perigosa. Por conta da proximidade da área de baixa pressão atmosférica, localidades nas serras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a Grande Porto Alegre, o vale do Itajaí (SC), a Grande Curitiba, o litoral do Paraná e até o sul de São Paulo poderão ter algumas rajadas de vento, moderadas a fortes, nos próximos dias, mas que em geral, não devem superar os 60 km/h. Em localidades elevadas, como serras, o próprio relevo ajuda a aumentar a intensidade dos ventos. A equipe de meteorologistas da Climatempo estará acompanhando atentamente esta condição meteorológica especial, tanto na costa sul como na costa do sudeste, e emitirá alertas na sua página principal caso seja necessário.