Bloqueio atmosférico sobre América do Sul

24/06/2010 às 16:20
por Josélia Pegorim

Uma situação meteorológica de bloqueio sobre a América do Sul deixa a maioria das áreas do Brasil com ar muito seco e sem chuva e também provoca muita chuva, neve e estragos na Argentina e no Chile. As frente frias ficam retidas sobre estes dois países, com suas massas polares e seus ciclones extratropicais ocasionando chuvas fortes, ventania e nevascas nas áreas da Cordilheira dos Andes. Como as frentes frias não conseguem seguir seu deslocamento normal, o Brasil fica cada vez mais seco e quente. A mais recente frente fria que chegou ao país provoca ventos fortes no Rio Grande do Sul, mas até por volta das 15 horas desta sexta-feira, as nuvens de chuva não conseguiam chegar nem a Porto Alegre. Uma outra frente fria que avança pelo litoral da Bahia fez a umidade aumentar nos últimos dois dias em áreas do Sudeste próximas ao litoral. Mas hoje, o ar seco já ganhou espaço de novo e a queda dos níveis de umidade do ar voltou a ser sentida em São Paulo e no Rio de Janeiro, que ontem ainda estavam nubladas e úmidas. Bloqueios atmosféricos são causados por uma anomalia na circulação dos ventos fortes que sopram em camadas de ar muito elevadas. Enquanto Chile e a Argentina ficam sob a influência das baixas pressões das frentes frias, quase todo o Brasil sente a influência de uma enorme e forte alta pressão. São sistemas contrários e com efeitos opostos. No Chile e na Argentina, muita chuva e umidade. Em quase todo o Brasil, o ar fica muito seco e não chove. A chuva das frentes frias não consegue avançar sobre o centro-sul do Brasil e nem o frio das massas polares. Nestes primeiros dias de inverno, que começou oficialmente no dia 21 de junho, só o Rio Grande do Sul e Santa Catarina sentiram frio de verdade. Frio até demais, pois novos recordes foram registrados nos dois estados. O bloqueio dos ventos na alta atmosfera está tão forte que nem vai esfriar muito em Santa Catarina no fim de semana. O Paraná, o Sudeste e o Centro-Oeste do Brasil, devem passar o primeiro fim de semana do inverno com o sol e a secura típicas da estação, mas com temperaturas acima do normal, para esta época do ano. Vale lembrar que o inverno está apenas começando e que a atmosfera muda sempre, está constantemente em transformação. O bloqueio será quebrado e aí o frio entra forte de novo, mas não será neste fim de semana. Enquanto isto, mais chuva, vento, frio e neve no Chile e na Argentina.

Nevascas na Argentina e no Chile

Quem estiver de malas prontas para uma semana de frio e esqui nas estações de inverno da Argentina ou do Chile vai encontrar o cenário perfeito para a prática do esporte: muita neve. Esta semana está sendo muito instável na região de Bariloche. A chuva, o vento forte e a neve não estão trégua. A neve voltou a cair forte por lá desde a noite de ontem, por conta de outra frente fria que está passando pela região. O serviço nacional de Meteorologia da Argentina emitiu alerta para ventania e nevascas para as áreas da Cordilheira dos Andes no centro-sul da Argentina. No dia 14 de junho, o tunel Cristo Redentor, que liga a província argentina de Mendoza ao Chile teve que ser fechado por conta do acúmulo de mais de 20 centímetros de neve e da ventania. Esta é umas principais ligações da Cordilheira dos Andes entre os dois países e a interrupção do tráfego acarreta a paralização do comércio estrangeiro, já que centenas de caminhões ficam parados dos dois lados, aguardando a melhora das condições do tempo.

Chuva causa enchentes e estragos no Chile

Tem chovido muito no centro-sul do Chile nos últimos dias. A neve também cai no extremo sul do país e com muito vento. Segundo informa a imprensa local, com o transbordamento de rios e alagamentos, muitas casas foram invadidas pelas águas nesta quinta-feira na região de metropolitana de Santiago. Em localidades de províncias do sul do Chile, como Valparaíso, Bíobio, Los Rios, a situação é mais grave. Um operário da construção civil morreu na região de Los Rios.

Tremor de 5,1 graus abala o sul do Chile

Para complicar ainda mais a situação da população do sul do Chile, um tremos de 5,1 graus na escala Richter foi registrado às 9h24 local desta quinta-feira, sendo sentido nas regiões de Maule, Bíobio e La Araucanía. O serviço sismológico da Universidade do Chile identificou o epicentro do tremor a 60 km a oeste de Arauco, na costa da região de Bíobio, a 22 quilômetros e 800 metros de profundidade.
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