logo
Faça seu loginavatar
Ícone de localizaçãoSão Paulo, SP
Clima e Previsão do Tempo

Cantareira sobe com chuva de fevereiro, mas nível ainda preocupa

Após duas ZCAS, acumulado de chuva sobe para quase 195 mm no mês e ajuda na recuperação do Catareira, mas armazenamento segue abaixo do registrado em 2025 e mantém cenário de atenção.

Josélia Pegorim

19/02/2026 às 12:13

Imagem da notícia Cantareira sobe com chuva de fevereiro, mas nível ainda preocupa
Chuva de fevereiro de 2026 eleva nível do Cantareira, mas armazenamento ainda está muito abaixo do ideal para esta época do ano (Foto: Getty Images)

Muitas áreas do Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil passaram por dias de muita chuva antes do carnaval de 2026. A chuvarada foi provocada pela atuação de dois episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) que se formaram durante a primeira quinzena de fevereiro. E enquanto a chuva caía quase sem parar, uma pergunta era feita com frequência: está chovendo no Cantareira e nos reservatórios para a geração de energia do Sudeste/Centro-Oeste?
Sim! Choveu bastante sobre o sistema Cantareira na primeira quinzena deste mês, mas a situação atual ainda é de cautela. Imagine que o Cantareira seja um doente em estado grave e que entrou na UTI. A chuva dos 18 dias de fevereiro foi benéfica, mas não tirou o Cantareira da UTI, do quadro de “muita atenção”. Os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste também foram beneficiados pela chuva da primeira quinzena de fevereiro, mas ainda estão com um nível abaixo do que foi observado no mesmo período do ano passado.

Quanto choveu no Cantareira em fevereiro?

A quantidade de chuva em fevereiro sobre o sistema Cantareira, apenas em 18 dias, foi de 194,7 mm, e já é a maior desde janeiro de 2025, quando choveu 227,8 mm sobre a região. Considerando só o mês de fevereiro, o Cantareira recebeu o maior volume de chuva desde 2023, quando fevereiro fechou com 284,4 mm.
Volume de chuva no Cantareira
fevereiro 2026 (até 9h de 18/2/26): 194,7 mm
fevereiro 2025: 166, mm
fevereiro 2024: 166,2 mm
fevereiro 2023: 284,4 mm

Qual a situação atual do armazenamento no Cantareira?

A quantidade de água armazenada até 9 horas de 18/2/26 corresponde a 33,2% da capacidade total. Na prática, o Cantareira ainda está com um armazenamento muito abaixo do ideal para esta época do ano. Há um ano, no dia 18/2/25, o armazenamento era de 59,7%. A chuva de 18 dias de fevereiro de 2026 elevou o armazenamento de água em 10,1%. No dia 1 de fevereiro, o volume de água estava em 23,1%.

Qual a situação atual dos reservatórios para energia do SE/CO?

Atualmente, os reservatórios de energia do submercado Sudeste/Centro-Oeste operam com 54,7% de armazenamento, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Apesar da recuperação observada ao longo das últimas semanas, o nível ainda permanece abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando o armazenamento estava em 67,8%. Em janeiro, o volume útil desses reservatórios chegou a 46,9%, o que significa que houve uma recuperação de 7,3 pontos percentuais até o momento.

Expectativa sobre a chuva de março

A previsão de chuvas para março deve favorecer os reservatórios no Sudeste e o sistema Cantareira, mas não elimina déficit o acumulado. A previsão climática para março indica um cenário mais dentro da normalidade para as chuvas no Sudeste do Brasil, principalmente na segunda quinzena, com impactos positivos sobre os principais reservatórios de geração de energia e sobre o Sistema Cantareira. A expectativa é de um final de verão com precipitações mais consistentes, contribuindo para amenizar a situação crítica dos rios e reservatórios.

