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Primavera 2011 dentro das condições normais/ Chuva deve retornar no período certo

15/09/2011 às 19:09
por Josélia Pegorim

Prim
avera pode ser traduzida como o "primeiro verão". O verão é a estação da chuvarada na maioria das áreas do Brasil. A primavera é a estação do reinício da chuva, depois da longa estiagem do outono/inverno. Confira a tendência climática para cada Região do Brasil, na análise da equipe de previsão Climática da Climatempo. A primavera começa oficialmente no dia 23 de setembro, às 6h04, pelo horário de Brasília. Mas as pancadas de chuva que ocorreram esta semana em Mato Grosso, Goiás, no norte de São Paulo e no Triângulo Mineiro, até no sudeste do Pará, foram como um início extra-oficial da estação.

Primavera deve ser normal este ano

Chuva deve retornar no período certo em 2011

O retorno da chuva no Brasil Central está diretamente ligado ao retorno do fluxo de ar quente e úmido das áreas tropicais para o restante do Brasil. Durante o inverno, a maior parte da circulação atmosférica é de sul e os ventos trazem as massas mais frias e mais secas oriundas dos pólos para as regiões subtropicais.  No inverno, em nacional, chove pouco no Paraná, no Sudeste, no Centro-Oeste e em parte do Norte e do Nordeste. Ao longo da primavera, o fluxo vai mudando de direção e a tendência é do calor e da ar-umido que vem dos trópicos se espalharem pelo restante do país. As primeiras pancadas de chuva formadas por esse calor e alta ar-umido. As pancadas ficam mais fortes e freqüentes à medida que nos aproximamos do verão. Durante este inverno, vamos acompanhando o comportamento da temperatura da superfície do mar (TSM) no Atlântico Norte, perto da costa da América do Sul e Central. Quanto mais quente, melhor a probabilidade do fluxo de ar quente e úmido chegar no tempo certo e as pancadas de chuva retornar no período correto. Neste ano, tudo está favorável. A TSM média no último mês (mapa abaixo) evidenciou que as águas estão bem mais quentes do que o normal ao longo da costa norte da América do Sul e Central. A flecha indica como o fluxo quente e úmido “desce” pelo Brasil e isso vai favorecer o aumento das condições para ocorrência das pancadas de chuva ao longo da primavera. Analisando a TSM no Pacífico Equatorial vemos uma mancha em azul. Essa anomalia negativa de temperatura está crescendo e isso quer dizer que a La Niña volta nos próximos meses. No entanto, por enquanto há normalidade e os efeitos desta nova La Niña só devem aparecer no verão de 2012. Veja mais detalhes da previsão para os próximos meses de primavera.

Outubro

  • Na Região Sul, apesar da passagem de muitas frentes frias, apenas o Rio Grande do Sul apresenta chuva acima da média. As muitas frentes frias, embora rápidas, podem provocar vento forte em todo o Rio Grande do Sul e no leste de Santa Catarina e do Paraná. Na primeira semana a passagem de uma forte massa de ar polar derruba a temperatura e pode gear nas Serras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
  • No Sudeste a chuva fica acima da média histórica em Minas Gerais, no norte do Espírito Santo, no Rio de Janeiro e no extremo norte de São Paulo por conta das frentes frias que se deslocam durante a segunda quinzena do mês. A chuva mais intensa fica no norte mineiro, com volumes maiores que 200 mm.
  • No Centro-Oeste as frentes frias e o calor da Amazônia resultam em chuva significativa em Goiás e em Mato Grosso. No sul do Mato Grosso do Sul, no entanto, deve chover menos que o normal.
  • No Nordeste a chegada de duas frentes frias na segunda quinzena do mês favorece a chuva na Bahia, em Sergipe, no Piauí e no Maranhão. Em Salvador deve chover mais do que o normal. Nas outras áreas da Região a chuva fica um pouco abaixo da média, e a seca nas áreas sertanejas persiste por mais um mês.
  • No Norte chove pouco na maior parte da Região, o que é normal, mas com valores abaixo da média no Amazonas, em Roraima, no Acre e no centro-sul do Pará. Em Rondônia, no Tocantins e no sudeste do Pará, as chuvas são favorecidas por frentes frias que se deslocam até as Regiões Nordeste.
    • Na Região Sul a chuva é ocasionada pela atuação de frentes frias. Deve chover mais que a média histórica no norte do Rio Grande do Sul e no leste de Santa Catarina e do Paraná. Muitas pancadas de chuva vêm acompanhadas por ventania e até granizo.

Novembro

  • No Sudeste as frentes frias são intensificadas pela ar-umido e calor que predominam na Região. O total acumulado fica acima da média em quase todas as áreas, com exceção do centro-oeste de São Paulo, que tem chuva irregular e fica um pouco mais seco que o normal. O nacional para o excesso de chuva fica no nordeste mineiro.
  • No Centro-Oeste chove pouco em grande parte de Mato Grosso e norte de Goiás, onde o total acumulado fica abaixo da média. Nas outras áreas a chuva fica entre normal e ligeiramente acima da média histórica.
  • No Nordeste chove pouco normalmente nesta época do ano. Mas este mês de novembro tende a ser mais úmido que o normal no sul e no leste da Região, com a atuação de uma frente fria. No norte do Maranhão também chove um pouco mais que o normal, com a formação de linhas de instabilidade na segunda quinzena do mês.
  • No Norte a chuva é mais intensa na porção norte da Região, com a formação de muitas áreas de instabilidade. Em Macapá, Belém e Manaus o total acumulado pode ser até 50% maior que a média. Já na parte sul da Região as pancadas de chuva são menos freqüentes que o normal e o total acumulado fica abaixo do normal.
    • Na Região Sul, há predominância de chuva acima do normal, com a passagem de várias frentes frias, que além da chuva forte, devem provocar precipitação de granizo e ventania, principalmente no Rio Grande do Sul. Na primeira quinzena do mês a chuva é muito irregular e faz calor na maior parte das cidades.

Dezembro

  • No Sudeste a chuva fica mais concentrada em Minas Gerais, no norte e no oeste de São Paulo e no Espírito Santo, devido à atuação de um episódio de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) ao longo da segunda semana do mês. No final do mês uma forte frente fria favorece a formação de muitas áreas de instabilidade que provocam temporais e ventos fortes no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais.
  • No Centro-Oeste a ocorrência da ZCAS na segunda semana do mês deve causar chuva forte no norte de Mato Grosso e no sudoeste de Goiás. Na última semana do mês espera-se pela formação de fortes áreas de instabilidade que provocam chuva intensa e ventania em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. No norte de Goiás, a chuva deve ser irregular.
  • No Nordeste o ar quente e seco predomina e chove pouco no Ceará, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte, na Paraíba e no nordeste da Bahia. Áreas de instabilidade causam chuva acima da média no interior do Ceará, em Alagoas, em Sergipe e no sul da Bahia.
  • No Norte o ar mais quente e mais seco que o normal predomina no leste de Roraima e do Amazonas, no centro-sul do Pará e no Tocantins, onde a chuva fica abaixo da média histórica. As demais regiões contam com a formação de áreas de instabilidade que deixam o total acumulado normal a acima da média.