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Seca continua/La Niña vem aí

09/08/2010 às 13:40
por Josélia Pegorim

Agos
to é considerado o auge da seca do inverno no Brasil. Falta de chuva, umidade do ar muito baixa e fumaça no ar, por conta do aumento das queimadas, são problemas comuns em muitas áreas de todas as Regiões do país. O outono/inverno de 2010 está sendo com características muito diferentes do ano passado, na maioria das áreas do Brasil. O inverno de 2009, em média, passou sem eventos notáveis de secura do ar e sem grandes problemas com focos de fogo. Estes eventos aconteceram, mas em quantidade muito menor do que se observa este ano. De um ano para outro, a diferença é a chuva. No inverno do ano passado, ainda que pouco e de forma esporádica, choveu em regiões do país normalmente acostumadas a passar três meses ou mais sem ver nenhuma gota de água caindo do céu. Este ano, como é o mais comum, a chuva começou a rarear em maio. De lá para cá, o ar e a vegeteção foram ficando cada vez mais secos. No fim de semana, os níveis de umidade do ar voltaram a ficar abaixo dos 20% em muitas áreas do Centro-Oeste e regiões do interior de São Paulo, do oeste e norte de Minas Gerais, do Tocantins. A Quantidade de focos de fogo que se observou em junho e julho de 2010 foi muito maior do que nestes mesmos meses em 2009. Os números são assustadores e estão disponíveis para consulta pública no INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Em junho de 2009, o satélite NOAA – 15 identificou um total de 1850 focos de queima sobre o Brasil. Em junho de 2010 foram 3399 focos. Em julho de 2009 o total de focos foi de 3140 e em julho de 2010, 8700 focos. Em agosto do ano passado, o NOAA – 15 totalizou 7412 focos de queima no Brasil. Este ano, só até o dia 8, já eram 3412 focos. Ou seja: em 8 dias o país tem quase metade dos focos de fogo de todo o mês de agosto de 2009. O que se vê agora é o efeito da estiagem normal do inverno, da falta de chuva prolongada. Por enquanto, não há o que fazer. A enorme massa de ar seco que está sobre o Brasil vai predominar por algumas semanas, deixando quase todo o país sem chuva até o fim de agosto. A próxima frente fria que chega forte ao Brasil vai deixar quase toda a sua chuva no Sul do Brasil. O sistema começa a mudar o tempo no Rio Grande do Sul na quinta-feira que vem. El Niño x La Niña A chuva de 2009 foi um benefício do fenômeno El Niño, o aquecimento anormal das águas da porção equatorial do Oceano Pacífico, entre a Indonésia e a costa do Peru. Este ano, sem El Niño, a seca voltou a predominar e com um agravante: a La Niña, condições opostas ao El Niño, já deu sinais mais do que claros de que está na área. As últimas medições da temperatura superficial das águas do Pacífico feitas em julho de 2010, na mesma região onde ocorre o El Niño, indicaram um resfriamento médio de 1,5ºC, mas com várias áreas estando até 2ºC mais frias do que o normal. Os principais centros mundiais de monitoramento climático ainda não bateram o martelo sobre a La Niña 2010/2011, mas isto vai ocorrer brevemente. Ela está aí e vai ser o fator determinante do clima na primavera e no próximo verão. Leia-se: problemas (grandes) com a chuva da primavera e do verão. A perspectiva de uma La Niña na primavera e no verão 2010/2011 não deve ser interpretada como seca generalizada. Um dos principais efeitos do fenômeno é a irregularidade espacial e temporal da chuva. Isto significa chuva demais para uns e pouca para outros, e também chuva concentrada em poucos dias. Em algumas áreas, a chuva pode ser escassa na época normalmente mais chuvosa. De um jeito ou do outro, a primavera – verão promete ser muito diferente do que foi a de 2009.