Uma onda oceânica repentina e violenta avançou sobre praias lotadas do litoral da Argentina em 13 de janeiro de 2026, pegando banhistas e moradores completamente desprevenidos. O episódio ocorreu em Mar del Plata e cidades vizinhas da costa atlântica, deixando ao menos uma vítima fatal e dezenas de feridos, além de provocar cenas de pânico, destruição de estruturas costeiras e resgates de emergência. O evento chamou atenção por não ter sido causado por terremoto ou atividade sísmica, mas sim por um fenômeno atmosférico raro: o meteotsunami.
Segundo o meteorologista da Climatempo, Gustavo Verardo, meteotsunamis ganharam destaque nos últimos anos no Brasil, especificamente em Santa Catarina em 2023 e 2024. Mas o caso mais recente inclusive com uma morte foi registrado em janeiro de 2026 na cidade Mar del Plata no litoral argentino. Mas afinal, o que são esses fenômenos e a que estão associados?
Importante destacar que os Meteotsunamis não estão relacionados a processos sísmicos, como os observados no Japão, Indonésia e Chile, por exemplo. Os Meteotsunamis ocorrer estritamente devido à grandes variações na pressão atmosférica associadas à sistemas meteorológicos robustos como ciclones e frentes frias.
Quando esses sistemas meteorológicos se propagam sobre o oceano, geram pulsos de pressão e fortes rajadas de vento na atmosfera. A influência da pressão atmosférica sobre a superfície oceânica favorece uma amplificação de onda que avança para a costa e a depender de sua intensidade pode provocar muitos estragos pelo avanço das águas.
Os casos mais recentes no Brasil, conforme mencionado anteriormente ocorreram nas cidades de Laguna e Jaguaruna, ambas em Santa Catarina em 11/11/23 e 02/12/24 respectivamente. Inclusive o último evento de Jaguaruna provocou muitos estragos como alagamentos em diversas residências e quedas de muros.
Mas a grande questão é: temos como prever Meteotsunamis? Bem, por enquanto ainda não, por se tratar de um fenômeno ligado à diferentes variáveis meteorológicas como pressão atmosférica e ventos. Porém, é importante destacar que áreas do Sul e Sudeste além dos litorais uruguaio e argentino, estão suscetíveis à ocorrência desses fenômenos em qualquer época do ano por estarem geograficamente em uma área com grande influência de ciclones e frentes frias.

Fonte: SCIENCENOTES.ORG
A ilustração digital mostra a sequência de formação de um meteotsunami, começando com nuvens de tempestade emitindo fortes relâmpagos sobre o oceano, que dão origem ao desenvolvimento de uma onda. Uma seta vermelha destaca a grande onda em forma de espiral em primeiro plano, com um fundo de céu azul suave que se torna mais intenso na parte superior, enquanto a água próxima à costa reflete um tom rosado suave.




