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Clima e Previsão do Tempo/Notícias/Outono/Chuva da primeira quinzena de junho de 2026 foi muito acima do normal no SE e CO do Brasil

Chuva da primeira quinzena de junho de 2026 foi muito acima do normal no SE e CO do Brasil

Goiânia está tendo o segundo junho mais chuvoso em 65 anos. Nunca choveu tanto em junho em Brasília, desde a fundação da cidade. Triângulo Mineiro, extremo norte de SP, áreas no sul de GO e no nordeste de MS acumularam mais de 100 mm na primeira quinzena de junho de 2026.

Josélia Pegorim

16/06/2026 às 12:17

Imagem da notícia Chuva da primeira quinzena de junho de 2026 foi muito acima do normal no SE e CO do Brasil
Sudeste e Centro-Oeste acumularam volumes de chuva muito acima do normal na primeira quinzena de junho de 2026 (Foto: Getty Images)

O volume de chuva da primeira quinzena de junho de 2026 foi excepcionalmente elevado em várias áreas do Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil. Em alguns locais, o total de chuva acumulado em 15 dias superou em mais de 10 vezes a média de precipitação para junho. Áreas na divisa de Goiás com Minas Gerais registraram mais de 200 mm, um valor completamente fora do normal, considerando que a média de precipitação para junho nesta região varia de 20 a 30 mm.

As capitais Goiânia e Brasília registraram recordes de chuva para junho em décadas. Em alguns bairros da cidade do Rio de Janeiro, a chuva da primeira quinzena de junho de 2026 dobrou a média.

Mais de 100 mm em áreas de SP, MG, GO e MS

O mapa abaixo mostra uma composição entre a climatologia de precipitação para junho, considerando valores médios calculados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), para o período de 1991 a 2020, e as faixas médias de acumulados registrados de 1 a 15 de junho de 2026 pelo INMET e pelo CEMADEN – Centro Nacional de Monitoramento e Desastres Naturais.

Comparação emtre a média normal de precipitação para junho no Sudeste e no Centro-Oeste do Brasil e o acumulado na primeira quinzena de junho de 2026

Comparação emtre a média normal de precipitação para junho no Sudeste e no Centro-Oeste do Brasil e o acumulado na primeira quinzena de junho de 2026 (Fonte: INMET e CLIMATEMPO)

Na região de divisa entre o Triângulo Mineiro e o sudeste de Goiás, muitas áreas acumularam de 60 a quase 230 mm de chuva. Na região da UHE Ilha Solteira/Ponte São Domingos (MG), a ANA – Agência Nacional de Águas – registrou 227 mm. Na região da UHE Engenheiro Luiz Muller (GO) choveu aproximadamente 206 mm de 1 a 15 de junho de 2016.

No extremo norte de São Paulo, os acumulados de chuva na primeira quinzena de junho variaram, em média, de 60 a 175 mm. Em Andradina, o CIIAgro- Centro Integrado de Informações a Agrometeorológicas – registrou 175,3 mm. Em Indiaporã choveu 162,6 mm.

No nordeste de Mato Grosso do Sul, região próxima da divisa com São Paulo, Minas Gerais e Goiás, o total de chuva da primeira quinzena de junho variou de 50 a 120 mm, na maior parte da região. Em Três Lagoas choveu 129,2 mm e em Paranaíba 116,6 mm.

Em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, o CEMADEN registrou 119,2 mm e o INMET 63,2 mm na primeira quinzena de junho de 2026. A média histórica de precipitação para o mês varia de 60 a 80 mm.

Na região da cidade de São Paulo a média de precipitação para junho é de aproximadamente 60 mm. Pelas medições do INMET, do CEMADEN e do CGE – Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da prefeitura da cidade de São Paulo – choveu de 40 a quase 57 mm em muitos bairros. Na região do Mirante de Santana, na zona norte da capital paulista, o INMET registrou 40,2 mm na primeira quinzena de junho de 2026, o que corresponde a 67% da média.

No sul do Espírito Santo, o total de chuva na primeira quinzena de junho de 2026 variou de 20 a 50 mm. Mas na região de Guarapari no CEMADEN 86,8 mm.

No noroeste de Minas Gerais, uma região onde chover em junho é bastante raro, diversos locais acumularam de 15 a 40 mm nos primeiros 15 dias de junho de 2026. Na região de Montes Claros, o INMET registrou 32,1 mm. A média climatológica de precipitação para junho é de apenas 2 mm. Na região de Unaí, o CEMADEN registrou 42,2 mm.

