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Rodízio de água será a próxima opção para São Paulo?

06/02/2015 às 16:40
por Redação

Por Maira Di Giamo

A população da Região Sudeste está cada vez mais preocupada com os efeitos da forte crise hídrica que atinge o país e cobra dos governantes atitudes rápidas para evitar que a situação se agrave.  Na Região Metropolitana de São Paulo já existem relatos de falta d’água em todos os cantos da região. A macrometrópole paulista representa 23% do PIB Brasileiro. Todo o comércio, as indústrias, a agricultura e a própria população aguardam medidas do Estado e temem por um rodízio ou racionamento.

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Na manhã desta sexta-feira (6), a Federação de Comércio do Estado de São Paulo convidou o novo Presidente da Sabesp Jerson Kelman, e o Secretário de Recursos Hídricos de São Paulo, Benedito Braga, para discutir a crise e apresentar planos de contingência. Jerson Kelman não pode comparecer. Benedito Braga fez uma apresentação onde enumerou quais as soluções já tomadas pelo governo e pela SABESP para evitar o desabastecimento.

Dentre elas estão: - A transferência de água entre os sistemas -O programa de bônus, que permitia uma redução na conta daqueles que economizassem água. [Essa medida possibilitou a redução de 4,1m³/s de água] -A intensificação do combate às perdas ou vazamentos. [Possibilitou uma redução de 10m³/s de água] -Uso do volume morto do Sistema Cantareira

Apenas essas medidas não serão suficientes para conter a crise que, de acordo com os meteorologistas, deve só piorar daqui para frente. O mês de Janeiro fechou com chuvas abaixo da média histórica para o período, e mesmo que chova dentro do normal em fevereiro e março, não teremos o suficiente para elevar satisfatoriamente o nível dos reservatórios. No período mais seco entre maio e setembro, a média de chuva já é baixa, e se não forem tomadas medidas rápidas, algumas das nossas represas podem secar.

O secretário Benedito Braga também falou sobre ações que devem ser tomadas a curto prazo e reforça que é primordial que haja uma redução no consumo. Braga reforçou que para o consumo urbano é preciso ampliar as campanhas de conscientização e ensinar a população meios eficientes de economia de água. Além disso, as multas devem ser aplicadas como um ônus para  aqueles que desperdiçam.  Já as indústrias deverão investir em tratamentos de reuso da água.

Ainda de acordo com Braga, em 2015 algumas obras emergenciais serão realizadas para transferir água para o Sistema Alto Tietê/Rio Claro e Guarapiranga/Billings.  Entre 2016 e 2018 mais obras devem ser realizadas para reforçar a segurança hídrica dos reservatórios já existentes.

Atualmente a estratégia da SABESP é reduzir a pressão na distribuição de água. Porém, existe um limite até onde se pode reduzir a pressão para garantir o abastecimento de todas as residências. "Em uma situação em que a redução de pressão não for capaz, a próxima opção é o sistema de rodízio. Agora, se vai ser implementado amanhã ou depois, não sei. Nós estamos estudando. Nós temos de estar preparados para uma situação difícil", afirmou Benedito Braga.

A meteorologista Bianca Lobo fala da atual situação do Sistema Cantareira e dá a projeção do que pode acontecer, caso as chuvas continuem  abaixo da média histórica:

Veja também:

Usar ou não a água da Billings?