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Bloqueio da ASAS vai voltar no verão?

27/11/2015 às 22:13
por Josélia Pegorim

Atualizado 29/11/2015 às 21:35

A falta de chuva nos verões 2013/2014 e 2014/2015 gerou uma das mais severas crises hídricas no Brasil, com efeitos muito negativos na saúde econômica e social do país. A falta de chuva gerou uma crise de energia e de abastecimento de água para as populações.

As precipitações abaixo da média no verão de 2013/2014 foram provocadas por um longo e intenso bloqueio atmosférico. Tecnicamente tivemos uma situação anômala no oceano Atlântico Sul e também no Pacífico Sul, mas que não foi relacionado com o El Niño observado em 2015. Este bloqueio persistiu por cerca de um mês e meio.

Na imagem abaixo, a mancha em tons de vermelho que cruza o Atlântico Sul entre o Brasil e a África indica águas quentes que bloquearam a passagem das altas pressões polares. Sem alta pressão polar, o sistema de alta pressão subtropical naturalmente ganha força sobre o Brasil.

 

 

 

O bloqueio do verão de 2014/2015 foi menos intenso e por um período menor, mas também teve seu ápice justamente em janeiro, um mês normalmente de chuvas volumosas em grande parte do país.

Estes bloqueios foram gerados por uma posição e intensidade atípicas do grande sistema de Alta Pressão Subtropical do Atlântico Sul, ASAS, na forma abreviada. A ASAS é um dos reguladores do clima no Brasil. Como todo sistema de alta pressão atmosférica, a ASAS deixa o ar mais seco e cria um fluxo de ar intenso de cima para baixo (subsidência do ar) que dificulta o crescimento das grandes nuvens que provocam a chuva forte.

O bloqueio de águas quentes do Atlântico Sul voltou a atuar em janeiro de 2015.

 

 

 

Vem chegando um novo verão e muita gente teme outro bloqueio da Alta Subtropical do Atlântico Sul. Mas este ano temos o El Niño, que por si só já intensifica a atuação de uma alta pressão sobre o centro-norte do Brasil. De certa forma isto é um bloqueio, mas que não atua com a mesma intensidade e nem nas mesmas regiões que a ASAS atuou nos dois últimos verões.

 

Vamos ter um verão com calor anormal?

Menos chuva significa menos nebulosidade para produzir esta chuva. Com menos nuvens no auge do verão, o calor fica acima do normal, o que gera um problema: aumento do consumo de energia por causa do maior número de horas com o ar condicionado ligado.

Confira o comentário do meteorologista da Climatempo Alexandre Nascimento: “Com o aumento do calor, naturalmente a carga de energia aumenta associada ao consumo excessivo de ar condicionado. Ou seja, um tempo mais fresco como o ocorrido no Sudeste agora em novembro "ajuda" o sistema nacional de energia a poupar suas reservas hídricas. O nosso verão deve ser, em média, mais quente do que o normal. No entanto, NÃO teremos grandes bloqueios atmosféricos sobre São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul e sobre o centro-sul de Minas e de Goiás, como os que desencadearam as altíssimas temperaturas dos dois últimos verões. Com isso, espera-se menor consumo do que em 2015 e em 2014. 

O mapa mostra a situação da anomalia da água do mar no Pacífico com El  Niño (forte mancha vermelha) e do Atlântico Sul que está numa situação muito diferente dos últimos dois verões.

 

 

O bloqueio da ASAS vai voltar? Confira a análise de Alexandre Nascimento