Ar quente do metrô para aquecer casas em Londres

13/09/2019 às 14:39
por Redação

Atualizado 14/09/2019 às 09:17

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Sistema vai aproveitar calor excedente na Northern Line para fornecer aquecimento a cerca de mil empresas e residências

Um novo sistema promete usar o ar quente de uma estação de metrô desativada em Londres para fornecer calefação a cerca de mil residências e empresas até o final de 2019.

 

Trata-se de um projeto conjunto entre o Conselho de Islington (bairro no norte londrino), a companhia Transporte de Londres (TfL) e a empresa de engenharia Ramboll, envolvendo uma antiga estação da linha Northern Line do metrô.

 

"Será uma fonte de energia com baixo teor de carbono", afirma um porta-voz, acrescentando que o consórcio também está realizando pesquisas adicionais para identificar oportunidades de negócios para projetos semelhantes em toda a rede de transportes.

 

Uma bomba de aquecimento irá capturar "calor residual" de um poço de ventilação na City Road (rua que atravessa o centro de Londres), que atualmente bombeia ar entre 18 °C e 28 °C, diz o porta-voz.

Essa é a segunda fase do projeto Centro de Energia Bunhill, lançado em 2012 pelas autoridades de Islington para produzir "calor mais verde e mais barato" e que já aquece cerca de 700 casas, afirma Stephen Moore, que trabalha no Conselho de Islington, à DW.

 

"Usar calor excedente em vez de desperdiçá-lo é uma ótima maneira de garantir a redução das emissões de carbono e ajudar a população a se aquecer a um custo acessível", diz, por sua vez, Lily Frencham, chefe de operações da ONG Associação para Energia Descentralizada.

 

Autoridades de Londres estimam haver calor desperdiçado suficiente para atender 38% da demanda de aquecimento da capital britânica. Com a expansão dessas redes de aquecimento urbano, como o Bunhill 2, é possível atingir até 63% da demanda até 2050.

 

A busca por fontes alternativas de calor renovável se acelerou após a promessa do governo de proibir caldeiras a gás em prédios novos a partir de 2025.

 

O projeto é um dos vários sistemas semelhantes em todo o Reino Unido para aquecer residências usando o calor residual de fábricas, usinas elétricas, rios e dutos de minas em desuso.

Tim Rotheray, diretor da Associação para Energia Descentralizada, diz que os sistemas de aquecimento urbano crescem rapidamente em todo o Reino Unido, como uma ferramenta de baixo custo para enfrentar a crise climática.

 

"Quase metade da energia consumida no Reino Unido é para aquecimento, e um terço das emissões do país provém da calefação. Com o governo declarando que devemos ser neutros em emissões de carbono dentro de 30 anos, precisamos encontrar uma maneira de retirar o carbono do nosso sistema de aquecimento", afirma Rotheray.

 

Outras formas de usar o calor excedente

 

A empresa britânica British Sugar tem uma fábrica em Wissington, no condado de Norfolk, que canaliza o calor que excede de sua produção de açúcar para uma estufa de 18 hectares usada para cultivar maconha medicinal.

 

A cidade inglesa de Stoke-on-Trent, por sua vez, está trabalhando em um projeto de 52 milhões de libras para extrair energia de depósitos de água quente em camadas inferiores da Terra. O conselho da cidade estima que o sistema, que estará funcionando no inverno de 2020, poderia reduzir as emissões de carbono em 12 mil toneladas por ano.

 

Em Edimburgo, engenheiros da Ramboll elaboraram um plano para criar uma rede de aquecimento que usa a água acumulada em uma mina desativada como se fosse uma gigantesca bateria térmica subterrânea. O sistema fica a 500 metros abaixo do solo e mede oito quilômetros de comprimento por seis quilômetros de largura.

 

Paul Steen, que propôs o projeto, afirma que a água da mina oferece um "enorme potencial" para ajudar a capital escocesa a atingir suas metas de sustentabilidade.

 

Já engenheiros em Glasgow descobriram um potencial no rio Clyde. O projeto de renovação urbana Queens Quay, com um custo de 250 milhões de libras, incluirá um sistema de bombas térmicas para extrair calor da água do rio e canalizá-lo em uma rede de 2,5 quilômetros de extensão, que abrange 1.400 casas, empresas e edifícios públicos.

 

Esse projeto poderá ajudar na recepção calorosa das delegações que participarão das conversações da ONU sobre mudanças climáticas em Glasgow no próximo ano.

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