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Clima e Previsão do Tempo/Notícias/Educação Climática/O que é a Oscilação Antártica e como o fenômeno interfere no clima no Brasil

O que é a Oscilação Antártica e como o fenômeno interfere no clima no Brasil

Esta é uma das teleconexões mais importantes para monitorar o deslocamento das frentes frias da Antártida para a América do Sul.

Josélia Pegorim

01/10/2026 às 22:25

Imagem da notícia O que é a Oscilação Antártica e como o fenômeno interfere no clima no Brasil
A Oscilação Antártica é uma relação entre variações de ventos e pressão atmosférica entre a Antártida e o sul da América do Sul (Imagem de satélite do Serviço Nacional de Meteorologia da Argentina)

O que é a AAO?

A Oscilação Antártica é um fenômeno natural e relaciona o comportamento dos ventos e da pressão atmosférica observadas entre a Antártida e a região sul da Patagônia, aproximadamente na altura da latitude 45°S, no sul da América do Sul. As variações deste comportmento interferem na quantidade de frentes frias que avançam sobre a América do Sul e chegam ao Brasil.

A Oscilação Antártida também é conhecida como Modo Anular Sul, Southern Annular Mode, SAM, na sigla em inglês.

A Oscilação Antártica (AAO) é um fenômeno meteorológico que não tem uma duração regular podendo atuar no mesmo padrão por algumas semanas a alguns meses. Os modos de atuação da AAO são chamados pelos meteorologistas de fase negativa e de fase positiva e interferem no deslocamento das frentes frias da Antártida em direção à América do Sul.

Saber em que fase está a AAO, e por quanto tempo a mesma fase vai atuar, é muito importante na previsão do tempo de médio e longo prazo (de 15 dias a 1 mês), porque isso interfere na quantidade de frentes frias que poderá chegar ao Brasil e, consequentemente, no comportamento da chuva e a temperatura.

Características da fase negativa e da fase positiva da AAO

Na fase positiva da AAO, a pressão atmosférica fica relativamente mais alta nas latitudes médias, região do sul da Patagônia, e relativamente mais baixa sobre a Antártica. Isso fortalece os ventos de oeste e mantém a maioria das frentes frias e dos ciclones extratropicais mais ao sul, mais próximas da Antártida, dificultando o avanço das frentes frias para o Brasil.

Na fase negativa da AAO, ocorre o contrário: a pressão atmosférica fica relativamente mais baixa no sul da Patagônia e mais alta sobre a Antártida. Os ventos de oeste enfraquecem, ou ficam mais ao norte, mais próximos da América do Sul, favorecendo o avanço de frentes frias e das massas de ar polar para o Brasil.

  • Quando os ventos de oeste enfraquecem sobre a Antártida, as massas de ar frio podem se deslocar com maior frequência em direção à América do Sul. Isso quer dizer mais frentes frias avançando sobre a América do Sul e podendo chegar ao Brasil.

Relação entre o El Niño e a Oscilação Antártica

Vários estudos científicos mostraram que a fase negativa da Oscilação Antártica (que facilita o deslocamento das frentes frias para a América do Sul) fica mais frequente em anos de El Niño.

O excesso de chuva e temperatura abaixo do normal no centro-sul do Brasil em setembro de 2026 pode ser explicado pelo período de fase negativa da Oscilação Antártica que predominou na primeira quinzena do mês.

Com o fortalecimento do El Niño, devendo atingir seu máximo entre meados da primavera de 2026 e o começo do verão 2026/202, a fase negativa da Oscilação Antártica tende a intensificar. Os períodos de fase negativa da AAO podem ser mais frequentes na primavera e isso vai refletir em novos episódios de chuva volumosa no centro-sul do Brasil. Não necessariamente sempre sobre o Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, como ocorreu na primeira quinzena de setembro, mas estes estados vão continuar sujeitos a novos episódios de chuva atípica.

Saiba mais sobre a Oscilação Antártica


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