Chuva à vista para São Paulo

26/07/2018 às 18:15
por Josélia Pegorim

Atualizado 27/07/2018 às 12:50

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Em 116 dias, desde o inicio de abril, o  INMET registrou alguma chuva na capital paulista em apenas 13 dias

A secura em São Paulo tem assustado muita gente e com razão. Pela medição do Instituto Nacional de Meteorologia, o último registro de alguma chuva no Mirante de Santana, na zona norte da capital paulista, foi entre os dias 13 e 14 de junho, quando chuviscou na região da estação meteorológica do Mirante e o pluviômetro acumulou 0,2 mm. Isto e nada é a mesma coisa!

 

Rigorosamente, em 26 de julho, São Paulo completou 42 dias consecutivos sem nenhuma chuva registrada no Mirante de Santana.  Neste período até chuviscou em alguns locais da cidade em passagem de frentes frias, mas a maioria da população nem viu a chuva! Foi o que ocorreu, por exemplo, no sábado passado, 21 de julho.

 

 

Na prática, São Paulo está há 4 meses quase sem chuva.  Em 116 dias, o  INMET registrou alguma chuva no Mirante em apenas 13 dias. Do dia 1 de abril até 26 de julho de 2018, o pluviômetro do Mirante de Santana acumulou exatos 51,5 mm de chuva, uma quantidade irrisória, que representa aproximadamente 20% de toda a chuva que poderia cair de abril a julho. A soma das médias (período de 1981 a 2010) normais de chuva dos meses de abril, maio, junho e julho é de quase 260 mm. Em 116 dias, houve registro de alguma precipitação no Mirante de Santana em apenas 13 dias.

 

Julhos mais secos em São Paulo (1961 a 2017)

 

 

O que ocorre este ano é algo muito excepcional e só comparável a dois anos na década de 60 do século passado. Pelo histórico de chuva do INMET, a soma da chuva acumulada nos meses de abril, maio, junho e julho em 1963 foi de apenas 52,3 mm. No mesmo período em 1966 choveu 72,3 mm e no ano de 2000, o acumulado nestes meses foi de 93,4 mm. Então, a situação de São Paulo é agora é tão grave como em 1963.

 

Chuva à vista

Até o dia 26 ainda não havia chovido em julho no Mirante. Não tem previsão de chuva até o sábado, 28.  No domingo, São Paulo fica mais quente seca, com muito sol na maior parte do dia, mas já há possibilidade de alguma chuva a noite. O nível de umidade no ar à tarde no fim de semana deve ficar abaixo dos 30% em algumas horas.

 

O que vai livrar julho de 2018 de terminar zerado de chuva, como ocorreu em 2008, é a expectativa (grande) de que chova especialmente nos dias 30 e 31 de julho com a passagem de uma frente fria. Esta frente fria poderá provocar chuva em todas as regiões do estado de São Paulo e a chuva pode até cair com moderada a forte intensidade em alguns locais, até mesmo na região da cidade de São Paulo.

 

A chance de chover nos dias 30 e 31 é alta, mas o fato de termos uma situação bastante favorável a chuva no finalzinho de julho e no começo de agosto, não significa que o padrão seca acabou. Ainda teremos muitos dias secos, sem chuva, até a chuva da primavera realmente ficar regular.

  

 

Foto de Philippe P. de Paula, São Paulo (SP)

 

 

O que explica a falta de chuva em São Paulo?

O estado de São Paulo, e todo o centro-sul do Brasil, sofre  com a chuva escassa desde abril. A falta de chuva é explicada por uma circulação de ventos nos níveis elevados da atmosfera e a temperatura da água do oceano Atlântico que não favoreceram a chuva desde o começo do outono.

 

A  circulação de bloqueio começou a se estabelecer sobre a América do Sul desde abril, mas se intensificou em meados de junho. O alcance das frente frias que avançam da Antártica para a América do Sul é regulado por fortes correntes de vento localizadas em 10 mil metros de altitude. Desde abril, a posição média desta corrente de ventos dificultou muito o deslocamento das frentes frias do Sul para o Sudeste do Brasil, o que deixou o tempo predominantemente seco em SP. Nesta época, já não temos mais a chuva de dias úmidos e quentes que ocorrem no fim da tarde. A chuva do outono-inverno depende basicamente da passagem das frentes frias.

 

 

Por que choveu pouco SP entre abril e julho de 2018?

 

Além da posição anômala da corrente de ventos fortes, durante o outono e no começo do inverno, a temperatura da água do oceano Atlântico, ao largo da costa sul do Brasil, ficou acima do normal. Esta massa de água de quente fez com que as frentes frias fossem desviadas para o mar e não conseguissem avançar pelo interior do país.

 

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