O Sul do Brasil volta a enfrentar um período de tempo bastante instável durante a última semana de julho de 2026.
No período entre 26 de julho e 1 de agosto de 2026, diversas áreas de instabilidade vão passar sobre o Sul do Brasil espalhando nuvens carregadas sobre os três estados, com potencial para provocar fortes pancadas de chuva. Novamente a chuva mais frequente e volumosa deve ocorrer sobre o Rio Grande do Sul, fazendo com que o estado volte a entrar numa situação de alerta para problemas decorrentes do excesso de precipitação.
- A situação é preocupante porque este novo evento de chuva intensa vai ocorrer após a chuva muito volumosa nesta última semana, que causou transbordamento de rios. Durante a última semana de julho, muitas áreas do Rio Grande do Sul poderão acumular mais de 100 mm.
Situação exige muita atenção
O cenário inspira grande cautela devido à possibilidade de pequenos deslocamentos na faixa de chuva, que podem alterar significativamente as áreas mais afetadas.
- Após a chuva volumosa dos últimos dias, o solo permanece saturado e os níveis dos rios Taquari, Jacuí e Caí continuam elevados, aumentando o potencial para novos transbordamentos.
Período mais crítico
Os dias 27, 28 e 29 de julho de 2026 devem ser os mais críticos, com maior risco de condições atmosféricas que poderão gerar tempestades severas. Mas a formação de uma frente fria e de um ciclone extratropical entre 31 de julho de 1 de agosto também pode gerar tempestades.
A Climatempo segue acompanhando a evolução destes sistemas meteorológicos em tempo real e atualizará continuamente as previsões, especialmente em relação à localização das chuvas mais intensas e às áreas com maior probabilidade de tempestades durante a última semana de julho.
Recomenda-se que a população acompanhe os próximos avisos e mantenha atenção às orientações da Defesa Civil e demais órgãos oficiais.
O que vai provocar a chuva intensa?
Ao longo da última semana de julho de 2026, até a virada para agosto, várias situações meteorológicas vão atuar em conjunto para provocar muita chuva no Sul do Brasil:
- baixas pressões atmosféricas
- passagem de frente fria de forma oceânica
- formação de frente fria no interior do continente
- formação de ciclone extratropical
- tendência de circulação ciclônica dos ventos em torno de 5 km de altitude
- corrente de vento quente e úmido vinda da Amazônia (jato de baixo níveis)
A circulação de ventos em vários níveis da atmosfera sobre a região central da América do Sul vai manter uma área de baixa pressão atmosférica persistente sobre o norte da Argentina e o Paraguai, entre o domingo, 26 de julho, e a quarta-feira dia 29 de julho.Ao mesmo tempo, no domingo 26 de julho, uma frente fria passa pelo sul do Rio Grande do Sul, de forma oceânica.
Entre os dias 27 e 28 de julho, segunda e terça-feira, uma frente fria se organiza entre o centro-norte da Argentina e o Uruguai avançando em direção ao Sul do Brasil. Essa frente fria se afasta rapidamente da Região Sul durante a quarta-feira, 29 de julho, mas ao mesmo tempo, outra frente fria se organiza entre o Sul do Brasil o Paraguai e o norte da Argentina, desta vez associada a um ciclone extratropical. Este ciclone deve se organizar durante o dia 29 de julho próximo do litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
No dia 30 de julho esse ciclone se afasta rapidamente para alto mar e a frente fria avança enfraquecida para a região Sudeste e sobre o Centro-Oeste do país, enquanto o ar frio de origem polar entra sobre o Sul do Brasil ajudando a dissipar as nuvens carregadas.
No dia 30 de julho e em parte do dia 31, uma alta pressão atmosférica deve predominar sobre o Sul do Brasil, no norte da Argentina e no Paraguai e as condições para chuva diminuem muito. Porém, na noite do dia 31, a pressão do ar volta a baixar rapidamente sobre o norte da Argentina e o processo de formação das grandes nuvens recomeça.
Entre os dias 31 de julho e 1 de agosto deve ocorrer uma nova formação de frente fria associada a um ciclone extratropical.
Baixa pressão x alta pressão
Para entender melhor:
- em meteorologia, baixa pressão atmosférica está associada a formação de muitas nuvens, ao tempo instável, a ocorrência de chuva;
nas regiões da atmosfera onde a pressão do ar está baixa, em relação às áreas próximas, ocorre a concentração do ar úmido e quente, que naturalmente impulsionado para camadas mais altas e frias da atmosfera. Este processo pode gerar grandes nuvens, contendo muita água e gelo.
- a alta pressão atmosférica diminui a umidade de uma região; com o a mais seco, menos nuvens se formam e a chance de chover é menor;
a alta pressão atmosférica gera o movimento do ar de cima para baixo, chamado de subsidência, que inibe o crescimento das nuvens dificultando a formação das grandes nuvens de temporal;




