Tornado, microexplosão e macroexplosão são basicamente correntes de ar extremamente fortes que se desprendem da base de algumas nuvens cumulonimbus muito extensas chamadas de supercélulas.
A identificação de cada um destes fenômenos exige uma análise técnica que é feita através da observação de imagens específicas das áreas de chuva feita por radares meteorológicos, por imagens da nebulosidade feita por satélites meteorológicos e pela análise do tipo de dano no local onde houve suspeita de ocorrência do vento com velocidade extrema.
Tornado e microexplosão: fenômenos diferentes, danos parecidos
Tornado e microexplosão são correntes de vento muito fortes originadas por nuvens cumulonimbus muito extensas chamadas de supercélulas. Os dois fenômenos são considerados como “tempo severo” e causam danos parecidos, mas tecnicamente são fenômenos meteorológicos diferentes.
Uma microexplosão é caracterizada por uma corrente de ar muito forte que desce da base da supercélula e atinge o solo de forma circular e divergente (vento vai para todos os lados). Em geral, o vento forte vem junto com a chuva, mas concentrada numa área de até 4 quilômetros. Os danos causados por uma microexplosão e um tornado são muito semelhantes. Uma microexplosão intensa pode causar rajadas de ventos tão violentas como a de um tornado de categoria EF 1, com velocidade entre 138 e 177 km/h, aproximadamente, conforme a escala Fujita Aprimorada (veja explicação abaixo). Não podemos “ver” uma microexplosão na nossa frente como um tornado.
O tornado é uma corrente de ar ascendente gerada entre a base da supercélula e o solo, em forma de funil, com movimento giratório. A passagem de um tornado provoca torções em objetos justamente por causa desta característica de giro intenso. O prolongamento da base da supercélula em formato de funil é visível no horizonte. Quando o funil toca o solo chamamos de tornado. Em muitos casos, o funil é visível apenas na base da nuvem e não chega ao solo. O tornado pode se deslocar e causa danos em alguns quilômetros. O mesmo padrão de estragos é visível ao longo de um caminho.

Diferenças entre tornado e microexplosão (Info Climatempo)
O que os meteorologistas conseguem prever?
Na prática, os meteorologistas conseguem antever com até dois dias de antecedência as condições atmosféricas propícias para a formação de uma supercélula numa região grande. Mas a detecção da supercélula só é possível ser feita hora antes da ventania ocorrer. Mesmo assim, os meteorologistas não conseguem indicar onde exatamente vai ocorrer a microexplosão e nem o tornado, porque são fenômenos que ocorrem num tempo muito pequeno, de poucos minutos.
A rapidez de formação e de atuação de um tornado e de uma microexplosão é um dos principais motivos que limitam muito a previsibilidade destes fenômenos.
Como se proteger?
Mesmo não sendo possível dizer quando e onde extamente um tornado ou uma microexplosão vai ocorrer, é importante que a população esteja atenta aos alertas de temporal, de situações meteorológicas especais, que são enviados pela defesa civil nos celulares e via SMS, além de informações de serviços de informação meteorológica de empresas confiáveis e órgãos públicos oficiais.
Os alertas meteorológicos são emitidos a partir de avaliações técnicas criteriosas e são para proteger vidas, diminuir perdas materiais. Alerta é prevenção e não deve ser motivo de pânico.
Classificação da força de tornados
A escala Fujita mede a intensidade dos tornados a partir do tipo e da gravidade dos danos causados em uma determinada área. A primeira versão da escala Fujita foi apresentada pelo dr. T. Theodore Fujita, em fevereiro de 1971, em um artigo de pesquisa publicado numa revista científica dos Estados Unidos. Os objetivos da escala foram:
– classificar cada tornado por sua intensidade e sua área de atuação
– estimar a velocidade do vento associada aos danos causados pelo tornado
O dr. Fujita propôs uma divisão em 5 categorias: 0 (mais fraco) a 5 (extremo, mais intenso de todos).
- O vento da escala Fujita é uma estimativa baseada nos danos observados; não é uma escala de velocidade efetivamente medida por instrumentos.
Com o uso nas avaliações dos tornados que ocorrem nos Estados Unidos, verificou-se a necessidade de ajustes na escala Fujita original. A partir de fevereiro 2007, o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos passou a usar a escala Fujita Aprimorada (EF). A escala Fujita é usada para atribuir uma “classificação” a um tornado, a partir da estimativa da velocidade do vento e dos danos causados. O trabalho de avaliação é criterioso e é feito em vários pontos por onde um mesmo tornado pode ter passado. Os danos causados pelo tornado são comparados a listas de referência de tipos de danos e de graus de danos, que ajudam a estimar a provável faixa de velocidade do vento que o tornado provocou. A partir desta avaliação de dados é atribuída a classificação de EF0 (tornado mais fraco) a EF5 (tornado mais severo).
Embora a comunidade meteorológica mundial use a escala Fujita para estimar a velocidade de vento causadas por tornados, é preciso sempre lembrar que todos os parâmetros de tipos e graus de danos foram propostos baseados em construções, vegetação e situações comuns dos Estados Unidos. Em média, cerca de 1200 tornados ocorrem durante um ano nos Estados Unidos, segundo levantamento do NWS, que é o Serviço Nacional de Meteorologia norte-americano.
A escala Fujita Aprimorada classifica os tornados de EF0 a EF5:
EF 0: 104,6 km/h a 137,8 km/h
EF 1:138,4 km/h a 177,0 km/h
EF 2: 178,6 km/h a 217,3 km/h
EF 3: 218,9 km/h a 265,5 km/h
EF 4: 267,1 km/h a 321,9 km/h
EF 5: acima de 321,9 km/h




