Rio Grande do Sul entra em período prolongado de tempo severo a partir de quinta-feira
O Rio Grande do Sul deve entrar em um período de elevada instabilidade atmosférica a partir de quinta-feira, 16 de julho. As últimas análises realizadas pelos meteorologistas da Climatempo indicam vários dias consecutivos com risco de temporais, chuva forte, rajadas intensas de vento, granizo e grande quantidade de descargas elétricas.
O cenário exige atenção porque as áreas de instabilidade podem permanecer sobre o estado por um período prolongado. No entanto, a distribuição e a intensidade da chuva ainda podem sofrer ajustes, já que a atmosfera seguirá dinâmica ao longo dos próximos dias.
Temporais começam pelo oeste e pelo centro do estado
As primeiras áreas de instabilidade devem se formar entre o fim da tarde e a noite de quinta-feira no oeste, na Campanha e na Região Central.
Nessas áreas, há condições para pancadas de chuva acompanhadas por temporais, com rajadas de vento que podem superar os 90 km/h, alta incidência de raios e possibilidade de granizo. Também há risco de queda de árvores, danos à rede elétrica e interrupções pontuais no fornecimento de energia.
Enquanto isso, boa parte da metade norte do estado ainda deve permanecer com tempo seco e temperaturas elevadas.

Configuração na atmosfera deverá contribuir para que as instabilidades se concentrem sobre o RS nos próximos dias.
Risco aumenta na sexta-feira
Na sexta-feira, 17 de julho, o cenário de tempo severo se intensifica com potencial para transtornos nas regiões Central, Campanha e Zona Sul. Nessas áreas, a chuva poderá registrar elevados acumulados de forma localizada, favorecendo alagamentos momentâneos. O risco para granizo permanece elevado, assim como a ocorrência de descargas elétricas e danos à rede elétrica. Também não se descarta a ocorrência de microexplosões e tornados.
A chuva pode ocorrer com forte intensidade e acumular volumes elevados em curto intervalo de tempo. Essa condição aumenta o risco de alagamentos momentâneos, especialmente em áreas urbanas com drenagem deficiente.
Também permanecem elevados os riscos de granizo, descargas elétricas frequentes e rajadas de vento entre 70 e 90 km/h – podendo pontualmente ultrapassar os 90 km/h.
Fator importante: O intenso transporte de calor e umidade pelo Jato de Baixos Níveis favorecerá uma atmosfera extremamente instável. Na região de Santa Maria, o Vento Norte soprará de forma persistente, com rajadas que podem superar 90 km/h. Na metade norte do Estado (Missões, Planalto, Serra e divisa com Santa Catarina), a tendência é de tempo estável e temperaturas elevadas, porém com rajadas fortes de vento que poderão causar transtornos.
Frente fria espalha a instabilidade pelo estado
Ao longo do fim de semana, a frente fria avança gradualmente em direção ao norte do Rio Grande do Sul e espalha as áreas de chuva e temporais por outras regiões.
No sábado (18), a atenção segue entre as regiões Oeste, Missões, Campanha, Centro e Zona Sul. Nessas áreas, os elevados acumulados de chuva poderão provocar alagamentos e transbordamentos de córregos.
Na Região Metropolitana, o risco de temporais permanece, embora a chuva ocorra de forma mais irregular, em pancadas, sem afastar a possibilidade de eventos severos. Na divisa com Santa Catarina, especialmente nos Campos de Cima da Serra, a probabilidade de tempestades é menor, predominando rajadas de vento de até 80 km/h. E nas regiões Oeste e Central, os acumulados de chuva poderão superar 100 mm de forma pontual.
No domingo (19), o sistema frontal ganha intensidade, concentrando a chuva mais intensa e a maior probabilidade de tempestades severas nas regiões Oeste, Missões, Central e Campanha. O transporte de calor e umidade continuará intensificando a instabilidade atmosférica, favorecendo chuva forte, granizo, rajadas de vento acima de 90 km/h e potencial para alagamentos.
As áreas de Uruguaiana, Alegrete, Santana do Livramento, São Borja, São Luiz Gonzaga, Santiago e Santa Maria apresentam maior probabilidade de ocorrência de tempo severo. Na Região Metropolitana, o risco de tempestades aumenta em relação ao dia anterior devido às elevadas temperaturas. E nas regiões Oeste e Central, os acumulados de chuva poderão superar 100 mm de forma localizada.
Chuva pode continuar no começo da próxima semana
A instabilidade não deve se encerrar com o fim de semana. Na segunda-feira, 20 de julho, os maiores acumulados de chuva e o maior potencial para tempo severo concentram-se nas regiões Oeste, Campanha, Centro, Missões, Vales, Metropolitana e Zona Sul.
Nessas áreas, as rajadas de vento poderão superar 90 km/h, com potencial para danos à rede elétrica. Destaca-se também o elevado risco para chuva intensa, alagamentos e transbordamentos de córregos. Na Região Metropolitana, a condição para temporais permanece elevada.
A persistência da chuva aumenta o risco de alagamentos, elevação rápida de córregos e transtornos à população. Os índices de instabilidade também continuam elevados, mantendo condições para rajadas fortes de vento e possíveis interrupções no fornecimento de energia.
Nos dias seguintes, a tendência ainda aponta para a continuidade de períodos de chuva sobre o Rio Grande do Sul. Como os volumes e as regiões mais atingidas podem variar, o cenário será reavaliado a cada nova atualização meteorológica.
Bloqueio atmosférico prolonga o período de instabilidade
A manutenção do tempo severo está relacionada a um bloqueio atmosférico que se fortalece sobre o Sudeste do Brasil.
Esse padrão dificulta o avanço normal dos sistemas meteorológicos e ajuda a concentrar o transporte de calor e umidade sobre o Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, a frente fria encontra dificuldade para se deslocar rapidamente, permanecendo por mais tempo próxima ao estado.
O jato de baixos níveis, uma corrente de ventos que atua nas camadas mais baixas da atmosfera, transporta ar quente e úmido para a região. Esse fluxo fornece energia para a formação de nuvens carregadas e favorece temporais mais intensos.
A combinação entre elevada umidade, calor, ventos fortes em diferentes níveis da atmosfera e a permanência da frente fria sustenta o risco de tempo severo por vários dias.
Cenário exige atenção, mas ainda pode sofrer ajustes
O período entre quinta-feira e o começo da próxima semana concentra o maior risco de temporais. Inicialmente, os principais perigos estão associados a vento forte, granizo, raios e chuva intensa em curto período.
Com a persistência da instabilidade, a atenção passa também para os volumes acumulados e para os efeitos da chuva contínua, como alagamentos, transbordamentos e elevação dos níveis de rios e córregos.



