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Vento chegou a quase 90 km/h no litoral gaúcho

16/07/2009 às 23:55
por Josélia Pegorim

Em M
ostardas, na parte central do litoral do Rio Grande do Sul, a quinta-feira foi marcada por fortes rajadas de vento, sempre superiores a 60 km/h. Até as 19 horas, a rajada mais intensa tinha alcançado 87 km/k, às 8 horas da manhã.  Em Tramandaí, no litoral norte gaúcho, as rajadas chegaram aos 50 km/h na madrugada desta quinta-feira. O aumento da velocidade dos ventos no litoral do Rio Grande do Sul está associado a formação de um novo ciclone extratropical entre o litoral gaúcho e o Uruguai. amspr05Este ciclone não é forte e se organiza completamente nesta sexta-feira. As estimativas feitas por computadores apontam que, até o sábado, o centro de pressão mínimo  chega a 1016 hPa. Mesmo assim, o sistema ainda vai provocar ventos moderados a fortes na costa sul do Brasil e no Uruguai até o sábado. No domingo, o centro de baixa pressão atmosférica se afasta em alto-mar, mas os ventos na costa sul e sudeste do Brasil, e do Uruguai e da Argentina vão continuar fortes, não tanto por conta do ciclone extratropical, e sim provocados por um forte e grande sistema de alta pressão polar (vulgo massa de ar frio polar) que deve passar pela costa sul da Argentina. O valor de pressão estimado nesta quinta-feira para a noite do próximo sábado é de 1038 hPa. Por ser intensa e ampla, esta massa polar deve manter os ventos de sudeste fortes na próxima segunda-feira. Na terça-feira que vem ainda teríamos ventos de sudeste-leste moderados a fortes em toda a costa sul e sudeste do Brasil. Mas se depender das previsões dos computadores, a próxima semana será a "semana do vento".  Além de uma grande massa polar, um novo ciclone extratropical desta vez com centro mínimo de pressão abaixo de 1000 hPa, o que é um valor baixo e preocupante. Todos os furacões, tufões e ciclones australianos têm pressão abaixo de 1000 hPa. A experiência diz que é preciso ter cautela com as estimativas dos supercomputadores. Por enquanto, tudo isto é previsão e sujeita a mudança, que pode ser grande em 1 ou 2 dias.  As análises feitas pelos computadores mudam de idéia de um dia para outro. Um exemplo recente disto foi a projeção, para o início desta semana, de um centro de 1040 hPa sobre o centro da Argentina. A projeção feita no dia 6 de julho mostrava os 1040 hPa na noite de segunda-feira, dia 13 e na manhã do dia 14, lá, sobre o centro da  Argentina, sobre Cordoba. A análise do dia 8 de julho confirmou o prognóstico do mesmo valor, na mesma posição.  Na sexta-feira, 10 de julho, o máximo de pressão continuava sendo projetado sobre Cordoba, nos dias 13 e 14 de julho, mas com 1032-1034 hPa. Bem menos, mas ainda assim um valor de pressão muito alto e que exigia toda a atenção dos previsores. No fim de semana, a pressão máxima já havia baixado para 1030 hPa e quando chegamos na data, nos dias 13 e 14, o que deu foi um centro de 1032 hPa, real, medido, e não só projetado, como prognóstico de computador.
13/07/2009 SACO 131600Z 18018KT CAVOK 14/M12 Q1030=
14/07/2009 SACO 140400Z 29007KT 9999 SKC 02/M08Q1032=
A sopa de letrinhas acima é a observação meteorológica codificada do aeroporto de Cordoba. O  SACO indica Hemisfério Sul (S) Argentina (A) Cordoba (CO). Traduzindo: no dia 13 de julho, às 13 horas (de Brasília, 1600Z) a pressão em Cordoba era de 1030 hPa (Q1030); no dia 14 de julho, à 1 hora da madrugada em Brasília (0400Z), a pressão chegou a 1032 hPa (Q1032). Parou por aí e depois começou a baixar. Quando os meteorologistas dão de cara com um centro de pressão de 1040 hPa, ainda que estimados por computadores, arregalam os olhos, soltam as mais variadas expressões de espanto. Na semana passada saiu até um "are baba", se é que isto se escreve assim. É um valor de pressão atmosférica extremamente alto e que só aparece no inverno, mas não em todos os invernos. Já houve registro de 1049 hPa na Patagônia. Nem precisa tanto. Um 1032 hPa já dá muito frio. Um 1040 sobre a Argentina é de gelar a alma de fóssil. Estes números representam centros de alta pressão atmosférica, que são característicos das massas polares, que trazem o frio também para o Brasil. Elas nascem na Antártica, a mãe das frentes frias, que vai merecer um destaque também.