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São Paulo: chuva de julho de 2009 é recorde

25/07/2009 às 11:42
por Josélia Pegorim

A ci
dade de São Paulo está há mais de 48 horas debaixo de chuva. Não houve nenhum temporal assustador, mas a chuva cai sem parar, fraca a moderada. O resultado é um grande acumulado, como se fosse um temporal em pouco tempo, que ontem já causou até alagamentos em algumas áreas da capital. De acordo com as medições do Inmet - Instituto Nacional de Meteorologia - só entre 9 horas de sexta e 9 horas deste sábado choveu 44,6 milímetros. É uma quantidade de chuva muito alta para julho e acima da média normal para o mês, que é de aproximadamente 40 milímetros.   Somando toda a chuva que foi acumulada entre 9 horas do dia primeiro de julho até 9 horas da manhã deste sábado, 25, o total chega a impressionantes 150,8 milímetros.  Segundo o levantamento obtido junto ao Inmet, este valor é o segundo maior para um mês de julho desde 1976, quando o acumulado chegou a 153 milímetros.  Este valor será superado só com a chuva que será acumulada até o começo da manhã do domingo. Se considerarmos que as condições de chuva na cidade de São Paulo ainda são muito altas até pelo menos a quinta-feira que vem, dia 30,  julho de 2009 vai terminar como o julho mais chuvoso da história de medições do Mirante de Santana.   O tempo chuvoso está sendo observado em praticamente todas as áreas do Estado de São Paulo.  Na quarta-feira, a chuva da frente fria se concentrou na divisa com o Paraná, mas desde quinta-feira a chuva se espalhou de forma generalizada sobre o Estado. Assim, os volumes acumulados nas últimas 48 horas são muito altos e acima do que normalmente é observado nesta época do ano. O mês de julho é tradicionalmente de seca no Estado de São Paulo.  A chuva é rara e pouca. A maioria das cidades do interior paulista podem passar até duas semanas inteiras sem sentir uma gotinha de chuva.  Como se não bastasse os incômodos causados por tanta chuva no mês de férias escolares, o excesso de umidade vem atrapalhando e atrasando as colheitas de café e de cana-de-açúcar que normalmente atingem o auge em julho.   chuvamirantejulho   A chuva de Julho de 2009  na cidade de São Paulo ganha ainda mais destaque, se compararmos com o que ocorreu o ano passado. Foi o oposto! De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, não choveu nem um dia! Na verdade, não houve nenhum acumulado de chuva no local de medição. Em alguns dias de julho de 2008 choveu fraquinho, em algumas áreas da capital paulista. Mas no Mirante de Santana, se choveu, foi tão leve e pouco que a quantidade não pode ser registrada. Para a referência histórica,  o total de chuva em julho de 2008 no Mirante de Santana foi zero. Foi a primeira vez que isto ocorreu desde 1943, quando as medições começaram no Mirante de Santana, na zona norte da cidade de São Paulo. Neste fim de semana, as nuvens carregadas de uma frente fria ainda estão bloqueadas sobre o Estado de São Paulo. Chove de forma generalizada pelo litoral e também por quase todo o interior. A instabilidade enfraquece no norte do Estado a partir deste domingo, mas as outras áreas paulistas ainda terão que conviver com chuvas frequentes nos próximos dias, com chance de períodos com sol também na capital. Mas a Grande São Paulo terá poucas horas de sol e o ar vai ficar só menos gelado. A umidade alta vai continuar incomodando.  Além da chuva constante, os paulistas sentem a presença de uma forte massa polar. Na capital, temperatura às 7 horas estava em torno de 12C.  Ontem, os paulistanos já conviveram com chuva e temperaturas de 12C a 14C. O dia segue gelado e hoje São Paulo terá certamente a tarde mais fria de 2009. Outra situação que vem sendo muito comentada, desde que esta massa polar muito forte entrou no Brasil, é que o frio não chegou a São Paulo tão forte como no Sul do país ou em junho, e também que este ar polar não está conseguindo entrar em Belo Horizonte, na região de Goiânia e de Brasília. Que passa? A massa polar é a mais forte deste ano e forçou um contraste de temperatura e de pressão atmosférica extremamente forte sobre o Brasil. Este contraste acelerou os ventos nos níveis superiores da atmosfera, pouco acima de 10 km de altura. Os ventos mais intensos atuam como uma barreira natural, que impedem o maior deslocamento do ar polar para outras áreas do Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil. Estes ventos intensos são o que os meteorologistas chamam de corrente de jato.  É impressionante, revoltante para alguns, mas é assim que a atmosfera funciona. Os meteorologistas analisam ventos, pressão e temperaturas em vários níveis da atmosfera para concluir sobre as condições do tempo no futuro.   bloqueio_25julho2009    O ar polar entrou em São Paulo, mas a presença dos ventos muitos fortes, as mudaças rápidas de direção e de velocidade, em áreas relativamente pequenas da atmosfera, está mantendo a formação das nuvens carregadas sobre São Paulo que mal conseguem chegar ao Triângulo Mineiro, por exemplo. O que chega de ar polar a Belo Horizonte, ao Triângulo, mesmo ao sul de Goiás é muito pouco, suave, se comparado ao que resfriamento intenso que ocorreu em Mato Grosso do Sul e no Sul do Brasil. Mesmo na Região Sul nota-se uma diferença muito acentuada de resfriamento. A nebulosidade persistente sobre o norte e o leste do Paraná impediu que queda de temperatura fosse maior. Se não  houvesse esta nebulosidade para "frear" o resfriamento natural do ar durante a noite, a região de Curitiba, por exemplo, teria tido temperaturas muito mais baixas do que as observadas nos últimos dois dias.  A menor mínima deste ano é de 0,7C negativos. O Rio Grande do Sul e as áreas ao sul e oeste de Santa Catarina sentiram o resfriamento do centro da massa polar. É a região mais gelado de uma massa polar e passou sobre o Rio Grande do Sul. O resultado: temperatura negativa na manhã deste sábado e novo recorde para Porto Alegre em 2009. A capital gaúcha  vai sair desta big massa polar com o maior número de recordes.  Porto Alegre já teve temperaturas negativas outras vezes, mas a temperatura máxima baixíssima de 7,6C (8,6C na medição da estação automática) que ocorreu ontem em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, nunca havia sido registrada antes, até onde se apurou até o momento, desde 1961.