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O que aconteceu em Panorama?

11/09/2015 às 21:36
por Josélia Pegorim

A população de Panorama, cidade paulista às margens do rio Paraná, na divisa com o Mato Grosso do Sul, vai demorar para esquecer o dia 10 de setembro de 2015. A tempestade que passou sobre a cidade deixou um rastro de destruição severa: casas completamente destelhadas, dezenas de árvores tombadas, algumas arrancadas pela raiz, vidraças estilhaçadas, caminhão tombado. Até postes e muros caíram.

 

 

 

 

Tudo isto ocorreu em meio a uma chuva torrencial e em poucos minutos.

Depois que o vento parou ou diminuiu, as pessoas foram andando pela cidade sem entender o que havia acontecido, olhando os estragos, assustadas.

 

 

 

O que aconteceu em Panorama?

Diante das imagens que rapidamente apareceram na internet, a primeira ideia é de que um tornado passou pela cidade. De fato, a destruição causada pela tempestade que passou sobre Panorama é compatível com a de um tornado, mas o olhar técnico dos meteorologistas teve muitas dúvidas.

A Climatempo conversou com o professor Carlos Morales, do Departamento de Meteorologia da Universidade de São Paulo, que ministra cursos sobre identificação de supercélulas através de radares meteorológicos, que são os instrumentos essenciais para a detectação de uma possível região com tornado.

No caso de Panorama, por enquanto não foi possível analisar as imagens específicas do radar meteorológico de Presidente Prudente para fazer a avaliação técnica apurada. Mas ao analisar as fotos e vídeos, o professor Morales comentou: “pelas fotos, está mais com cara de downburst do que de tornado. Caminhões tombados, árvores quebradas e telhas quebradas indicam ventos muito fortes, similar ao que ocorreu na terça aqui em casa e na USP. Várias árvores caíram. Vendo os vídeos, nota-se árvores e galhos quebrados, mas não vejo nenhuma torção.”

Vários meteorologistas da Climatempo também viram as imagens da destruição em Panorama e, numa primeira análise, também descartaram a ocorrência de tornado, mas apontaram para um downbusrt ou um microburst (micro explosão). Existe também macroburst.

 

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Todos estes fenômenos são basicamente correntes de ar extremamente fortes que se desprendem da base de algumas nuvens cumulonimbus. Ventania, chuva intensa, descargas elétricas e granizo são fenômenos meteorológicos comuns gerados por estas nuvens.

Afinal, qual a diferença entre a ventania do tornado, de um downbusrt ou um microburst? A meteorologista Josélia Pegorim comenta.

 

 

 

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