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Nordeste: chuva de junho supera a média em 5 capitais

23/06/2010 às 18:32
por Josélia Pegorim

A ch
uva na costa leste do Nordeste tende a aumentar nos próximos dias. Outra frente fria está avançando pelo litoral da Bahia e até o domingo, a região entre Salvador e Recife volta a ter pancadas de chuva freqüentes. Não há expectativa de chuvas tão intensas como as que ocorreram na semana passada em Pernambuco e em Alagoas, mas na situação atual, qualquer chuva a mais vai agravar a situação da população. O gráfico abaixo mostra a comparação entre a chuva acumulada em junho e a média normal para o mês nas capitais do Nordeste neste mês de junho. Maceió e Recife se destacam pelo excesso de chuva. Salvador, pela quantidade de chuva muito abaixo da média. Por que choveu tanto em Maceió e em Recife? Primeiro é preciso considerar que os meses de abril, maio,  junho e julho são normalmente os mais chuvosos na costa leste do Nordeste.  As frentes frias começam a entrar com mais força sobre o Brasil e algumas alcançam a costa leste do Nordeste. Em geral, é comum as frentes frias influenciarem a região de Salvador e Aracaju. Mas para chegar a Recife e a João Pessoa, já é uma frente fria realmente especial. Mais ainda se chegar a  Natal. Além de frentes frias, um dos sistemas comuns desta época são as ondas de leste. São áreas de nuvens pesadas que crescem no mar e avançam para a costa, provocando chuvas volumosas até por mais 24 horas seguidas. Este ano, desde o início de abril, várias frentes frias fortes avançaram sobre o Brasil e quase todas chegaram ao Nordeste. As frentes frias de abril causaram chuvas volumosas no Recôncavo Baiano , no litoral norte da Bahia e em Sergipe. A quantidade de chuva acumulada nas capitais destes estados em abril ficou muito acima do normal. Em Salvador, abril terminou com 40% de chuva acima da média. Aracaju recebeu 50% de chuva a mais do que o normal. As imagens abaixo mostram as áreas de instabilidade que se formaram entre a Bahia e Sergipe, por conta de frentes frias de abril. As frentes frias do fim de maio e de junho, alcançaram Recife. A última delas,  por volta do dia 17 de junho, na última semana do outono, tecnicamente chegou a Natal, o que poucas vezes é observado. Estes sistemas provocaram grandes volumes de chuva em Maceió, Recife e João Pessoa, além de outras localidades da zona da mata e do agreste entre Alagoas e a Paraíba. A passagem destas várias frentes frias, levando ar polar para o Nordeste, intensificando os ventos marítimos, criou condições meteorológicas favoráveis a formação de grandes e persistentes áreas de chuva entre o litoral leste do Nordeste e as áreas mais elevadas do Agreste. A imagem abaixo exemplifica as nuvens pesadas que cresceram na costa leste do Nordeste, por conta de uma destas frentes frias.  Em Maceió, entre os dias 2 e 5 de junho choveu 270 milímetros, o que corresponde a quase toda a chuva que normalmente cai durante todo o mês. A média de chuva em junho é de 298 milímetros. Só entre os dias 4 e 5 de junho choveu perto de 188 milímetros sobre a capital alagoana. Todos os dados são do Instituto Nacional de Meteorologia. A última frente fria forte que avançou para a costa leste do Nordeste, atuando a partir do dia 13 de junho, associada com as nuvens de uma onda de leste, despejaram uma quantidade de chuva fenomenal sobre a Grande Recife, cidades da zona da mata e do agreste pernambucano. Segundo o Inmet, a região do Curado acumulou perto de 348 milímetros de chuva entre os dias 15 e 18 de junho.  Isto é quase toda a chuva de junho em Recife. A média para junho é de aproximadamente de 390 milímetros. Em localidades do Agreste pernambucano choveu em 1 dia mais do que deveria chover o mês todo. A imagem abaixo mostra o início das áreas de instabilidade que se formaram neste último evento na costa leste do Nordeste.