Climatempo

Climatempo Meteorologia

Obter
publicidade

Ventania no RJ, secura em BH, granizo em SP

28/07/2009 às 21:40
por Josélia Pegorim

O fo
rte contraste de massas de ar que existia na tarde desta terça-feira sobre o Sudeste do Brasil, particularmente entre São Paulo, Minas Gerais e o Rio de Janeiro, e a chegada de uma nova frente fria ao litoral paulista, forçaram a formação de nuvens muito carregadas que provocaram chuva forte, ventania e granizo em áreas do no centro-leste do Estado de São Paulo e no Rio de Janeiro. A imagem abaixo mostra a situação básica por volta das 15 horas, quando já estava chovendo em áreas da Grande São Paulo, do interior e do litoral paulista. A diferença de temperatura entre o norte do Estado de São Paulo e a região da capital paulista chegava a 13ºC. Mas o contraste já era muito grande numa distância bem menor. A região de Campinas, que está a 100 km da capital, estava com 27ºC, às 15 horas. Ou seja: o ar se aquecia quase 1º a cada 10 km. sudeste_280709_15h Núcleos de nuvens cumulonimbus (Cb) foram se formando no leste de São Paulo. São nuvens como estas que provocam as trovoadas, as descargas elétricas (raios) e eventualmente granizo. Para haver a formação de gelo é preciso que as correntes de ar ascendente (de baixo para cima) sejam fortes, para que as nuvens consigam um grande desenvolvimento vertical, encontrando camadas de ar muito frias. Nuvens como estas atingem 10 km, ou até mais, entre sua base e o topo. É comum também que estas nuvens provoquem fortes rajadas de vento, que é a corrente de ar descendente que sai da nuvem. No vale do Paraíba, em São Paulo, as rajadas de vento chegaram a 59 km/h em São Luis do Paraitinga e houve queda de granizo. Choveu cerca de 23 mm em apenas 2 horas, entre 14h e 16h. É uma quantidade elevada para um período de apenas 2 horas. Em Taubaté, também choveu granizo e uma rajada de vento chegou a 74 km/h, às 16h. Estes dados são das estações meteorológicas automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia e do aeroporto de Taubaté, que reportou o granizo. ngt2 Duas linhas de instabilidade se formaram neste processo de choque entre o ar muito quente em Minas e no norte de São Paulo, e o ar muito úmido e mais frio no leste de São Paulo e no Rio de Janeiro. Estas linhas de instabilidade (LI) se formaram em São Paulo e avançaram para o Rio de Janeiro. A primeira LI começou a provocar chuva na cidade do Rio de Janeiro por volta das 16 horas. Às 17h15, o aeroporto Santos Dumont, na região central do Rio, registrou chuva forte e uma rajada de vento de 78 km/h. No aeroporto Tom Jobim, uma rajada chegou a 52 km/h, às 17h18. Em Jacarepaguá, uma rajada chegou a 52 km/h, às 17 horas. A base aérea de Santa Cruz sentiu ventos de quase 50 km/h. Na Marambaia, uma rajada de vento chegou a 67 km/h, às 17 horas. O Forte de Copacabana registrou uma rajada de 69 km/h. RJ_280709_ventania Na madrugada desta quarta-feira, outra linha de instabilidade trouxe mais chuva, granizo e rajadas de vento. Esta se formou ontem à noite no Paraná e avançou para São Paulo. A queda de granizo foi observada em várias áreas da cidade de São Paulo. E agora? O que fazer com mais uma frente fria perto de São Paulo e do Rio de Janeiro? Alguns cariocas e paulistanos estão gostando do tempo chuvoso, mas outros vão continuar reclamando do tempo porque a expectativa é de mais alguns dias com excesso de nuvens, chuva e falta de sol. A nova frente fria fica por perto pelo menos até o sábado. Nesta quarta-feira, este contraste térmico ainda será muito acentuado. Nuvens carregadas ainda poderão se formar provocando mais chuva forte e rajadas de vento. O tempo chuvoso deve prosseguir pela quinta e sexta. Querer um fim de semana de sol e praia, só no sonho. Para complicar um pouco mais a situação, o mar está subindo no Sul do Brasil e uma série de grandes ondas com até 2 metros chega ao litoral paulista e fluminense a partir de quinta-feira. Deve dar uma bela surfada. Enquanto isto, no planalto central do Brasil, Brasília teve a tarde mais seca do ano. A umidade relativa do ar baixou para 12% na região do aeroporto JK, o que beira a situação de emergência, de acordo com os padrões da Organização Mundial da Saúde. Em Belo Horizonte, a umidade relativa chegou a 24% e em Goiânia a 17%, com um calor de mais de 33ºC. A máxima pelo Inmet foi de 33,6ºC, a maior desde o dia 6 de março.  Em Palmas, capital do Tocantins, também fez um calorão: 36,6ºC. Mas isto já começa a ser normal por lá nesta época.