Camada de ozônio pode estar recuperada até meados deste século

13/11/2018 às 09:59
por Redação

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Após décadas de proibição do uso de químicos prejudiciais, camada protetora do planeta está finalmente se recuperando.

Após décadas de proibição do uso de químicos prejudiciais à camada protetora do planeta, ela está finalmente se regenerando. Buraco sobre a Antártida pode estar completamente fechado até a década de 2060, aponta ONU.

 

A camada de ozônio, que protege a Terra contra os raios ultravioleta solares, vem se recuperando a uma taxa de cerca de 2% ao ano desde 2000 e pode estar completamente regenerada até meados deste século, aponta um estudo da ONU.

 

O levantamento atribui essa taxa de sucesso ao histórico Protocolo de Montreal, de 1987, que proibiu os clorofluorcarbonetos (CFCs), usados em aerossóis e refrigeradores, e outras substâncias destruidoras da camada de ozônio.

 

Se a redução atual de emissões prejudiciais à camada de ozônio for mantida, o Hemisfério Norte poderá estar recuperado por volta de 2030, e o Hemisfério Sul, até 2050, prevê o relatório.

 

O buraco sobre a Antártida, que chegou a ser tão grande quanto a América do Norte, pode estar completamente fechado até a década de 2060, constatou o estudo da ONU.

 

Se não fosse pelo Protocolo de Montreal, grande parte da camada de ozônio poderia vir a ser destruída até 2065. Isso teria consequências devastadoras, já que a camada protege a vida do planeta dos efeitos dos raios ultravioleta, que podem causar câncer de pele ou catarata em humanos e animais.

 

China culpada pelo aumento das emissões

Apesar dos esforços globais terem dado resultado, nem todos os problemas foram resolvidos. A Agência de Investigação Ambiental (EIA) constatou um retrocesso na diminuição global das emissões globais de CFC-11, prejudicial à camada de ozônio. Segundo os investigadores, a fonte das emissões é a China.

 

Apresentando-se como compradores, eles descobriram que 18 fábricas chinesas estavam produzindo CFCs proibidos, para vendê-los como espuma plástica para o setor de construção devido a seu baixo custo.

 

A EIA disse que várias empresas da China admitiram exportar CFCs, etiquetando-os falsamente como compostos de hidrofluorcarbono (HFC). Desde a descoberta, o governo chinês prometeu fechar tais fábricas.

 

"Se essas emissões de CFC-11 continuassem nesse nível, a recuperação do buraco na camada de ozônio na Antártida seria adiada por sete a 20 anos", afirmou Paul Newman, um dos autores do estudo da ONU e geocientista-chefe no laboratório de pesquisas espaciais Goddard Space Flight Center da Nasa.

 

Tanto HFCs quanto CFCs são químicos usados em refrigeradores. Embora os hidrofluorcarbonos (HFCs) já tenham sido comercializados como uma alternativa ecologicamente correta aos CFCs, eles emitem altos níveis de poluição na atmosfera – até milhares de vezes maiores que os do dióxido de carbono.

 

Uma recente emenda ao Protocolo de Montreal têm os HFCs e outros gases prejudiciais à camada de ozônio como alvo. A emenda, que também deve ajudar a conter as mudanças climáticas, deve entrar em vigor no início de 2019. Apesar de avanços relativos à camada de ozônio, cientista seguem preocupados com a integridade do Protocolo de Montreal.

 

"Qualquer aumento nos produtos químicos que reduzem a camada de ozônio, como vimos com o CFC-11, pode prejudicar não apenas o trabalho dos últimos 30 anos, mas a reputação do Protocolo de Montreal e o potencial que ele tem para o futuro", apontou Keith Weller, porta-voz do Programa Ambiental das Nações (Pnuma).

 

"O Protocolo de Montreal é um dos acordos multilaterais de maior sucesso na história por uma razão. A mescla cuidadosa de ciência e colaboração resultou no prognóstico positivo para o ozônio que vemos hoje", disse Weller.

 

O protocolo não apenas serviu para reduzir as emissões, mas também é um exemplo positivo do que as pessoas podem realizar para o bem global, acrescentou.

 

Camada de ozônio pode estar recuperada até meados deste século_post

 Buraco da camada de ozônio sobre a Antártida já foi do tamanho da América do Norte

 

Ozônio regenerado, Antártida mais quente?

No entanto, curar a camada de ozônio pode ter efeitos colaterais negativos. Com a regeneração do ozônio sobre a Antártida, temperaturas mais elevadas são esperadas na região, já que a camada poderia reter um pouco mais de calor.

 

Os cientistas não sabem ao certo em quanto essa recuperação aumentaria as temperaturas na Antártida, mas o clima mais quente certamente afetaria uma área que já sofre com mudanças climáticas provocadas pelo homem.

 

Isso não é de todo uma notícia ruim. Certamente uma camada de ozônio regenerada seria benéfica, já que protegeria da radiação ultravioleta do Sol. E o controle das emissões de gases-estufa causadas pelo homem poderia combater o aumento das temperaturas globais, disse o geocientista Paul Newman.

 

"Embora as mudanças climáticas e a redução da camada de ozônio sejam problemas distintos, existem algumas sobreposições interessantes. Se as nações cumprirem o Protocolo de Montreal, o controle dos HFCs reduzirá o aquecimento global em cerca de 0,5°C até 2100", afirma Newman.

 

 


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