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Clima e Previsão do Tempo/Notícias/Energia/Seca no Sul pressiona o setor elétrico

Seca no Sul pressiona o setor elétrico

Sistema SE/CO chegam ao fim do período úmido regulamentar numa situação relativamente confortável, com 61% de armazenamento. Norte vai fechar o verão com cerca de 91% e Nordeste com 83%.

Josélia Pegorim

19/03/2026 às 18:07

Imagem da notícia Seca no Sul pressiona o setor elétrico
Verão 2025/2026 termina com situação relativamente confortável nos reservatórios para geração de energia do sistema Sudeste/Centro-Oeste, mas Sul em grande baixa de armazenamento (Foto: Getty Images)

por Rennan Barbosa, meteorologista da Climatempo

Os principais reservatórios de usinas hidrelétricas do país, concentrados no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, devem encerrar o verão com volumes acima de 60% de armazenamento, indicando uma condição relativamente confortável para o atendimento da demanda no curto prazo.

Por outro lado, a situação no Sul do Brasil segue preocupante. A persistência de baixos volumes de chuva nos últimos meses reduziu significativamente os níveis dos reservatórios, que permanecem bastante abaixo do ideal. Esse cenário coloca a região como o principal ponto de atenção para a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

De acordo com o último informativo do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o SIN opera atualmente com 64,6% da capacidade total de armazenamento. Entre os subsistemas, o Sul apresenta o quadro mais crítico, com apenas 35,3%. Já o Sudeste/Centro-Oeste registra 61,0%, o Norte 90,8% e o Nordeste 82,8%.

Para Rennan Barbosa, meteorologista da Climatempo, o quadro atual exige atenção constante às condições hidrológicas, especialmente no Sul, hoje o principal foco de preocupação do setor elétrico.

Comportamento da chuva nos últimos meses

De acordo com o mapa abaixo, que apresenta a anomalia de precipitação observada nos últimos três meses (dezembro, janeiro e fevereiro?), as áreas em tons de marrom indicam regiões com chuva abaixo da média, enquanto os tons em verde representam volumes acima da média histórica.

Anomalia de precipitação  no Sul do Brasil no verão 2025/2026, entre 17/12/2025 a 16/3/2026

Anomalia de precipitação no Sul do Brasil no verão 2025/2026, entre 17/12/2025 a 16/3/2026 (Fonte: Climatempo)

Nota-se que na Região Sul do país, as anomalias negativas (tons de marrom) são intensas, evidenciando um déficit significativo de precipitação. Esse padrão explica os baixos níveis dos reservatórios na região, que vêm apresentando dificuldade de recuperação diante da persistência da escassez de chuvas nos últimos meses.

O que esperar para os próximos meses

Diferentemente do Sudeste do Brasil, o Sul não apresenta uma climatologia tão bem definida. Para o mês de abril, a previsão indica chuvas abaixo da média nos reservatórios, em função da baixa frequência de frentes frias conseguindo avançar pela região. Assim, o volume esperado não deve ser suficiente para uma recuperação hidrológica significativa.

De acordo com Marcely Sonderman, meteorologista e consultora da Climatempo, as análises mais recentes indicam retorno gradual das chuvas no Sul do país em maio e em junho, com episódios mais frequentes de sistemas transientes. Além disso, a possível formação de um evento El Niño pode contribuir para a intensificação das precipitações durante o segundo semestre.

Impactos do El Niño

A previsão da Climatempo aponta para a configuração do El Niño de intensidade moderada a forte a partir do próximo trimestre. Esse fenômeno tende a alterar os padrões de circulação atmosférica na América do Sul, gerando impactos relevantes no regime de chuvas no Brasil.

De forma geral, o El Niño está associado a um aumento das precipitações na região Sul e a uma distribuição irregular das chuvas no Sudeste, especialmente durante a primavera e o verão.

Para o Sudeste, principal região de geração hidrelétrica do país, os impactos são mais complexos. Embora possam ocorrer episódios de chuva, há maior variabilidade temporal e aumento do risco de veranicos prolongados, o que pode comprometer a regularidade das afluências aos reservatórios e dificultar a recuperação consistente dos níveis de armazenamento


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