Climatempo

Climatempo Meteorologia

Obter
publicidade

Nova Friburgo: a chuva de 1 ano caiu em 2 meses e meio

16/01/2011 às 09:38
por Josélia Pegorim

Atualizado 30/11/2016 às 14:33

O excesso de chuva tem uma grande dose de culpa pela tragédia na região serrana do Estado do Rio de Janeiro neste início de 2011. A cidade mais devastada pela fúria das águas foi Nova Friburgo e os números não deixam dúvida do que é e o que pode fazer uma quantidade de chuva muito acima do normal.

A “suíça brasileira”, como é também conhecida Nova Friburgo no meio turístico, recebeu em 2 meses e meio o volume de chuva equivalente a 1 ano. A média anual de chuva em Nova Friburgo é de aproximadamente 1246 milímetros, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia. O volume de chuva acumulado em novembro e em dezembro de 2010, mais o da primeira quinzena de janeiro de 2011 totalizou quase 1220 milímetros. A estação meteorológica automática operada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) continuava registrando os dados da chuva até manhã do domingo, 16 de janeiro, apesar da situação caótica da cidade. Entre 1 e 15 de janeiro choveu aproximadamente 400 milímetros, 110% acima da média normal que é próxima de 209 milímetros.

 

A imagem de satélite mostra a presença de muitas nuvens sobre o Rio de Janeiro no dia 12/01/2011

 

 

A gota d´água

A chuva desta última semana foi como a gota d´água que faltava para o início dos desmoronamentos e da tragédia, pois já havia chovido muito acima da média nos dois meses anteriores. Em dezembro de 2010, Nova Friburgo recebeu em torno de 420 milímetros de chuva, 75% acima da média que é de aproximadamente 239 milímetros. Em novembro de 2010 choveu em torno de 360 milímetros, 113% acima da média que é próxima de 169 milímetros. Em novembro de 2010 e em 15 de janeiro de 2011, choveu mais que o dobro do normal. 

Quando grande temporal caiu, entre a noite do dia 10 e no decorrer do dia 11 de janeiro, as montanhas e os rios, dentro e no entorno de Nova Friburgo, já estavam quase que completamente saturados. A terra não conseguia mais absorver a água da chuva e começou a formar um rio de lama. A terra não despencava mais em blocos compactos, mas escorria, mole, sem controle, avançando sobre a cidade muito além do que conseguiria naturalmente, se não estivesse tão saturada de água. Em outras áreas da região serrana do Rio de Janeiro, a quantidade de milímetros muda, mas o resultado foi semelhante.