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Semana da virada no centro-sul do Brasil

30/08/2009 às 19:14
por Josélia Pegorim

O fi
m de semana foi marcado pelo ar muito seco no centro-sul do Brasil. Os índices de umidade do ar baixaram ainda mais na tarde deste domingo. O Em Curitiba, a umidade relativa do ar chegou aos 15% na região do aeroporto de Bacacheri. Em São Paulo, na zona sul da cidade, o aeroporto de Congonhas registrou 18%, por volta das 16 horas. Em Pirassununga, no interior paulista, a umidade baixou às 16 horas, na região da Academia da Força Aérea. Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, e também em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, a umidade do ar baixou para 21%. Estes são apenas alguns exemplos da secura. A maioria das áreas do Sul e Sudeste, do Estado de Mato Grosso do Sul e de Goiás, tiveram índices de umidade entre 20% e 30% na tarde deste domingo. Sentimos a secura ao respirar, na pele que fica mais ressecada. No céu, o ar muito seco impede a formação de nuvens e o resultado é um dia ensolarado e com céu azul. A imagem de satélite abaixo foi captada no modo visível. Nesta forma, é como se os  satélites meteorológicos estivessem fotografando o planeta com uma câmera comum. Estas imagens só podem ser feitas nas horas em que há iluminação solar e mostram as nuvens mais baixas, que se formam mais próximas do solo.  Mas quando ar fica muito seco, falta umidade para a formação das nuvens. O que se vê então é a cor preta. Esta imagem mostra o centro-sul do Brasil pouco antes das 3 horas da tarde deste domingo. Tudo preto, sem nuvens. arsecoBR30ago2009 O ar seco demais está associado a presença de uma centro de alta pressão nos níveis médios e altos da atmosfera. Nesta situação, o movimento do ar é mais intenso de cima para baixo. Tecnicamente, os meteorologistas chamam isto de sudsidência do ar ou ar subsidente.  Nos níveis elevados da atmosfera,  a umidade é baixa, o ar é muito seco. Assim, quanto mais intenso for este movimento de cima para baixo, mais fortemente o ar seco dos níveis mais altos vem para as camadas de ar perto do solo, onde respiramos. Mas a atmosfera não fica parada e este centro de alta pressão se desloca para o mar nesta segunda-feira. Isto vai gerar muitas mudanças na circulação dos ventos sobre o centro-sul do Brasil e nos índices de umidade.  A saída do centro de alta pressão dá espaço para a queda a pressão do ar no Sul do Brasil, no Uruguai, no Paraguai e no norte da Argentina. A nova frente consegue avançar. Uma segunda frente fria encontra a porta aberta e entra. E assim, uma reforça a outra e o tempo muda, as ondas de frio avançam, o choque térmico volta a acontecer intensamente gerando nuvens e chuva. É mais ou menos isto que acontece esta semana. A primeira frente fria está chegando. O sistema já provocava chuva, raios e ventos fortes em Buenos Aires na madrugada desta segunda-feira. Esta frente fria  encosta na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai ainda hoje. Os gaúchos vão sentir muito mais calor nesta segunda-feira.  É o calor que vem antes da virada do tempo. O vento aumenta. Até a chegada da segunda frente fria, que vem trazendo a massa polar grande e forte, as nuvens pesadas ficam bloqueadas no Rio Grande do Sul, que terá muita chuva. Este segundo sistema só deve chegar ao Sul do Brasil durante a quinta-feira e aí sim tudo começa a se movimentar rápido.  O ar polar deve entrar em Mato Grosso do Sul já na sexta-feira. Em São Paulo, um pouco da chuva chega na quinta-feira, mais ainda na sexta e o vento frio fica para o fim de semana que vem.