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Os 175 anos dos pacotes turísticos

05/07/2016 às 15:36
por Redação

Em 5 de julho de 1841, Thomas Cook dava início a um dos formatos mais característicos do turismo moderno ao organizar uma excursão para trabalhadores e suas famílias, de Leicester a Loughborough, na Inglaterra.


Ex-pastor batista, Cook acreditava que a maioria dos problemas sociais da era vitoriana estava relacionada ao álcool e que a vida da classe trabalhadora melhoraria significativamente se se bebesse menos e se recebesse mais educação. O objetivo de sua excursão era, portanto, oferecer um passatempo como alternativa à bebida.

O bilhete incluía as viagens de ida e volta de trem, um sanduíche de presunto e uma xícara de chá. O passeio contou com trilha sonora executada pelos próprios viajantes, atraindo atenção por onde passava. "As pessoas saíam às ruas, se penduravam nas janelas e subiam nos telhados para nos dar as boas-vindas durante todo o trajeto", relatou Cook.

Apesar de esse primeiro tour não ter incluído um pernoite, já se tratava de um pacote de viagem, aponta Jürgen Schmude, professor de Turismo na Universidade Ludwig Maximilian de Munique. "Essa viagem a Loughborough foi definitivamente a precursora do pacote de férias moderno."


Volta ao mundo

Outras excursões de trem se seguiram e, como o tempo, Cook foi expandindo seu repertório. A partir de 1846, ele organizou tours coletivos para Escócia, Irlanda e Europa continental. Em 1866, ele começou a fazer passeios também para Estados Unidos e Canadá.

Logo vieram cruzeiros pelo Nilo e, por fim, até voltas ao mundo. Em 1872, Cook começou a organizar um tour anual com 22 dias de duração, cobrindo 40 mil quilômetros. Como o preço de uma viagem era levado, o britânico conseguiu conquistar clientes das classes mais ricas.

Hasso Spode, historiador do arquivo Willy Scharnow da Universidade Técnica de Berlim, destaca que Cook não foi o inventor de fato dos pacotes de férias, pois antes dele já eram organizadas na Inglaterra excursões de trem com um dia de duração. "Mas Cook com certeza foi o primeiro operador de pacotes de férias, tendo seu negócio se tornado global em 1900", diz Spode.

Para a biógrafa de Cook e especialista em turismo Jörn Mundt, o britânico é um dos mais importantes pioneiros do setor. "O que fez com que o negócio dele se destacasse foi a habilidade dele de reconhecer a importância de ideias de negócio já existentes e usá-las de forma eficaz e bem-sucedida", afirma.


A democratização do turismo

Segundo Schmude, uma democratização do turismo demorou a acontecer, pois à maioria das pessoas faltava tempo e dinheiro para sair de férias. Foi somente na segunda meta do século 20 que o turismo de massa se desenvolveu.

"Isso teve a ver com muitos fatores: um aumento dos níveis de renda, direito a férias e mobilidade – com a introdução dos voos comerciais baratos", explica Schmude. "Também surgiram pacotes de férias oferecidos por lojas de departamento como a Neckermann, o que significava que viajar se tornou acessível para uma grande parcela da população."

Hoje, o limite do turismo de massa parece ter sido atingido. "A tendência é observarmos mudanças em termos de distância e destinos", afirma o especialista em turismo. "Alguns países enfrentam um cenário desfavorável no curto prazo, como quando há instabilidade política ou até ataques a turistas."

Cook morreu em 1892, aos 83 anos. Sua empresa permaneceu sob o comando da família até 1928. Hoje, o grupo Thomas Cook é uma companhia de capital aberto, com sede em Londres.

LPF/epd/dw