Na maioria das áreas do estado de Goiás, a média de precipitação para junho varia de 10 a 20 mm. Em vários locais entre a região de Goiânia e de Brasília, choveu de 30 a 70 mm.

Mais chuva à chuva à vista

Ainda há condições para mais chuva ao longo do mês de junho. Para os primeiros dias do inverno de 2026, a previsão é de passagem de uma grande frente fria pelo Brasil, que poderá trazer um pouco mais de chuva para diversas áreas do Centro-Oeste e do interior da região Sudeste do Brasil, mantendo as condições atípicas de junho de 2026.
O inverno de 2026 se inicia oficialmente às 5h24, horário de Brasília, do dia 21 de junho.

Chuva de junho de 2026 é recorde histórico em Brasília desde 1961

Brasília está tendo um junho histórico em relação à chuva. Nunca choveu tanto nesta época como está sendo observado em 2026. A quantidade de chuva observada na primeira quinzena de junho de 2026 já é a maior, para este mês, desde 1961 quando começaram as medições meteorológicas regulares na capital federal.

Conforme medição do Instituto Nacional de Meteorologia, Brasília já registrou 54,5 mm de chuva na primeira quinzena de junho de 2026, mas praticamente toda a chuva caiu em três fortes pancadas entre os dias 12 e 15 de junho. Junho de 2026 já pode ser considerado excepcionalmente úmido na região do Distrito Federal, pois a média histórica de precipitação, calculada para o período de 1991 a 2020, é de apenas 3,3 mm. Então, em junho de 2026, Brasília já teve 16 vezes mais chuva do que o normal.

Junhos mais chuvosos em Brasília de 1961 a 2026

2026: 54,5 mm (até 15 de junho)
1988: 43,8 mm
1977: 38,0 mm
1971: 33,8 mm
1965: 31,8 mm

Goiânia tem segundo junho com mais chuva em 65 anos

Total acumulado em apenas 3 dias foi cerca de 7 vezes superior à média normal de precipitação para junho
A chuva forte que caiu sobre Goiânia no último fim de semana foi excepcional para junho. O Instituto Nacional de Meteorologia registrou 47,4 mm entre 9h do dia 14 e 9 horas de 15 de junho, mas efetivamente a chuva caiu toda no domingo, 14 de junho. O temporal causou estragos na capital goiana. Somando os dois outros episódios de chuva entre os dias 13 e 14 e entre 11 e 12 de junho, Goiânia acumulou 60,9 mm. Este volume de chuva é completamente fora do comum para junho, que historicamente é um mês de seca na região do estado de Goiás, de forma geral. O normal é não chover em junho.

A média de precipitação para junho em Goiânia é de apenas 8,4 mm. Os 60,9 mm acumulados apenas em 3 dias representam cerca de 7 vezes mais do que a média, fazendo de junho de 2026 o segundo junho com mais chuva em Goiânia em 65 anos, desde 1961.

5 junhos mais chuvosos em Goiânia de 1961 a 2026 (Inmet)

1997 – 76,4 mm
2026 – 60,9 mm (acumulado da primeira quinzena de junho, mas quase toda a chuva, 47,4 mm, caiu entre 14 e 15 de junho)
1988 – 51,6 mm
1977 – 50,8 mm
1965 – 50,6 mm

Chuva de junho supera a média no Rio de Janeiro na primeira quinzena do mês

A chuva de junho de 2026, em particular a que ocorreu na segunda semana do mês, surpreendeu no Rio de Janeiro. Pela medição do Alerta Rio, até por volta das 19h de 15/6/26, em 13 (quase metade) dos 33 pontos de medição espalhados pela cidade, acumularam pelo menos 58 mm de chuva na primeira quinzena de junho, igualando ou superando a média geral de precipitação para o mês, que é de 58,4 mm, cálculo para o período de 1997 a 2025.

A passagem de várias frentes frias, a influência de áreas de baixa pressão atmosférica perto do litoral fluminense e a tendência de circulação de ventos ciclônica na média atmosfera em alguns dias da primeira quinzena de junho justificam o excesso de chuva na cidade do Rio de Janeiro.

Confira os maiores acumulados registrados pelo Alerta Rio em junho de 2026, até por volta das 19h de 15/6/26

144,0 mm Rocinha
142,0 mm Alto da Boa Vista
110,4 mm Jardim Botânico
96,2 mm Laranjeiras
74,6 mm Barra/Riocentro
72,8 mm Santa Cruz
70,4 mm Santa Teresa
69,4 mm Urca
67,8 mm Vidigal
60,2 mm Copacabana
58,2 mm Grota Funda
58,2 mm Tijuca/Muda
58,0 mm Barra/Barrinha


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