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Cadê a chuva da ZCIT?

19/02/2016 às 12:16
por Josélia Pegorim

Atualizado 13/03/2016 às 19:01

De janeiro a abril, a nebulosidade e a chuva normalmente aumentam no extremo norte do Brasil, de Roraima ao Rio Grande do Norte. É durante estes meses que a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) avança sobre o Brasil trazendo suas nuvens carregadas que provocam muita chuva. A ZCIT. Este é o principal sistema meteorológico que provoca chuva no verão e em parte do outono sobre a porção norte do Nordeste.

Macapá, capital do Amapá, São Luís, capital do Maranhão, Fortaleza, capital do Ceará são algumas das regiões brasileiras onde o período mais chuvoso do ano é totalmente dependente da ZCIT. Veja os gráficos da climatologia de Macapá e de Fortaleza.

 

 

 

 

Em janeiro de 2016, choveu muito sobre grande parte do Nordeste, mas não foi por causa da ZCIT. A chuva veio da instabilidade gerada pela atuação de um vórtice ciclônico em altos níveis (10 km de altitude) e de frentes frias que chegaram ao litoral da Bahia. Mas em Macapá, onde a ZCIT já deveria trazer aumento de chuva, quase não choveu em janeiro. O total acumulado em 31 dias foi da ordem de 105 mm, mas mais da metade de chuva (65 mm) caiu no último dia do mês.

 

 

Na primeira quinzena de fevereiro, a chuva parou sobre o Nordeste e poucos eventos de chuva ocorreram, mesmo na faixa norte da Região onde normalmente já chove com frequência. Em São Luís, capital do Maranhão, choveu 35,2 mm em fevereiro de 2016, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, sendo que a média climatológica é de quase 382 mm. Em 19 dias do mês choveu apenas 10% da média.

Cadê a chuva da ZCIT? O que está acontecendo este ano? A atividade da ZCIT ainda vai aumentar este ano no Norte e no Nordeste do Brasil?

O meteorologista Alexandre Nascimento explica o que esperar da chuva da ZCIT nos próximos meses.

 

 

O que é a ZCIT?

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), é o principal sistema meteorológico que provoca chuva no verão no extremo norte do Brasil. Quase toda a chuva do ano em estados como Roraima e Amapá, no norte do Amazonas e do Pará, e na faixa norte do Nordeste, do Maranhão ao Rio Grande do Norte e Paraíba é provocada pelas áreas de instabilidade da ZCIT. A chuva deste sistema chega também ao sertão.

A Zona de Convergência Intertropical é caracterizada por bandas de nuvens carregadas que se formam com o calor e a umidade elevada dos trópicos. A organização das áreas de instabilidade ocorre no encontro (convergência) dos ventos Alísios da direção nordeste, que sopram na região tropical no Hemisfério Norte, e dos ventos Alísios da direção sudeste que sopram do Hemisfério Sul também na região tropical.

 

 

A ZCIT é um dos fenômenos meteorológico de escala global. As áreas de instabilidade deste sistema se formam na região tropical de todo o globo. Porém, sua atividade chuvosa depende da temperatura da água do mar.

As áreas de instabilidade tendem a se deslocar sempre para a região onde a água do mar está mais quente. No caso do Brasil, a atividade chuvosa da ZCIT é muito dependente da temperatura da água do oceano Atlântico Norte e do Atlântico Sul.

 

Como o El Niño influencia a ZCIT?

O El Niño é um fenômeno de interação do oceano com a atmosfera caracterizado por um aquecimento acima do normal das águas do oceano Pacífico Equatorial. Com as águas mais quentes, ocorrem grandes mudanças nos padrões normais de vento e de pressão da circulação geral da atmosfera, o que gera alteração no padrão climático de chuva e de temperatura em várias regiões do globo.

Uma das principais interferências do El Niño no Brasil é diminuição da frequência chuva sobre o norte do Nordeste e sobre parte da Região Norte.

Os infográficos vão ajudar você a entender as mudanças nos ventos e na pressão atmosférica causadas pelo El Niño.

 

A Circulação de Walker e o El Niño

 

Numa situação normal, sem El Niño, com as águas do oceano Pacífico com temperatura dentro da normalidade, existe uma circulação natural sobre o Pacífico entre a costa da América do Sul e a região onde está a Indonésia.

As águas quentes ficam concentradas do lado da Indonésia. O ar quente e úmido que sai desta região se eleva gerando muitas nuvens de chuva. Em altitudes mais elevadas da atmosfera, o ar se esfria e desce seco sobre a região da costa do Peru. Em outras palavras, sem o El Niño, uma região de baixa pressão se forma na região da Indonésia e uma região de alta pressão atmosférica se forma na região do Peru. A baixa pressão produz muitas nuvens e chuva; a alta pressão reduz a nebulosidade e as condições para chuva.

A circulação de ar formada no sentido leste-oeste sobre a região equatorial do globo é chamada de Circulação de Walker.

 

 

 

Um sistema de alta pressão se estabelece na região onde o fluxo de ar desce. Este fluxo de ar de cima para baixo é chamado de subsidência ou ar subsidente.