Climatempo

Climatempo Meteorologia

Obter
publicidade

São Paulo seca e com excesso de ozônio

05/05/2011 às 16:23
por Josélia Pegorim

O ar
em São Paulo ficou bem mais seco de ontem para hoje. Às 15 horas, a umidade relativa do ar baixou para 36% na região do aeroporto de Congonhas, na zona sul da cidade. Ontem, o menor nível de umidade neste local foi de 49%. O índice de umidade mais baixo nos últimos 15 dias na região de Congonhas foi de 30%, na tarde do último sábado, 30 de abril. No Campo de Marte, na zona norte da capital paulista, a umidade relativa do ar chegou aos 32%, por volta das 14 horas desta quinta-feira, e foi o índice mais baixo desde o dia 21 de abril. Às 15 horas, o nível de umidade era de 36%. Esta grande diminuição dos níveis de umidade está relacionada com a passagem de uma forte massa de ar polar sobre São Paulo, que provocou as baixas temperaturas dos últimos dias. Por conta desta massa polar, ontem a capital paulista registrou a menor  temperatura de 2011 até agora. Na zona norte, o Instituto Nacional de Meteorologia registrou uma temperatura mínima de 12,7ºC no Mirante de Santana.  Na zona sul, temperatura mínima ontem foi de 11,1ºC na estação meteorológica da USP, em frente do Zoológico, e também foi a menor de 2011. O ar polar é naturalmente seco e sempre que passa por uma região provoca a queda dos níveis de umidade e da temperatura.  A redução da umidade fez com que a cidade de São Paulo ficasse quase sem nuvens e sem risco de chuva, proporcionando aos paulistanos uma bela tarde de sol e céu azul, como aconteceu ontem também. Sol X Ozônio Enquanto os paulistanos curtem o sol, o céu azul e as agradáveis temperaturas do outono, ao mesmo tempo acontece uma silenciosa, inodora e invisível conspiração no ar. Dias ensolarados como ontem e hoje geram excesso de ozônio no ar. O ozônio é o principal produto de reações fotoquímicas que acontecem entre compostos orgânicos voláteis, que são liberados na queima incompleta e na evaporação de combustíveis e solventes, e os óxidos de nitrogênio (NOx). Estes gases estão no ar que respiramos normalmente na cidade de São Paulo e quando expostos a muitas horas de sol, como tivemos nos últimos dias, liberam moléculas de oxigênio que se juntam para formar o ozônio, que é a combinação de três moléculas de oxigênio. Este excesso de ozônio acontece na camada de ar próxima ao chão, que é a que o ser humano respira e por isso se torna um poluente que prejudica a saúde. Uma das reações negativas mais comuns causadas pelo excesso de ozônio é a ardência nos olhos e o cansaço. A camada de ozônio que existe naturalmente em níveis elevados da atmosfera é a proteção natural do planeta contra o excesso de radiação ultravioleta. e não prejudica a saúde. Na tarde de ontem, a Cetesb avaliou como má a qualidade do ar na região do IPEN, na USP, zona oeste da cidade de São Paulo, por conta do excesso de ozônio. No Ibirapuera, em Itaquera e no Parque Dom Pedro, a qualidade do ar foi considerada inadequada, porque a quantidade de ozônio no ar também estava acima dos níveis máximos permitidos pela legislação ambiental. Na Grande São Paulo, o excesso de ozônio for registrado em São Caetano do Sul e a qualidade do ar por lá também foi considerada inadequada. A situação de hoje pode ser considerada igual ou pior, pois as condições meteorológicas não mudaram. Frente fria traz um pouco de umidade Nesta sexta-feira, uma nova frente fria deve passar pelo litoral de São Paulo e mudar a direção dos ventos no decorrer do dia. Os ventos marítimos devem voltar a soprar em direção à capital paulista trazendo um pouco de umidade. Assim, algumas nuvens devem voltar a se formar, tirando um pouco o espaço do sol. Mas o sol ainda deve ganhar das nuvens e não há expectativa de chuva. Mesmo com este aumento de umidade, a qualidade do ar nesta sexta-feira ainda poderá ficar inadequada em várias áreas da capital. Ardência nos olhos, pele ressecada, garganta seca, tosses secas, rinites e os ataques de todo o tipo de “ites”, cabelo arrepiado, choque em contato com alguma coisa de metal, são problemas que aparecem ou aumentam nos dias secos do outono/inverno. A massa de ar polar que trouxe o frio para São Paulo nesta primeira semana de maio foi o primeiro sistema forte e de grande extensão a entrar no Brasil. O frio chegou até ao Acre. Mas foi só a primeira e muitas outras passarão pela Grande São Paulo até o início da primavera. Não há expectativa de chuva ma Grande São Paulo até o domingo. Para chover, será preciso esperar por outra frente fria, mais forte, que só virá na segunda-feira.