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Maçã sofre com deficiência hídrica no Sul

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7 min de leitura

Foto: Katia Fenner - São Joaquim -SC

 

A falta de chuva não está favorecendo o desenvolvimento das lavouras de maçã no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

 

"Falta chuva em minha propriedade localizada em São Joaquim (SC). As macieiras não estão conseguindo desenvolver de forma satisfatória por causa da seca e do forte calor", comenta a produtora Katia Fenner. 

 

Clima 

 

O cultivo de macieiras no Sul do Brasil, ocorre com Clima subtropical úmido ou clima temperado suave. Nesta região, os volumes anuais de precipitação pluviométrica são superiores a 1.700 mm. A região Sul do Brasil apresenta volume elevado de precipitação pluviométrica anual, porém a precipitação não é bem distribuída ao longo dos meses, sendo verificadas condições de estiagem entre os meses de novembro e março. Esta condição é mais acentuada em anos de ocorrência do fenômeno “La Niña”, caracterizado por anomalias na temperatura da superfície do oceano pacífico, que afeta o volume das chuvas na Região Sul do Brasil.

 

A influência deste fenômeno (que já ocorre pelo segundo ano seguido), afeta as condições climáticas da Região, provocando estiagem prolongada. Esta condição tem gerado déficits hídricos no solo que afetam o desenvolvimento das plantas e a produtividade, gerando prejuízos em várias cadeias produtivas. Para a cadeia produtiva da maçã, as consequências da estiagem se manifestam em pomares adultos e em pomares em formação.

 

Manejo de pomares sob condições de estresse hídrico

 

As alternativas para minimizar estes efeitos em pomares novos sem sistemas de irrigação envolvem o fornecimento periódico de água através de tanques pulverizadores adaptados para fornecer água de forma localizada na área de projeção da copa, principalmente em locais do pomar cujos solos apresentam horizonte superficial raso ou com presença expressiva de cascalho.

 

Para plantios realizados na primavera de 2021, sugerem-se aplicações frequentes de água (da mesma forma descrita acima), porém em toda a área de plantio. Para as porções do pomar com plantas com sintomas mais avançados de déficit hídrico (murchamento de folhas e frutos, amarelecimento e senescência de folhas, necroses de ramos) deve-se proceder a retirada de todos os frutos da planta, no sentido de minimizar as possibilidades de mortalidade de plantas.

 

Considerando a alta evapotranspiração verificada em pomares adultos, combinado com altas temperaturas e baixa umidade relativa em determinadas horas do dia, não são indicadas aplicações de fertilizantes foliares nestes períodos de estiagem, pois além da baixa eficiência na absorção dos nutrientes, devido às condições microclimáticas no interior do pomar, podem ocorrer danos nos frutos e folhas, decorrentes da rápida concentração de sais dos fertilizantes logo após a aplicação.

 

As aplicações fitossanitárias e de fitorreguladores para uso na pré-colheita devem ser realizadas nos horários com temperatura amena e com umidade relativa superior a 50%, visando o aumento da eficiência técnica.

 

Vale a atenção em relação a esse aspecto, pois no mês de dezembro/2021 foram registrados vários dias com índices de umidade relativa inferiores a 30% no período da tarde, gerando alta perda evaporativa que pode minimizar o tempo de contato dos defensivos agrícolas na superfície foliar, podendo repercutir em perda de eficiência.

 

Considerando a elevada carga frutal evidenciada em parte dos pomares das principais regiões produtoras, e considerando a possibilidade de restrição hídrica para os meses de janeiro e fevereiro, o reajuste da carga frutal pode vir a ser executado mediante a retirada de frutos de menor interesse comercial (menor coloração, menor calibre e com presença de defeitos na epiderme dos frutos).

 

Destaca-se que a continuidade da restrição hídrica poderá comprometer parcialmente o desenvolvimento da coloração vermelha da epiderme e, principalmente, da massa fresca média dos frutos, dependendo da magnitude e da duração do período de estresse hídrico.

 

O parcelamento da colheita, com a retirada dos frutos de maturação mais avançada, seguido do uso de fitorreguladores para retardo da maturação pode ser uma alternativa a ser intensificada nesse ciclo, visando o aumento do calibre médio dos frutos. Contudo, esse manejo deve ser priorizado em pomares localizados em regiões de solo mais profundo, e mediante a possibilidade de ocorrência de chuvas durante o período de colheita, para que a melhoria de calibre dos frutos seja efetivamente obtida.

 

Fonte: Embrapa 

Dr. Fernando José Hawerroth – Pesquisador em Manejo e Fisiologia de Frutíferas, Embrapa Uva e Vinho, [email protected]

Dr. Gilmar Ribeiro Nachtigall – Pesquisador em Nutrição de Plantas, Embrapa Uva e Vinho, [email protected]

 

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