Formação de ZCAS na segunda quinzena deve ajudar

De acordo com a análise da Climatempo, podemos ter a formação de duas Zonas de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) ao longo do mês. A primeira deve ocorrer no início da segunda quinzena, enquanto a segunda é esperada para o final de março.
A posição média dessas ZCAS tende a ficar próxima da climatologia, abrangendo áreas do norte de São Paulo, sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro — justamente onde se concentram importantes bacias hidrográficas e reservatórios estratégicos para o setor elétrico e para o abastecimento de água da Grande São Paulo.
Esse padrão favorece episódios de chuva persistente e volumosa, condição típica da ZCAS, que pode gerar acumulados expressivos ao longo de vários dias consecutivos.

Impactos sobre os reservatórios de energia e o Sistema Cantareira

A recuperação observada nos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste é positiva para o Sistema Interligado Nacional (SIN), mas ainda exige monitoramento.

Segundo a meteorologista da Climatempo, Ana Clara Marques, o comportamento da chuva nas próximas semanas será decisivo para consolidar essa melhora.

“A chuva da primeira quinzena de fevereiro foi importante para interromper a queda nos níveis dos reservatórios e iniciar uma recuperação. Para o setor elétrico, março será estratégico. Se as duas ZCAS esperadas se confirmarem e atuarem nas bacias do Sudeste, teremos uma recomposição mais consistente. Ainda assim, não é uma situação de conforto, é de atenção”, explica Ana Clara.

A especialista destaca que o Sudeste concentra a maior capacidade de geração hidrelétrica do país, o que torna o desempenho das chuvas na região determinante para o equilíbrio do sistema elétrico.

No caso do Sistema Cantareira, que abastece a Região Metropolitana de São Paulo, o cenário também é de alívio temporário. A reposição hídrica tende a melhorar com os episódios de chuva mais abrangentes e persistentes, reduzindo pressões de curto prazo sobre o sistema.
Além disso, não há indicativos de um encerramento precoce do período chuvoso ou de uma interrupção abrupta no padrão de precipitações sobre o Sudeste. Isso reforça a perspectiva de um final de verão com chuvas dentro a acima da média em áreas estratégicas.

Alívio, mas não tranquilidade total

Apesar do cenário mais favorável em março, é importante destacar que as chuvas previstas não compensam integralmente o déficit acumulado durante a primavera e o mês de janeiro. Assim, embora março deva ajudar a aliviar a situação hídrica e energética, o quadro ainda exige acompanhamento atento. A recuperação tende a ser parcial, e o comportamento das chuvas nos meses de outono devem ser acompanhados com cautela.
Em síntese, março deve trazer boas notícias em termos de precipitação no Sudeste, com impactos positivos sobre o setor elétrico e o abastecimento de água, mas sem eliminar completamente os efeitos do déficit observado nos meses anteriores.


Previsão para sua cidade

Veja aqui!
São Paulo - SP
20°28°
25mm
saiba mais
São Caetano do Sul - SP
18°26°
16mm
saiba mais
Guarulhos - SP
18°27°
17mm
saiba mais
Diadema - SP
19°25°
7mm
saiba mais
Osasco - SP
18°27°
9mm
saiba mais
Santo André - SP
19°25°
6mm
saiba mais
Imagem Chuva forte e temporais no Centro-Oeste e Norte e o tempo abafado persiste nos próximos dias

Chuva forte e temporais no Centro-Oeste e Norte e o tempo abafado persiste nos próximos dias

Imagem Massa de ar polar reduz as temperaturas no Sul do Brasil no fim de fevereiro

Massa de ar polar reduz as temperaturas no Sul do Brasil no fim de fevereiro

Imagem Previsão Brasil (25/02): Temporais e chuva forte seguem ocorrendo por grande parte do país

Previsão Brasil (25/02): Temporais e chuva forte seguem ocorrendo por grande parte do país

Imagem Juiz de Fora (MG) sofre uma das maiores tragédias do verão 2026

Juiz de Fora (MG) sofre uma das maiores tragédias do verão 2026