Climatempo

Climatempo Meteorologia

Obter
publicidade

Mais sol no Sudeste, mas a chuva não acabou

02/01/2010 às 09:02
por Josélia Pegorim

A tr
agédia em Angra dos Reis foi  resultado da grande quantidade de chuva que caiu entre a tarde do dia 30 de dezembro de 2009 e o dia 1 de janeiro de 2010. A chuva constante e forte neste período acelerou um processo de deslizamento que já vinha ocorrendo, depois do excesso de chuva observado nos últimos dias. Este é um dos fatores que explica também os outros desmoronamentos, alagamentos e transbordamento de rios que estão sendo observados nas últimas semanas, em várias áreas do Sudeste do Brasil, incluindo a situação na Grande Belo Horizonte,  na Zona da Mata Mineira, em muitas áreas do Estado de São Paulo e na região metropolitana do Rio de Janeiro. Estamos apenas iniciando o verão, que tecnicamente é a estação com maior quantidade e frequência de chuva em todo o Brasil. A chuva aumenta até no Nordeste.  Mas este verão já tem uma característica muito especial e preocupante. Por conta do excesso de chuva que ocorreu no inverno e na primavera de 2009, os solos, rios e represas estão com uma quantidade de água muito acima do normal, para esta época do ano. A quantidade água retida atualmente é comparável ao que se teria no fim do verão, depois da chuva volumosa da estação. Assim, os problemas causados pela chuva, que normalmente são observados em todos os verões, começaram muito mais cedo neste verão 2009/2010. Daqui para frente, lembrando sempre que os rios e os solos já estão com água demais, deslizamentos, transbordamento de rios e córregos  podem ocorrer mesmo sem haver um temporal ou muitas horas de chuva. Os solos encharcados tendem a se acomodar naturalmente e podem deslizar mesmo num dia sem chuva. A situação de alerta agora é quase permanente, até o fim do verão. As duas imagens abaixo mostram claramente o afastamento os núcleos de chuva da região de divisa entre São Paulo e o Rio de Janeiro.  A primeira imagem representa a situação às 15h15 da sexta-feira, 1 de janeiro, quando as nuvens pesadas já estavam fora da região de Angra dos Reis e de Paraty. A segunda imagem representa a situação das 21h45. A sequência de imagens mostra que o deslocamento das nuvens mais carregadas é para o sul, em direção ao litoral sul de São Paulo e a Grande São Paulo. Este movimento está sendo feito por um sistema de alta pressão, nos níveis mais altos da atmosfera, que nesta sexta-feira já diminui a nebulosidade sobre o Espírito Santo, na região do vale do rio Doce, em Minas Gerais e na região de Búzios, no Rio de Janeiro. Na imagem de satélite abaixo é possível notar a quantidade de nuvens nestas regiões é muito menor do que nas outras áreas da Região Sudeste. A medida que este sistema de alta pressão avança sobre o Sudeste, a nebulosidade tende a diminuir também sobre o centro-sul de Minas Gerais, no sul do Estado do Rio e em parte do Estado de São Paulo, incluindo o litoral norte paulista. Este é o efeito visível através das imagens de satélite. Mas ao mesmo tempo,  isto representa a expansão do ar mais seco trazido pela alta pressão.  Note que a nebulosidade também já diminuiu sobre a Grande Belo Horizonte, que  sofreu com a chuva excessiva nos últimos dias. A queda dos níveis de umidade sobre grande parte da Região Sudeste deve ser percebida no decorrer deste fim de semana, diminuindo a formação de grandes áreas de chuva.  Porém, não se pode dizer que a chuva vai parar de vez.  As pancadas de chuva ainda vão ocorrer, mas em áreas menores e serão menos frequentes. E ainda há risco de chuvas fortes, mas de curta duração. Com a menor quantidade de nuvens, o sol reaparece forte e isto será importante para diminuir o excesso de umidade na terra. Para este domingo, a expectativa é de um dia com sol forte e pancadas de chuva passageiras entre o meio da tarde e o início da noite, na maioria das áreas da Região Sudeste. A região do litoral norte de São Paulo, Angra dos Reis e o Grande Rio de Janeiro devem ter um dia sem chuva.