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Desmatamento compromete futuro climático da Amazônia

03/11/2014 às 18:41
por Redação

por Maira Di Giamo

A Floresta Amazônica tem grande impacto no sistema climático e na regulação das chuvas. Na última quinta-feira (30), em São Paulo, foi divulgado um estudo conduzido pelo pesquisador Antonio Donato Nobre sobre o papel da Amazônia e os problemas relacionados ao desmatamento. A floresta se estende por 9 países, mas 60% dela se encontra no Brasil, onde 763 mil quilômetros quadrados já foram desmatados. Isso equivale a uma área de 184 milhões de campos de futebol. É como se 2 mil árvores fossem derrubadas por minuto, ininterruptamente, por 40 anos.  De acordo com o estudo, parar completamente o desmatamento já não seria o suficiente para impedir que as funções climáticas do bioma sejam alteradas. Seria necessário começar um amplo processo de recuperação do que foi destruído.

A floresta possui muitas características importantes e essenciais. Ela mantém o ar úmido em movimento, e exporta essa umidade para o interior do continente. Além disso, ela ajuda a formar chuvas em ar limpo. Para a formação da gota, são necessários grãos de poeira na atmosfera. Mas na Amazônia as árvores emitem odores a partir dos quais se formam minúsculas partículas de poeira, que produzem nuvens baixas e quentes, e consequentemente, chuva.

O pesquisador Antonio Nobre também fala sobre os efeitos que o desmatamento da floresta pode causar no clima, como a redução drástica da transpiração das árvores, a alteração na dinâmica de chuvas e o prolongamento da estação seca sobre as áreas desmatadas. O estudo recomenda um “esforço de guerra” para reverter o quadro atual, e uma das principais medidas é o “combate a ignorância”, através da divulgação de informações e descobertas científicas para toda a população.

                                                                                                                           

A Amazônia tem extrema importância no regime de chuvas do Sudeste, assim como da maior parte da América do Sul. Porém, dizer que a culpa da seca em São Paulo é apenas do desmatamento na Amazônia é bastante complicado. Existem muitas variáveis e sistemas, como as frentes frias, que também influenciam no regime de chuvas. Além disso, as mudanças climáticas relacionadas ao aquecimento global também são apontadas por alguns pesquisadores como influência para a estiagem, já que suas consequências são o aumento dos extremos climáticos. Confira a opinião dos pesquisadores Tércio Ambrizzi e Maria Assunção Dias sobre as causas da seca.