Climatempo

Climatempo Meteorologia

Obter
publicidade

Os riscos de doenças renais no período de chuvas e inundações

12/01/2012 às 15:50
por Redação

As c
huvas e inundações que atingem algumas regiões do país nesta época do ano podem representar um grande risco à saúde da população. A água das enchentes coloca diversos agentes infecciosos em contato com as pessoas. Há diferentes tipos de doenças causadas por uma variedade de bactérias, vírus, protozoários e parasitas, agentes que são carregados pelas águas e propiciam o surgimento de vários males. Algumas doenças têm sua ocorrência aumentada neste período. A mais grave pela sua alta mortalidade é a leptospirose. Atualmente, a porcentagem de óbitos por consequência da doença ocorre em 10% a 15% dos casos. “Desse total, 80% dos pacientes têm insuficiência renal aguda” revela o nefrologista Lúcio Roberto Requião Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Segundo ele, não há dados brasileiros sobre o aumento de lesão renal aguda na época das enchentes. Mas pesquisas desenvolvidas em países como Taiwan, Índia e Peru demonstram essa relação. A leptospirose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria presente na urina de ratos que, com as chuvas, se mistura às águas de valetas, lagoas e cavas. Essa bactéria penetra no corpo humano através de pequenos ferimentos na pele e pelo contato do líquido com a mucosa oral ou com o aparelho digestivo, ao se ingerir a água ou alimentos contaminados. As fontes de água potável também correm risco de contaminação. Os primeiros sinais da doença são febre alta, mal-estar, dores de cabeça constantes e intensas, dores pelo corpo, principalmente na panturrilha, cansaço e calafrios. Também são frequentes dores abdominais, náuseas, vômitos, diarréia e desidratação. É comum que os olhos fiquem amarelados. Em algumas pessoas os sintomas reaparecem após dois ou três dias de aparente melhora, podendo evoluir para um quadro grave de insuficiência renal e respiratória. O período de incubação da doença é, em média, de dez dias após o contato com a água contaminada. Assim, a doença só poderá ser detectada com maior segurança com a realização de exames laboratoriais feitos com o aparecimento dos sintomas, quando o médico deve ser procurado, para poder iniciar o tratamento precocemente. Outra doença que pode levar a complicações renais graves é a Síndrome hemolítico-urêmica, que atinge especialmente crianças. Em 90% dos casos, ela está associada a uma toxina produzida pela bactéria Escherichia coli e, em geral, infecta gatos e outros pequenos mamíferos, que eliminam a toxina pelas fezes, podendo ser transmitida por alimentos e água contaminada. “É uma doença grave, manifestada por febre, dor abdominal, vômitos e diarréia, levando a alterações no sangue, como anemia, predisposição a sangramentos e lesão renal aguda, com necessidade de diálise”, afirma o nefrologista. Cuidados importantes para evitar as doenças
  • Em casos de enchentes as pessoas devem permanecer o menor tempo possível em contato com a água. Se isso for impossível, as mãos e os pés devem ser protegidos por botas e luvas. Se isso também não for possível pode-se improvisar proteção amarrando os pés e as mãos com sacos de plástico (desde que não estejam furados).
  • A lama das enchentes tem alto poder infectante. Ela adere aos móveis, paredes e chão. Recomenda-se tirar essa lama, também com pés e mãos protegidos. O local deve ser lavado e desinfetado com água sanitária. O Ministério da Saúde recomenda usar um copo de água sanitária em 20 litros de água.
  • É muito importante o cuidado com os alimentos, que também podem ser contaminados. Frutas e legumes crus devem ser lavados com água e um pouco de água sanitária. Recomenda-se lavar sempre as mãos, com sabão e água limpa, antes de manipular os alimentos.
  • As enchentes podem contaminar ainda o sistema doméstico de armazenamento de água. Por isso, uma das primeiras providências deve ser a de desinfetar os reservatórios de água, mesmo quando não tenham sido atingidos diretamente pela água da enchente. O motivo é que a rede de distribuição de água pode apresentar vazamentos que permitem a entrada de água poluída, contaminando os reservatórios domésticos.