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Situação e projeção dos reservatórios de energia do SE/CO

05/04/2014 às 08:46
por Alexandre Nascimento

Vive
nciamos um momento bastante delicado em relação à situação dos reservatórios, principalmente do Sudeste e do Nordeste. Neste começo de abril, segundo dados da ONS, o agregado do subsistema Sudeste, responsável por 70% da geração do país, está em apenas 36,26% de sua capacidade total – dado esse comparável apenas ao ano de 2001, quando o Brasil sofreu racionamento e não havia uma demanda de energia elétrica tão grande quanto à de hoje. Se somarmos isso ao fato de que as térmicas estão ligadas há mais de um ano,  podemos verificar claramente o que um verão seco, extremamente quente, com recordes de venda de ar condicionado e etc, pode fazer em nosso sistema hidrelétrico. A situação é crítica e a tendência é de piora, uma vez que o período seco propriamente dito ainda está por vir. Os dados abaixo mostram o deplecionamento entre os meses de março e de setembro dos anos anteriores.
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
36,41 10,88 26,00 37,95 19,07 25,33 42,06
2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
34,98 30,39 14,52 39,05 26,53 39,09 17,40
Deplecionamento entre os meses de abril e setembro no Subsistema SE/CO Podemos verificar que, em quase todos os anos anteriores, tivemos queda de 25 a 42% no período de estiagem. As exceções ficam por conta de 2001 (11%, devido ao racionamento), 2004 e 2009 (anos úmidos, com presença do El Niño, com uma queda de cerca de 19% e 15%, respectivamente) e o ano passado com queda de 17% devido à presença firme e forte da geração de energia térmica e de um período seco um pouco mais úmido do que o normal, além de bem frio. Neste ano, estamos partindo de 36,26%. Na melhor das hipóteses, uma vez que não temos El Niño configurado (ainda, e se tivermos só teremos benefício no período primavera-verão) chegaremos no final de setembro abaixo de 20% - dado esse que, se concretizado, será recorde desses últimos 14 anos de comparação. Se somarmos os intercâmbios que eventualmente podem ocorrer entre os subsistemas podemos ficar um pouco acima desta estimativa, mas esperamos por um inverno menos frio que o passado, o que poderia subtrair esse incremento e até mesmo incrementar ainda mais esta estimativa de queda. Em princípio, esperamos por um retorno da chuva no período correto, mas ao que tudo indica ainda teremos uma temporada úmida irregular, mesmo sob o efeito de um El Niño fraco (existe essa expectativa, que só cresce a cada mês). Um incremento a mais, que poderia retardar de forma mais agressiva esse deplecionamento seria alguma medida restritiva, mas que está descartada pelo governo, pelo menos por enquanto.