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Cultivo de pêssego e nectarina no Brasil

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9 min de leitura

O pessegueiro e a nectarineira são parentes próximos, pois pertencem à mesma espécie Prunus persica L. De modo geral, plantas dessa espécie se desenvolvem e produzem bem em vários tipos de solos, com exceção daqueles com risco de encharcamento e deficiência de drenagem. O excesso de umidade é prejudicial durante todo o ciclo da cultura, sendo mais crítico na floração e maturação.

 

Quantidade de chuva

 

Com relação às chuvas, dependendo da região, as plantas necessitam de precipitação em torno de 700 mm, distribuídas ao longo de seu desenvolvimento. O cultivo não é indicado para regiões com períodos de chuvas muito prolongados, que propiciam o aparecimento de doenças, sendo a podridão parda a principal delas. 

 

Área plantada 

 

Na safra 2019, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cultura do pessegueiro ocupou uma área de cerca de 16 mil hectares no País, com produção estimada em 183 mil toneladas. A produtividade média girou em torno de 11,4 mil quilos por hectare.

 

O estado do Rio Grande do Sul detém a maior área plantada e a maior produção: 11,8 mil hectares e 110,2 mil toneladas colhidas, com destaque para o cultivo de pêssego para a indústria. São Paulo fica em segundo lugar, com 1,5 mil hectares e 32,9 mil toneladas colhidas, com foco na produção de mesa. Na sequência, os maiores produtores são Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná e Espírito Santo, respectivamente. 


Com relação à nectarineira, os dados do IBGE mais recentes, de 2017, apontam área colhida de 355 hectares, com produção estimada em 4,2 mil toneladas. No Brasil, a cultura do pessegueiro é a mais importante e está presente em cerca de cinco mil estabelecimentos rurais, enquanto a nectarineira é cultivada em número de propriedades quase 20 vezes menor: cerca de 280 estabelecimentos. O estado de Santa Catarina é o maior produtor de nectarinas, com 2,1 mil toneladas colhidas. 


Apoio no acesso ao crédito

 

Além de recomendações para pomares já instalados, o zoneamento também traz como novidade a avaliação de riscos e a indicação das épocas adequadas para transplante de mudas e formação de novos pomares a serem financiados e segurados. No caso do pessegueiro e da nectarineira, o principal fator de risco é a deficiência hídrica, que pode retardar ou reduzir o pegamento das mudas transplantadas durante o início do ciclo vegetativo. 

 

Essas recomendações são importantes porque muitos agentes financeiros apenas reconhecem as áreas e variedades contempladas pelos zoneamentos, bem como os produtores que respeitam as datas e recomendações das portarias. É o caso do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e do Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR). Sem o zoneamento, em alguns casos, representantes de entidades de assistência técnica e extensão rural precisam assinar termo de responsabilidade para que o produtor possa acessar o crédito rural.

 

“Não significa que as áreas com risco superior a 40% não possam ser cultivadas. Mas, na política do Banco Central para concessão de crédito e seguro agrícola essas áreas não estão contempladas. Quem tem recursos próprios e condições de assumir pessoalmente esses riscos, não há qualquer impedimento”, completa o pesquisador Ivan de Almeida.

 

Considerados quatro sistemas de produção

 

O zoneamento ainda foi subdividido em quatro sistemas de produção, de acordo com o risco de cada um. Em sistemas de produção voltados ao consumo in natura, por exemplo, o preço de comercialização é maior quanto maior for o tamanho da fruta - desenvolvimento que depende da oferta de água. Já no caso dos sistemas de produção para a indústria, o padrão de qualidade relacionado ao tamanho é menos exigente e, portanto, a produção necessita de menor quantidade de água.

 

As diferentes necessidades de disponibilidade hídrica se refletem em riscos distintos. Nos sistemas de produção não irrigados, os riscos pela baixa disponibilidade hídrica são considerados maiores para a produção de mesa em comparação ao fruto destinado à indústria.

 

No caso de sistemas de produção irrigados - o que geralmente ocorre na produção para comercialização in natura - o zoneamento pressupõe que não haverá falta de água para a cultura em nenhum momento, de forma que o risco hídrico é removido. Por fim, o zoneamento ainda considera os pomares com tecnologia de controle de geada, removendo também o risco de perdas nesse contexto.  


O zoneamento, portanto, considera a avaliação de riscos para os sistemas de produção de mesa (mais exigentes em disponibilidade hídrica); para processamento (menos exigentes nesse quesito); irrigado (sem risco hídrico); e irrigado e com controle de geada (sem risco hídrico nem de geada).

 

Critérios observados na avaliação de risco

 

Para elaboração do Zarc foram considerados como fatores de risco a possibilidade de deficiência hídrica, de calor e frio intenso durante a floração, de geada na fase de floração e de crescimento inicial do fruto, e de baixa disponibilidade de frio na fase de dormência. As avaliações consideram dados de séries históricas de cada região relativas a volumes de chuvas e a temperaturas máximas e mínimas coletadas por instituições brasileiras de pesquisa, ensino e extensão, bem como pelos próprios produtores.

 

No caso da disponibilidade hídrica, foram considerados dados de precipitação de chuvas dos últimos 30 anos; evapotranspiração de referência da cultura - ou seja, os níveis de perda de água por evaporação e transpiração das plantas; água disponível no solo; e Índice de Satisfação das Necessidades de Água (ISNA) para cada fase de interesse da cultura e para cada estação pluviométrica.

 

Com relação às avaliações de riscos térmicos, foram considerados critérios como ocorrência de geadas, temperaturas muito baixas ou temperaturas muito elevadas. Embora a cultura do pessegueiro tenha uma exigência mínima de frio para seu desenvolvimento, temperaturas muito baixas podem causar danos ao tecido das plantas, principalmente das flores e frutos, com possibilidade de impacto na produção. 


Temperaturas altas, por outro lado, podem causar danos como abortamento de flores e redução de frutificação. A sensibilidade, em ambos os casos, varia conforme o momento de desenvolvimento da planta. A faixa de temperatura para cultivo economicamente viável é em torno de 24°C no período de vegetativo, de até 20°C no período de dormência, e de 25°C a 30°C, com amplitude térmica grande e alta insolação, no período próximo à colheita. 

 

Como planejar uma safra e monitorar sua fazenda?

 

Otimizar o plantio, ficar de olho no Clima para avançar com os trabalhos no campo e observar o desenvolvimento da cultura para evitar perdas são algumas das decisões que você produtor rural precisa tomar durante a safra. 

 

O Agroclima Pro é um serviço de tecnologia da Climatempo que utiliza o conhecimento meteorológico. Com ele você pode acessar o histórico de dados de Clima para sua fazenda e pode detectar áreas com menor vigor vegetativo. Além disso, você fica sabendo como será a demanda hídrica da sua lavoura nos próximos 15 dias e ainda consegue identificar os melhores dias e horários para realizar as pulverizações.

 

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