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Há risco de chuva ácida na Baixada Santista?

04/04/2015 às 14:10
por Fabiana Weykamp

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ncêndio de grandes proporções já dura três dias no bairro Alemoa, em Santos e, segundo os dados da CETESB, a qualidade do ar em Cubatão desde a tarde de sábado já estava classificada em "muito ruim". Os últimos dias têm sido marcados por bastante sol e tempo firme na região de Santos. O vento tem soprado fraco e predominante da direção leste/sudeste, mas isso deve mudar a partir deste domingo. Para este Domingo de Páscoa, há previsão do retorno da chuva na região. Áreas de instabilidade que já começaram a avançar do Paraguai para o Sul do Brasil já chegaram ao interior de São Paulo. Além disso, uma nova frente fria é prevista para chegar ao litoral paulista entre a madrugada e a manhã de segunda-feira. Nos questionamos então sobre a possibilidade da ocorrência de chuva ácida na região, devido à alta concentração componentes tóxicos na atmosfera. A seguir segue a explicação do Meteorologista Ivan Heten, especialista em poluição atmosférica, para esta possibilidade: "O dióxido de enxofre, emitido pela queima de óleos e combustíveis ricos em enxofre (derivados do petróleo), próximo à superfície reage rapidamente para formar o trióxido de enxofre, que em presença de água irá formar o ácido sulfúrico. 
Se tivermos o aumento da umidade provocada por circulação local (brisa marítima) esse ácido formado será utilizado como CCN (núcleos de condensação de nuvens) e como sabemos, a chuva associada a esse tipo de processo é fraca. Uma chuva fraca neste caso é pior, pois a concentração de ácido é maior (maior concentração de ácido por gota, já que a gota é pequena).
A chuva associada à frente não teria o ácido produzido atuando como CCN nas gotículas de nuvem, mas irá remover o ácido produzido próximo à superfície por meio da deposição úmida, o que também é considerado como chuva ácida, porém a concentração por gota será menor (logo, os danos provocados por esse tipo de chuva seriam menores do que no caso de uma chuva fraca).
Os ventos associados ao avanço da frente fria podem dispersar o gás, reduzindo a concentração do SO2 e o risco de chuva ácida. Contudo o próprio dióxido de enxofre apresenta riscos à saúde e as concentrações presentes devido ao incêndio continuam perigosas."